sexta-feira, 24 de julho de 2015

Literatura: A Máquina do Tempo (The Time Machine) [1895]


No que Orwell e Huxley ganharam em substância, a distopia de H.G. Wells perdeu em relevância, pelo simplismo das suas linhas narrativas que foram rapidamente ultrapassadas pelo tempo. No entanto, "A Máquina do Tempo" criou um dos bordões preferidos da literatura e do cinema de ficção científica, tendo já sido usada e abusada para mil e uma variações (algumas delas bem mais interessantes que a original, diga-se) desta história científica e socio-política. Os relatos densos e elaborados do protagonista, que nos conta Tintim por Tintim toda a sua aventura espacio-temporal, não revelam grande complexidade dramática ou psicológica - muito pelo contrário: talvez um qualquer resumo desta obra, em jeito de "Apontamentos Europa-América", consiga dizer o mesmo ou muito mais, em menos palavras, do que a escrita de Wells aqui nos transmite. "A Máquina do Tempo" é de um autor prolífico que criou algumas das histórias favoritas dos séculos XIX e XX (como esta, mais "O Homem Invisível" e "A Guerra dos Mundos"), e com a sua ingenuidade, abriu portas para reflexões muito mais grandiosas sobre os problemas do futuro da Humanidade. Uma leitura agradável, mas que funciona mais pelo seu lado histórico (enquanto livro marcante de uma época e de uma sociedade) do que pelo "appeal" ao leitor moderno (que, em grande parte, deixou de existir). Para distopias mais cativantes, consultai "1984", "Admirável Mundo Novo", e também o "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury.

Tradução portuguesa: Alexandre Emílio, n.º 316 da colecção Geração Público, edição Mediasat/Promoway

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