quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Os 10 Melhores Filmes de 2014


4. - Grand Budapest Hotel
5. - O Acto de Matar
8. - Belém
9. - Mr. Turner
10. - Cavalo Dinheiro

Sem ter tempo para ver tudo o que queria (um dos filmes que me faltou foi «A Imagem Que Falta» - irei tentar resolver a falha no ano que está quase a chegar), ´foram estes os dez filmes que seleccionei para o top anual do Espalha-Factos. E fiquei triste de não poder incluir realmente aquele que seria o verdadeiro n.º 1 desta lista: «The Wind Rises», a obra prima de despedida (será mesmo?) de Hayao Miyazaki. Não chegou a estrear em sala, como estava inicialmente previsto, em 2014, e agora anunciou-se que uma nova distribuidora, a Outsider Filmes, vai mesmo lançar o filme em 2015...a ver vamos. 

Foi um ano marcado por grandes surpresas, e algumas delas tive de deixar de fora deste top, como «Snowpiercer - Expresso do Amanhã», «Capital Humano», «12 Anos Escravo», «Frank», «Her», «O Congresso», «20.000 Dias na Terra»... Mas as listas de nada valem, e sim os filmes. Vejam estes todos. Valem a pena!

Um outro top especial está a ser preparado, em que digo quais os "outros" melhores filmes (que, de qualquer maneira, serão sempre superiores a todo e qualquer filme presente nesta e noutras listas do género, que têm saído em massa nos últimos dias) que vi este ano. O que será? Mais não digo, fica para daqui a alguns dias a postagem. Por agora, apenas desejo, para todos vós...

BOAS ENTRADAS!!!


... e que vejam (SEMPRE) bons filmes!


“Hollywood, tens cá disto?”: O Sangue (1989)


No mês em que (finalmente) se estreou em Portugal o último filme de Pedro Costa, o enigmático Cavalo Dinheiro (que foi antes aclamado em vários festivais internacionais), vale a pena recordar a primeira das suas obras, que é a mais conhecida entre todas as que compõem a sua filmografia. Além de ter lançado rapidamente o cineasta para o pódio dos grandes nomes do cinema contemporâneo, O Sangue é um filme que sobreviveu à passagem do tempo, e que hoje, está melhor do que nunca. 

É mais uma edição da rubrica "Hollywood, tens cá disto?", que pode ser lida no Espalha-Factos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Recordar: Peter O'Toole


Na última edição do ano da rubrica "A Recordar", recordamos o ator Peter O’ Toole, que nos deixou há cerca de um ano, e alguns dos seus melhores papéis, incluindo (obviamente) o protagonismo que obteve em «Lawrence da Arábia». Uma carreira em revista no Espalha-Factos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Mamã (Mommy) [2014]


Xavier Dolan regressa, pela segunda vez em 2014, às salas nacionais. E, desta vez, é com Mamã, um filme muito peculiar sobre a relação não menos invulgar entre uma mãe e o seu filho problemático. Este é um dos acontecimentos mais marcantes da reta final deste ano cinematográfico. 

Uma mãe viúva, desenrascada e sem papas na língua, e o seu filho de 15 anos, imparável, carismático e violento, num Canadá com o seu quê de distópico (Dolan insere, numa narrativa realista, uma dimensão social fictícia, que acabará por criar uma outra perspetiva em certas situações da história), protagonizam uma história de sobrevivência na vida mundana, dominada por números, rótulos e burocracias, e que cada vez menos pode ser associada com a palavra “Humanidade”. No caminho ainda conhecem uma vizinha caricata e vivem uma série de questões que os tentarão ajudar a enfrentar o caos… ou talvez não. 

Diz-se que só se consegue escrever um bom livro depois dos 40, mas agora não sabemos se isso poderá mesmo ser verdade na questão do cinema, ou pelo menos, com este caso em particular. Porque apesar de algumas jovialidades notórias, em termos visuais e psicológicos, Mamã sobrevive no nosso imaginário como uma história perfeitamente adulta, em que os artifícios estéticos mais não são que um acompanhamento para uma narrativa que tem os pés bem assentes na terra. 

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

Mr.Turner [2014]


Timothy Spall protagoniza este biopic pouco convencional, num desempenho que lhe valeu o prémio de Melhor Ator na ultima edição do Festival de Cannes. Mr. Turner é o relato preciso dos últimos 25 anos de vida do pintor Joseph M. W. Turner, que testemunhou grandes mudanças na sociedade britânica do seu tempo, que acabaram por influenciar o seu trabalho, e o rumo cada vez mais atribulado da sua vida. É uma das estreias da semana, e um dos melhores filmes do ano. 

Um artista irreverente, que acabou por ser vítima das mesmas circunstâncias que o tornaram célebre no meio cultural britânico: presenciando uma época marcada por várias transições sociais (e mesmo tecnológicas), acompanhamos as deambulações de Joseph Turner entre críticos e admiradores da sua arte, a conviver com o seu amado pai (o maior de todos os fãs) e com a governanta (com a qual mantém uma obscura relação). Paralelamente, vemos a vida de Turner fora de circuitos tão íntimos, e passamos para a sua importância na vida social da época. Mas o que sobrevive mais na nossa cabeça: a psicologia complexa desta personagem, ou as suas jogadas estratégicas para conseguir sempre vencer, e dar nas vistas entre os seus pares? 

Turner movimenta-se entre todas as classes da hierarquia para se “formar” como personalidade de elevada importância, obtendo um grande sucesso entre as elites cultas. Mas a fama não irá impedir que ele seja alvo de algumas maledicências injustificadas e de um certo desprezo, numa sociedade pontuada pela importância do status e das modas, e que tenta impedir a inevitável decadência da sua estrutura. E aí, e tal como acontece com todos os seres humanos, torna-se um indivíduo pequeno, frágil, que não consegue escapar às partidas da existência… mas ao contrário de tantos outros, Turner deixou um incrível legado histórico – legado esse que levou o realizador a querer fazer este filme. 

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Festas Felizes!


Enquanto este blog parece estar a caminhar mais e mais para um estado de coma profundo (porque agora, apesar de ter tempo livre, em muito dele estou a trabalhar numa livraria, e do pouco dele que resta, só uma minúscula porção serve para me dedicar à escrita, e tem de ser para coisas do EF que tenho de entregar, e filmes de 2014 que me faltam ainda ver - mas em janeiro haverá novidades... serão muitas, quentes e boas!), desejo a todos os leitores deste espaço (que já devem ter fugido, tal a irregularidade de publicações que aqui partilho - e a maior parte delas têm sido apenas republicações de textos escritos ou de coisas feitas para outros lados), votos de boas festas!

Este ano que agora finda foi riquíssimo para a minha pessoa: em conhecimentos, em novas experiências, em descobertas... e claro, em filmes. Talvez tenha sido o ano mais complexo desta minha curta existência - e vamos a ver o que nos espera neste próximo, em que assinalo duas dezenas de anos de presença no universo e arredores.

Beijinhos e abraços a todos. Tenho muita pena de não ter conseguido manter a Companhia como quereria, mas nunca me esqueço, apesar da aparente frieza da palavra escrita, do apoio que vós todos me têm dado nesta e noutras paragens.Obrigado! Vemo-nos por aí - e até lá, vejam bons filmes, aproveitem o quentinho da lareira, e tenham um santíssimo e felicíssimo natal, e uma óptima passagem para 2015!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Carvão Negro, Gelo Fino (Bai ri yan huo) [2014]


Um filme de crime e mistério, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e do Urso de Prata para Melhor Ator. Carvão Negro, Gelo Fino é uma história mais ou menos convencional, contada com o auxílio de técnicas menos usuais nos filmes do género, que passou cá primeiro pelo Lisbon & Estoril Film Festival, e que agora chega ao circuito das salas, num lançamento da Alambique.

Carvão Negro, Gelo Fino começa em circunstâncias insólitas. Vemos a despedida, muito pouco formal, entre Zhang e a sua mulher, numa cena que marca o desespero do protagonista, num acontecimento que justificará o aspeto deprimente e desequilibrado do seu espírito, daí para a frente, na narrativa. Foi um divórcio, logo percebemos, e é isto que marca o início de um percurso atribulado, que quer demonstrar algo que vai mais além do que os crimes que têm de ser resolvidos no filme – porque evidencia, também, uma interessantíssima desconstrução psicológica das personagens.

E é aí que assenta a originalidade de Carvão Negro, Gelo Fino: na forma como as figuras da história se movem, sem dizerem ou fazerem aquilo que estamos à espera de ver, ou que pelo menos, encontramos regularmente em muitas “detective stories” cinematográficas (que hoje são predominantemente televisivas) do género. E para isso contribui, também, o tipo de realização que Diao Yinan impôs no filme, e que nos surpreende ao mostrar elementos fundamentais destas histórias de crime com uma outra roupagem (a cena em que vemos o desfecho da primeira investigação, que envolve algumas tragédias, está filmada num impressionante plano fixo em sequência, por exemplo).

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

Um Lance no Escuro despede-se de 2014 com Mário de Carvalho


Na última emissão de 2014, Um Lance no Escuro recebeu o escritor Mário De Carvalho, numa mui interessante conversa. E quem disser o contrário é porque, neste caso, não tem razão nenhuma! Para ouvir, como sempre, na Rádio Autónoma.


UM LANCE NO ESCURO 19

Mais uma vez no EF Rádio

... mas nesta quinta edição, participei via telefone, porque não pude estar em estúdio. Nos minutos iniciais falo de Cinema, com o ciclo da Gulbenkian, o filme «Carvão Negro, Gelo Fino» e ainda as reposições de Chaplin. E há muito mais para descobrir: podem ouvir aqui em baixo a emissão!


EF Rádio #5 by Espalhafactos on Mixcloud

O Principezinho salta do livro para o cinema de animação


O Principezinho, um dos livros mais populares de todos os tempos, vai regressar ao grande ecrã, numa produção americana de grande escala que chegará aos cinemas de todo o planeta no final do próximo ano. Mais informações sobre este filme, e o primeiro trailer do mesmo, podem ser vistos no 

O génio de Chaplin regressa ao grande ecrã


Uma gloriosa iniciativa para terminar em grande este ano cinematográfico: duas obras primas de Charles Chaplin, com o seu mítico vagabundo Charlot, estão de volta à sala escura. A exibição é exclusiva do Cinema Ideal, em Lisboa, e inclui O Garoto de Charlot e A Quimera do Ouro em cópias digitais restauradas. Para o início de 2015 está prometida mais uma dupla de reposições de Chaplin, e os filmes serão Tempos Modernos e O Grande Ditador

No Espalha-Factos, escrevi duas pequenas críticas que celebram a excelência dessa primeira dupla de filmes. A minha opinião pode ser lida aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Um Lance no Escuro... e Jorge-Reis Sá!

Mais um podcast de Um Lance no Escuro já está disponível. Nesta 18.ª emissão na Rádio Autónoma, tivemos um óptimo momento de cavaqueira com Jorge Reis-Sá, escritor e editor, numa troca de bitaites que acabou num debate aceso sobre a prestação de Sofia Coppola em «O Padrinho - Parte III». Para os que ainda não viram a trilogia, avisam-se que nos últimos minutos podem levar com uns valentes spoilers!


UM LANCE NO ESCURO 18

A terceira vez no EF Rádio

Mais uma participação no EF Rádio, a co-apresentar com o Tiago Varzim. No início do programa falo sobre Natalie Wood, «Sem Sombra de Pecado», o lado duvidoso dos Prémios Áquila, e ainda, uma menção para o fantástico ciclo de Cinema no Grande Auditório da Gulbenkian.

EF Rádio #4 by Espalhafactos on Mixcloud

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Filmes em 60 segundos: Riot in Cell Block 11 [1954]


Intenso e realista drama prisional (os minutos iniciais assemelham-se totalmente a um documentário), «Riot in Cell Block 11» é uma pequena curiosidade cinematográfica realizada por Don Siegel (que voltaria a falar da vida atrás das grades no clássico muito mais famoso, «Os Fugitivos de Alcatraz»), sobre os meandros e negociatas do sistema judicial, a partir da história de um motim gerado por um grupo de condenados, que apenas pretendem ver as suas exigências concretizadas, além de quererem chamar a atenção dos meios de comunicação social. Bem filmado e dirigido, com uma precisão minuciosa na construção da tensão, o filme consegue ser um retrato intimista de uma realidade questionável, sobressaindo essas intenções, apesar de algumas cenas serem mais frágeis do que outras. Não marcou a sua época e hoje é um título praticamente desconhecido, mas consegue ser desconcertante na forma como capta a vida de uma prisão sem pozinhos de perlimpimpim.

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