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A mostrar mensagens de Outubro, 2014

O podcast do regresso do Lance

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O podcast do regresso de Um Lance no Escuro, uma homenagem às geniais bandas sonoras de Maestro Ennio Morricone, já pode ser ouvido e descarregado no site da Rádio Autónoma. Até à próxima quarta feira... e vejam sempre bons filmes. Ouçam tudo AQUI!

O Grande Carnaval (Ace in the Hole) [1951]

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I can handle big news and little news. And if there's no news, I'll go out and bite a dog.
Talvez o lado mais fascinante dos filmes de Billy Wilder (ou pelo menos, dos seus grandes filmes) seja a ambiguidade moral que confunde a psicologia dos seus protagonistas (e as reacções que o espectador retira dos seus actos e convicções). Essa ambiguidade é, por vezes, acompanhada por uma busca pela redenção - que em alguns casos mais específicos (e mais dramáticos), surge no último momento, não conseguindo, por isso, evitar a ocorrência do destino arrasador e fatalista que está planeado para essas figuras ficcionais (que tanto nos dizem muito mais sobre a vida que a realidade). O desejo de salvação pessoal, tal como o "pôr os pés na terra" e a desilusão do fim dos sonhos e da percepção que as personagens têm daquilo que fizeram (e que provocou - e provocará - uma série de consequências que se desencadeiam ao ritmo de uma bola de neve a descer aceleradamente a montanha, à med…

A minha participação no 5x5 do My Two Thousand Movies

A famosa rubrica do blog do Francisco Rocha regressou, e eu fiz parte da primeira dupla de concorrentes. O objectivo foi fazer uma lista com 5 filmes, e escolhi 5 propostas que, não sendo os meus filmes preferidos, são, na minha humilde opinião, fitas que merecem ser vistas.
Eis a lista completa: 
O Clã dos Sicilianos Inherit the Wind Hana-bi: Fogo de Artifício A Oitava Mulher do Barba Azul Bom Dia
Os textos do Francisco e os links para os filmes podem ser encontrados aqui.

Sobre o regresso de Um Lance no Escuro

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Para poder, ao menos por alguns momentos, retirar este blog da condição de "coma" forçado que lhe remeti, escrevo aqui em primeira mão algumas das coisas que vão andar à volta da terceira temporada de «Um Lance no Escuro» (cuja data de estreia já está marcada - como podem ver na imagem). Vamos continuar na grande casa da Universidade Autónoma de Lisboa, e para esta nova fornada de emissões com entrevistas e com bandas sonoras de quando em vez (voltaremos à música para Cinema logo na primeira emissão, com uma homenagem muito especial), e estou a preparar algumas coisas, digamos... interessantes. Ou pelo menos, desconcertantes.

Sim, porque é isso que eu agora pretendo mais com esta nova série do «Lance»: mais do que o Cinema (que começa a ser mais secundário nos momentos de cavaqueira radiofónica), vamos tentar surpreender a cada semana os ouvintes que seguem atentamente este programa. Com convidados imprevisíveis e situações imprevisíveis, onde a Sétima Arte não se tornará u…

Filmes em 60 segundos: A Noite Americana (La Nuit Américaine) [1973]

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Um falso documentário sobre as rodagens de um filme: é o que François Truffaut constrói (e interpreta) em «A Noite Americana», interessante mosaico de personagens que interagem umas com as outras, numa série de vinhetas desconcertantes que nos mostram a multiplicidade de problemas, afectos e confusões que rodeiam os bastidores de uma produção de estúdio, “artificial” e ridiculamente dispendiosa e luxuosa, que contraria totalmente as intenções da Nova Vaga da qual o cineasta foi um dos protagonistas. Narrativa com diversas preocupações, tanto estéticas quanto filosóficas, é também uma crítica satírica ao lado industrial do Cinema, que se eleva graças a uma série de magníficos desempenhos e a um sentido cinéfilo apurado e pelas variadas experimentações técnicas que são feitas (algumas mais bem sucedidas do que outras). É talvez o único filme que consegue captar realmente o espírito e o stress de um ambiente típico (e atribulado) deste tipo de filmagens.
★ ★ ★

Frank [2014]

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E sem que nada o fizesse prever, no meio de tanta vulgaridade, chega esta semana às salas mais um dos grandes filmes do ano: Frank não é uma história normal sobre o percurso de uma banda moderna, mas sim um olhar singular, atento, distante do “mundo real” e colado ao poder dos media e das redes sociais que condicionam as relações humanas. 
Frank é um filme que possui uma construção narrativa que se pode designar de normal (mas não de “vulgar”, ou “banal”): começa com a acidental descoberta da banda pelo jovem protagonista do filme, e a (aparente) ascensão a que este sujeita o seu vocalista e os seus colegas. Talvez Jon seja mais movido pelas suas ambições pessoais do que pelo interesse pelo bem comum, em ajudar a banda a sair da discrição em que está submetida. De facto, é isso que faz com que a sua personagem seja tão inocente e, ao mesmo tempo, tão humana – no pior sentido de humanidade possível, como também no melhor, em certas ocasiões 
Mas não há dúvida que a sua visão do mund…

O Senhor Babadook (The Babadook) [2014]

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Passou pelo MotelX e agora chega ao circuito das salas, numa distribuição da Alambique: O Senhor Babadook é uma interessante investida australiana no cinema de terror mas que, apesar de ter algumas ideias engenhosas, acaba por sair vencida pela força das convenções que rodeiam a sua história. 
A sinopse é simples, e soa a muitas outras que já vimos antes: mãe e filho vivem sozinhos numa casa, e o pai morreu há sete anos e isso continua a causar traumas no presente. A mãe lê ao filho um conto infantil todas as noites, e de repente surge um livro misterioso (que nunca ninguém viu antes, e que só aparece neste momento porque dá jeito) chamado “O Senhor Babadook“, que o pequeno pede à progenitora que leia. Mas é um livro amaldiçoado, que ameaça criar graves problemas a esta pequena família, e que não os parará de perseguir até ao último momento. 
Para uma história que se assume como um autêntico reciclar de estereótipos dos filmes de terror (há aqui tanto de O Exorcista como de The Shini…

Arraial do Técnico 2014: a noite, a música e a boémia universitária

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Quem disse que este moço só escreve sobre Cinema? Hoje foi dia de estreias... e por isso, para variar um bocadinho, aqui fica o relato (ou algo parecido) das minhas peripécias no Arraial do Técnico. Uma viagem pelas festividades académicas para descobrir no Espalha Factos.

O Caminho Entre o Bem e o Mal (A Walk Among the Tombstones) [2014]

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O mais recente filme de ação de Liam Neeson consegue ser mais interessante do que todos os outros que o ator fez até à data, mas não consegue suplantar a mediania da história que carrega. Ainda assim, vale por ter alguns bons momentos de entretenimento, e por ser mais suportável do que se pode esperar.
Baseado no livro de Lawrence Block, O Caminho Entre o Bem e o Mal é mais um filme de ação protagonizado por Liam Neeson. Diga-se “mais um”, porque parece que tem sido este o género em que o ator tem apostado mais nos últimos anos, com propostas que, na sua totalidade, e até a este filme, se tinham revelado sempre como infelizes, execráveis e desprezíveis (com alguns casos mais degradantes que outros – alguém viu esse festival insípido e cansativo de clichés que deu pelo nome de Sem Identidade?). 
Por isso, este novo filme de Neeson, realizado por Scott Frank (argumentista de Relatório Minoritário e Romance Perigoso, pelo qual foi nomeado para o Oscar na dita categoria), não foge, em p…

Amar, Beber e Cantar (Aimer, Boire et Chanter) [2014]

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O último filme do realizador de Hiroshima, Meu Amor e O Último Ano em Marienbad chega finalmente a Portugal. Amar, Beber e Cantar é uma interessante e revigorante comédia dramática, sobre seis personagens à procura de si mesmas e de uma razão para todos os problemas e enganos de que serão vítimas nesta história. 
Seis atores interpretam os membros de três casais, que se veem condicionadas por um sétimo, amigo de todos eles, que os espectadores nunca irão conhecer fisicamente (apenas poderemos saber de quem se trata graças a tudo aquilo que as personagens contam sobre a sua vida, os seus segredos e os seus dilemas no presente). É assim que se desenrolam todas as peripécias de Amar, Beber e Cantar, onde vemos as alegrias e mágoas das personagens, os momentos de rutura de cada um dos casais e os recorrentes ensaios para uma peça, numa narrativa cheia de risos, lágrimas e algum whisky
Se Alain Resnais é um cineasta das relações humanas (filmadas, claro, sempre de uma maneira muito pecu…

O Criado (The Servant) [1963]

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Se na peça «The Homecoming» (exibida há pouco tempo por cá com o título «Regresso a Casa», numa encenação de Jorge Silva Melo), o autor Harold Pinter tinha explorado, com mestria, as relações de poder e de subserviência dentro de um agregado familiar, no ano anterior, ao escrever o argumento de «The Servant», realizado por Joseph Losey (com quem colaboraria por diversas ocasiões ao longo da década de 60), já estabelecia as bases para a abordagem dessas temáticas. E aliás, o que encontramos no filme (que também poderia transformar-se numa exemplar obra dramatúrgica) acaba por ser ainda mais feroz, vil e diabólico do que aquilo que vemos na peça de 1964. Aqui é a relação entre um criado e o seu amo que está em causa, num jogo psicológico de contradições, desistências e armadilhas traiçoeiras que põe as duas personagens numa roda viva maior e mais acidentada do que aquilo que podemos esperar num qualquer thriller ou filme de acção desenfreada. É uma luta de classes que está em causa, e …

António-Pedro Vasconcelos: “Estamos a transformar a sociedade num somatório de indivíduos”

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Entretanto o blog chegou aos 1900 posts e continua num estado pseudo-vegetativo. Mas aqui ainda vou colocando as novidades que faço para o Espalha Factos. A mais recente é esta, finalmente disponível: a longa e interessante entrevista ao realizador António-Pedro Vasconcelos, sobre os filmes e outras coisas mais. Tem fotografias da Ana Catarina Araújo, e pode ser lida aqui!

Livros VS Filmes #5 – O PADRINHO

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O LIVRO  Foi um autêntico best-seller na época em que foi lançado, e tornou famosa uma das histórias mais conhecidas da cultura norte-americana contemporânea: «O Padrinho» é a saga da família Corleone, contando uma série de situações que envolvem os negócios da máfia, os segredos das personagens e o passado de Vito, o Padrinho a quem todos obedecem – mesmo os que o querem atraiçoar a qualquer momento. O romance explora uma ou outra figura que os filmes deixaram de lado (como a ascensão de Johnny Fontaine, baseada nas peripécias de Frank Sinatra em Hollywood), e desenvolve-se de uma maneira deliciosa e envolvente. 
O FILME  É mais conhecida que o livro, mas a versão de Coppola vai mais longe do que a imaginação de Mario Puzo, recriando elementos do romance com uma poesia cinematográfica que Hoje é indissociável do universo dos Corleone. Desenvolvendo-se ao longo de uma trilogia, este «Padrinho» adapta o livro no primeiro filme e em parte do segundo, ao contar a história das origens de…

Os Gatos Não Têm Vertigens: Entrevista a Ricardo Carriço e João Jesus

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A propósito da estreia do filme «Os Gatos Não Têm Vertigens», tive a oportunidade de fazer duas entrevistas rápidas a Ricardo Carriço e João Jesus no Hotel Altis, antes de uma conversa mais extensa com o realizador (a publicar em breve), que podem agora ser lidas no Espalha Factos. As fotografias são da Ana Catarina Araújo, e o artigo está aqui.

“Hollywood, tens cá disto?”: Oxalá (1981)

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No mês em que estreou Os Gatos Não Têm Vertigens, recordamos um dos primeiros filmes de António-Pedro Vasconcelos, e que foi também um dos seus primeiros êxitos de bilheteira (juntamente com O Lugar do Morto, também da década de 80), conseguindo quase 90 mil espectadores. Produzido por Paulo Branco, foi apresentado pela primeira vez ao público na Seleção Oficial do Festival de Veneza em 1981, e apesar do sucesso inicial, ao ter estreado no Nimas a 8 de maio de 1981, o filme começou a ficar despercebido, em parte por não ser exibido na televisão regularmente, e também porque não existe qualquer edição no mercado home video disponível entre nós.
Nesta nova edição da rubrica mensal do Espalha Factos recordamos este filme que, digo eu, é um dos melhores do realizador. Para lerem o artigo, sigam este link.