sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Umas férias com Jacques Tati


Uma retrospetiva integral do realizador Jacques Tati vai animar Lisboa e Porto nas últimas semanas de Verão. Um ciclo para recordar, ou descobrir pela primeira vez, a obra de um génio do cinema.

Eis o grande acontecimento desta pré-reentré, pré-cansaço diário, pré-regresso às rotinas, ao quotidiano e ao conformismo da sociedade mecanizada e informatizada, num mundo dominado pela informação super-sónica e pelo domínio crescente das máquinas no mundo dos humanos. Não, esse mundo não é de um qualquer filme de ficção científica pós-apocalíptico, e é antes uma realidade bem palpável – ou aliás, bem… real. Uma realidade que um autor, através da linguagem do cinema, conseguiu satirizar de uma maneira única, em filmes que podem ser vistos, a partir desta semana, no espaço Nimas. Fez sátira “séria”, sim, mas também fez gags como tão poucos conseguiram no grande ecrã: desde o mundo do circo à simples vida na mais anónima das províncias francesas, Jacques Tati brincou com tudo e todos, levando a limites nunca antes vistos (e, em cada filme, com novos contornos), a arte do slapstick e da ironia da mais refinada comédia física.

Um artigo especial que pode ser lido na íntegra na Máquina de Escrever.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Princesa Mononoke (Mononoke Hime) [1997]


“A Princesa Mononoke” é um dos filmes mais populares do mestre Hayao Miyazaki. A nova edição em DVD é a primeira que faz justiça a este marco do cinema de animação. 

Um dos títulos fundamentais do criativo e lendário Estúdio Ghibli, A Princesa Mononoke é uma das imagens de marca do seu realizador e foi, no ano do seu lançamento, o filme mais rentável de sempre nas salas de cinema japonesas. Pouco depois foi ultrapassado pelo campeão Titanic, mas curiosamente, Miyazaki voltaria ao primeiro lugar poucos anos depois, com A Viagem de Chihiro, cujo recorde de bilheteira no país ainda se mantém até hoje. 

No entanto, tendo em conta a popularidade mediática ou não, A Princesa Mononoke é uma obra essencial do cinema de animação e do cinema oriental contemporâneo em particular. E mais do que isso, é a resposta definitiva para todos aqueles que continuam a achar que os “bonecos” são só para crianças – o filme é violento, profundo, e as dimensões dramáticas e mitológicas da narrativa escapam ao olhar dos mais novos. As imagens falam de uma outra maneira, sem precisarem dos diálogos, atingindo subtilezas na caracterização das personagens e dos ambientes que se tornaram um modelo para muitos outros estúdios de animação.

O texto integral pode ser lido na Máquina de Escrever.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Experiência de legendagem

O Francisco Rocha está a fazer um grande ciclo dedicado a pérolas escondidas dos anos 70, no seu blog "My Two Thousand Movies". Propus-lhe que incluísse o (grande) filme "The Friends of Eddie Coyle". Como não existia nenhuma legenda na nossa língua, decidi fazer eu a tradução. Uma primeira experiência de legendagem desafiante: este é um filme cheio de calão e de expressões quase intraduzíveis. Mas espero ter conseguido ser razoavelmente fiel ao original, para que possam agora descobrir um título injustamente desconhecido do público português. É deste tipo de "ilegalidades" que todos devemos apoiar, porque senão, estaremos a privar espectadores de verem esta preciosidade dos setentas e que, certamente, nunca terá grande interesse para as distribuidoras nacionais.

Podem "descarregar" o filme com a legenda aqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Longe dos Homens (Loin des Hommes) [2014]


“Longe dos Homens” é um filme curioso, mas limitado, que sobressai graças à banda sonora e à maravilhosa interpretação de Viggo Mortensen.

Estamos na Argélia, no ano de 1954. Foi nessa altura que começou uma longa, violenta e dolorosa guerra que culminou, em inícios da década de 60, com a declaração da independência face à França, até então a potência colonial que detinha o poder. É no contexto dos primórdios desta guerra que o realizador David Oelhoffen decidiu localizar as personagens de Longe dos Homens, uma adaptação muito livre de um conto de Albert Camus. Um professor de uma escola primária que apoia crianças argelinas vê-se no meio de uma intensa perseguição mútua entre os dois povos, e acabará por abandonar o seu posto para ajudar um homem procurado pelas autoridades. Uma “aventura” que revelará a tristeza da vida humana em situações difíceis, como também a forma como o racismo e a lei do mais forte condicionam, de forma dura e irracional, a paz e a compreensão entre os homens.

A crítica integral pode ser lida na Máquina de Escrever.