quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um Lance no Escuro... e Camané!


O episódio n.º 20 da terceira temporada de Um Lance no Escuro, a mais longa de um programa que, até agora, conta com mais de quarenta emissões, teve um convidado especialíssimo, que é um dos meus artistas preferidos - daqueles que provoca um arrepio na espinha total (experimentem os concertos e saberão do que estou a falar): tive a oportunidade de sair do estúdio e ir conversar com Camané a sua casa, num óptimo e mui acolhedor ambiente. O resultado final pode ser ouvido aqui em baixo.


UM LANCE NO ESCURO 32

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quando o cinema era novo


A estreia de “Se eu Fosse Ladrão… Roubava” é acompanhada dos lançamentos, nas salas e em DVD, dos dois primeiros filmes de Paulo Rocha, em excecionais cópias restauradas. Uma nova oportunidade para (re)descobrir o início de um período marcante do cinema português. 

São dois filmes que marcam o início do Cinema Novo e de uma revolução discreta no cinema português – cujos efeitos sentimos mais em 2015 do que naqueles (pouco) longínquos anos 60. São histórias de amor e conflitos sociais num país dividido entre a tradição e o progresso. Contudo, este díptico representa mais do que um simples “documento histórico” de uma época (ao contrário de tantos outros títulos da “Nova Vaga” portuguesa) e de um modo de pensar e de fazer cinema em Portugal, porque Os Verdes Anos e Mudar de Vida passaram o teste do tempo e continuam bem atuais. É caso para dizer que Paulo Rocha não morreu no sentido cultural e artístico do termo: hoje, a sua obra continua presente no imaginário nacional.

Leiam o artigo integral na Máquina de Escrever.

E ainda mais um Clarão!


E lá fui eu mais uma vez ao Clarão. Momentos de conversa bem catita com a Joana Branco Serra e a Raquel Dias da Silva, e no menú constam livros, filmes e música. Podem ouvir aqui em baixo.



CLARÃO 21/05

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Um Lance no Escuro... e Pedro Cinemaxunga!


Na 40.ª emissão de "Um Lance no Escuro" (se contarmos com as 9 emissões gravadas no Camões em 2013) teve um convidado muito especial, que conversou comigo via Skype. Foi o senhor Pedro Cinemaxunga, um dos maiores e mais misteriosos escribas da blogosfera portuguesa. Uma conversa com cinema, o sentido da vida, e o «Commando» em particular, que podem ouvir aqui em baixo, como é costume.
UM LANCE NO ESCURO 31

terça-feira, 19 de maio de 2015

Mais uma participação no CLARÃO


No dia 7/05 voltei ao Clarão, acompanhado pelo João Carvalho e a Marta Queiroz. Falámos de filmes e música, com alguns bitaites parvos pelo meio. E podem ouvir tudo aqui!


CLARÃO 07/05

Um Lance no Escuro... e João Correia dos Tape Junk!


João Correia, mentor e líder do fenomenal projecto musical TAPE JUNK, cujo segundo álbum acabou de ser lançado, é o convidado desta 30.ª edição do programa que faço na Rádio Autónoma (e a desta semana, com outro convidado também muito especial, será a quadragésima, se contarmos com as 9 emissões feitas no Liceu Camões).Uma conversa sobre cinema e música, que já podem ouvir onde e quando quiserem via podcast.


UM LANCE NO ESCURO 30

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Força Maior (Turist/Force Majeure)


“Força Maior” é um filme que questiona os valores morais do ser humano em situações de risco, e a vulnerabilidade de uma família face aos perigos físicos e psicológicos que a rodeiam. 

Força Maior é uma história que coloca em causa a ética e o instinto do ser humano, através de uma situação que, à partida, tinha tudo para ser corriqueira, banal, passageira, e que só poderia ser lembrada posteriormente, apenas, através de muitas fotografias e recordações mais ou menos divertidas, pelos seus intervenientes: a viagem de férias de uma família nos Alpes franceses. 

O que há de errado neste quadro? É que há qualquer coisa imprevisível que irá afetar não só a relação entre o casal e os filhos, como também a estadia naquele sítio gelado, mas paradisíaco à sua maneira. É esse elemento, representado por um pequeno, mas fatal, gesto do patriarca da família (que, ao contemplar uma “avalanche”, tem o primeiro impulso de fugir a sete pés), que faz o interesse e a… força maior deste filme, e que é, também, o tema mais acutilante aqui abordado pelo realizador Ruben Östlund. 

Leiam a crítica integral na Máquina de Escrever.

Um Lance no Escuro... e Anabela Mota Ribeiro!


Na quarta-feira passou o 29.º episódio de Um Lance no Escuro gravado na Rádio Autónoma. Falei com a caríssima Anabela Mota Ribeiro sobre Machado de Assis e Max Ophüls, entre outras coisas bonitas, O podcast já está disponível!


UM LANCE NO ESCURO 29

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A Humilhação (The Humbling) [2015]


Uma interpretação singular de Al Pacino eleva uma adaptação cáustica e desorientada de “A Humilhação”, um romance homónimo de Philip Roth. 

Eis uma história de ascensão e queda de um artista, como tantas outras que seguem o mesmo caminho, e que traçam o mesmo percurso psicológico de uma personagem decadente e perdida no meio das suas ilusões. Hollywood tem sido perita em filmar esse tipo de situações dramáticas, tão inerentes ao mundo do star system criado pela indústria (basta citar os exemplos ilustrativos dos filmes O Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, ou Corações na Penumbra, de Richard Brooks). 

Mas o que propõe Philip Roth – e o realizador Barry Levinson – é algo diferente, pelo menos, em termos formais, numa variação desses temas clássicos que dizem tanto ao cinema americano. A Humilhação é um curioso drama, com algo de humorístico, que joga com os problemas de Simon Axler, um ator instável que vê o seu talento dissipar-se e uma depressão aguda a surgir.

Leiam a crítica integral na Máquina de Escrever.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Os factos e as lendas



O fim de uma era, contada por dois filmes distintos: em «The Man Who Shot Liberty Valance», John Ford "mata" os mitos do Oeste, mas não deixa que a realidade se misture com as lendas dessa época (algo que parece, ainda hoje, sentir-se em grande escala - talvez muito do que achamos "saber" desse período da História norte-americana não passe de uma junção, em jeito de sopa, de várias ideias retiradas de centenas de westerns e histórias como esta); em «Once Upon a Time in the West», Sergio Leone despede-se dos spaghettis (não sou dos que considera «Duck, you Sucker!» um western, porque de facto pouco tem a ver com o género), mas a morte "social" das suas personagens implica que se ajustem contas nos momentos finais, já que (parafraseando o interessante título espanhol do filme), chegou a hora de tudo ser resolvido. Chegou a hora de Fonda e Bronson, antes que todo aquele mundo lendário e mitológico, que viveu o seu período áureo nos anos anteriores, tenha obrigatoriamente de cumprir o seu percurso de declínio.

Separados por vários anos, os dois filmes são duas testemunhas iguais de várias das convulsões que o Cinema sofreu em pouquíssimo tempo (com a queda do western americano, o apogeu e rápido "declínio" do western spaghetti, o fim da Hollywood clássica e o aparecimento de novos movimentos culturais - dentro e fora das lides cinematográficas). Sendo o Cinema a arte que teve menos tempo para se desenvolver (em apenas um século, conseguiu chegar a dimensões que a Literatura  e outras formas artísticas só conquistaram, lentamente, ao longo de muitas mais centenas de anos), num abrir e fechar de olhos, tudo mudou nessas imagens em movimento. Hoje, olhamos para a modernidade de outra maneira, e consideramos ridículas certas experiências "revolucionárias", ao contrário de filmes mais "arcaicos", criticados pelos novos movimentos dos finais dos anos 60, por exemplo, e que hoje olhamos, talvez, com uma perspectiva  mais "institucional". Mas a visão pessimista, saudosista e, acima de tudo, épica destes dois filmes (o primeiro, de um realizador veterano nos anos finais da sua carreira, e o segundo, de um cineasta cuja popularidade cresceu do dia para a noite, mas que teria pouco espaço para concretizar os seus projectos nos anos vindouros), mantém-se hoje inesquecível. Eis o poder do grande Cinema.