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A mostrar mensagens de Junho, 2014

Os discos dos QUEEN: Sheer Heart Attack [1974]

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Ao contrário do que se sucede com os "terceiros volumes" no Cinema, em que os esperançosos no falhanço são sempre em maior número do que os mais positivistas (e/ou ingénuos), no mundo da música a continuidade de uma banda, ou descontinuidade, não se pode avaliar de uma forma tão redutora - porque não há nenhuma "história" que influencia todas as obras, mas um espírito artístico que pode ou não ser desconstruído, independentemente do número da "sequela" em causa. E por isso, há muito terceiros discos que parecem ser tão bons como os seus antecessores, ou até mesmo melhores, mas não é o facto de se tratar de um "terceiro" trabalho que consegue proporcionar uma expectativa prévia mais precisa quanto à sua qualidade. São disso exemplo os Beatles, com «A Hard Day's Night», os Pink Floyd e o controverso «Ummagumma», e também o fenomenal «Led Zeppelin III», da banda homónima... e claro, a esta lista de incontornáveis temos de acrescentar «Sheer He…

Filmes em 60 segundos: Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn) [1949]

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Filme “maldito” da carreira de Hitchcock (foi um fracasso de público e crítica, e ainda Hoje sofre de uma tremenda e injustíssima desvalorização), «Under Capricorn» é um dos títulos mais curiosos da sua filmografia: aposta nos planos fixos, como o anterior «Rope», e centra-se numa história de época para retratar um modo de vida e a tensão entre diversas facções da sociedade australiana do século XIX. O suspense pode não ser o ingrediente primordial deste romance intrincado e emocionalmente denso, mas o cineasta aposta todas as suas capacidades ao elevar toda a conjuntura a um outro nível. Um filme anti-Hitchcock (isto é, que não segue as características que tornaram este realizador um ícone da inovação), mas que não deixa, contudo, de ter o seu peculiar traço humorístico, tal como um conflito psicológico ausente de espectacularidades, mas igualmente intenso e preocupante. E que se contemplem também as maravilhosas prestações dos actores.
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Um Lance no Escuro e os musicais

A 11.ª edição de Um Lance no Escuro já está disponível em podcast. É o terceiro especial dedicado a bandas sonoras - e desta vez, proponho uma selecção improvável de musicais. Para ouvir onde e quando quiserem!
UM LANCE NO ESCURO 11

Locke [2013]

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Tudo acontece dentro de um carro, a partir de vários telefonemas que acompanham o protagonista ao longo de uma viagem com destino secreto… e fatal. Locke pega numa pequena premissa e transforma-a numa reflexão sobre as interações humanas e os acidentes de percurso que acabam por destruir ou construir relações. E tem Tom Hardy em estado de graça.
É a história de Ivan Locke (Tom Hardy), um homem que trabalhou afincadamente para conseguir a vida que sempre quis ter. Dedica-se sempre ao emprego, na área da construção civil, e à família que adora. Mas no dia anterior ao maior desafio da sua carreira profissional, Locke parte numa viagem de carro (cujo fim, à partida, desconhecemos), e que vai desencadear uma série de consequências, que se refletirão nas várias chamadas que ele recebe ao longo do percurso. Esses acontecimentos problemáticos irão colocar em risco tudo aquilo que conquistou.
E Locke é isto: passa-se inteiramente dentro do carro do protagonista (com alguns planos ocasionai…

“Hollywood, tens cá disto?”: A Culpa (1981)

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O maestro, compositor e pianista António Victorino d’Almeida é também uma das figuras mais mediáticas da televisão portuguesa, tendo apresentado e conduzido diversos programas que se dedicaram à divulgação da cultura e, mais propriamente, da música erudita, em “aulas” que se tornaram num marco para gerações de espectadores. Mas o talento de Victorino d’Almeida espalha-se também noutras vertentes: escreve romances (o mais popular é o primeiro, Coca-Cola Killer) e ainda deu um saltinho para o Cinema, realizando o seu próprio filme: A Culpa, uma das sátiras mais divertidas do Cinema Português – mas infelizmente, uma das menos vistas e divulgadas (nunca houve uma edição para home video, e raramente foi exibida na televisão), apesar de ter sido uma fita premiada (recebeu grandes elogios no Festival Iberoamericano do cinema de Huelva e ainda passou pela Berlinale).
Um filme raro em análise numa nova edição da rubrica «Hollywood, tens cá disto?», no Espalha Factos!

Um ano de Cinema(s) no Nimas

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O ciclo emblemático dos Verões do Cinema King está de volta, mas no Nimas: UM ANO DE CINEMA(S) em julho, com vários dos grandes filmes do ano em sessões a 4€. Leiam tudo no Espalha Factos!

Sementes de Violência (Blackboard Jungle) [1955]

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Yeah, I've been beaten up, but I'm not beaten. I'm not beaten, and I'm not quittin'.


Para compreendermos a delinquência juvenil dos nossos dias, talvez não seja a melhor solução apoiarmo-nos em opiniões alheias, de indivíduos considerados especialistas académicos reconceituados da matéria, de pessoas saudosistas que constantemente dizem que "no seu tempo é que era bom", ou de qualquer outra fonte de informações que a comunicação social expreme até ao tutano, para ajudar a encher chouriços nas infindáveis coberturas que levam a cabo quando algum acontecimento menos agradável sobre a temática surge na actualidade noticiosa. Nenhuma dessas "fontes" será útil para conseguirmos (ou tentarmos) perceber onde é que se encontra a raiz desta rebeldia, que parece tão recente e nada comparável ao que fizeram outras gerações na mesma idade. Talvez o Cinema seja a resposta para todos estes problemas - ou pelo menos, com ele entendemos que, infelizmente, este…

Os discos dos QUEEN: QUEEN II [1974]

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O maior mal de «QUEEN II» encontra-se na forma como foi relegado ao esquecimento e à subvalorização. Porque não é um mau álbum, muito pelo contrário - e o culto que a ele se tem prestado desde o seu lançamento comprova isso mesmo. A crítica foi menos simpática para com este álbum, mas o tempo veio trazer-lhe justiça. E mesmo que não possua a frescura do trabalho de estreia (e aquele espírito e entusiasmo equivalente ao dos caloiros que acabam de chegar ao mundo universitário), em «QUEEN II» conseguimos ouvir alguns dos temas mais inspiradores da banda, e que podem alterar totalmente a imagem generalizada  e massificada que se criou à volta do quarteto. 1974 foi um ano dedicado à criatividade e às experiências (depois deste disco, que com a música «Seven Seas of Rhye», ao ser exibida no programa «Top of the Pops», possibilitou um arranque maior para a fama da banda, que acabaria por dar origem ao fervilhar explosivo de ideias do outro álbum que fizeram nesse ano, «Sheer Heart Attack»)…

Tom na Quinta (Tom a la Ferme) [2013]

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Xavier Dolan regressa com um filme onde mostra aquilo que vale, começando a ir mais além da imagem hipster que lhe é vulgarmente associada: Tom na Quinta é um thriller revelador da criatividade de um cineasta inovador. E chega esta semana a Portugal.
É um realizador em crescimento, e parece-nos que está, agora, a tentar demarcar-se um pouco do lado puramente hipster que o tornou um ídolo de uma nova geração de cinéfilos, impondo-se também como um sério autor de cinema que tem boas histórias para contar. Sim, continua a permitir-se incluir referências próprias – mas nada disso tenta sobrepôr-se, como estilo, a todo o conteúdo da obra, que prima pela inteligência da narrativa e da câmara, e pela aliciante e trepidante evolução das personagens e da psicologia de cada uma delas.
Tem interpretações grandiosas e impecáveis, e revela os segredos de uma pequena comunidade e de uma forma (ainda) preconceituosa de se olhar o mundo – segredos esses cujas consequências podem ser mais devastadoras…

Um Lance no Escuro e... Oceano Pacífico?

A décima edição de Um Lance no Escuro já está disponível em podcast. O convidado foi João Chaves, e não estranhem: o programa é o mesmo, mas a introdução é melhor que todas as outras.
UM LANCE NO ESCURO 10

O Homem Sombra (The Thin Man) [1934]

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- I'm a hero. I was shot twice in the Tribune. - I read where you were shot 5 times in the tabloids.  - It's not true. He didn't come anywhere near my tabloids.
A fórmula já não era nova na época, nem mesmo original: um ex-detective que volta à carga ao investigar, por puro e simples "gozo", um caso relacionado com o seu passado e as pessoas que conheceu durante a sua carreira. Mas «The Thin Man» pega nesse ponto de partida cliché para criar as suas particularidades (que a tornaram numa comédia única e, ainda hoje, aclamadíssima, oitenta anos depois do seu lançamento), e é aí mesmo onde acaba por vencer. Milhentas histórias policiais e crimes obsoletos podemos encontrar em muito filme e história literária, mas poucas conseguem ganhar o estatuto de clássico americano e, mais do que isso, um clássico do género cómico: talvez se não lhes faltasse uma dupla excepcional de protagonistas (cuja química interpretativa é fabulosa e hilariante), uma construção narrativa rech…

A Recordar: Claude Rains

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Foi o Homem Invisível e o inesquecível Capitão Renault de «Casablanca». Mas a carreira do brilhante Claude Rains não se resume apenas a estes dois papéis: há todo um mundo de personagens e talentos que merece ser descoberto, e que é analisado ao pormenor em mais uma edição da rubrica «A Recordar». 
O texto escrito pela minha pessoa, que saiu ontem, está disponível no Espalha Factos.

Os discos dos QUEEN: QUEEN [1973]

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O álbum de estreia dos QUEEN pode ser descrito de mil e uma maneiras, mas a palavra "típico" é a única que não deve ser mesmo utilizada. É uma nova banda a marcar o seu território, definindo-se com uma multiplicidade de talentos e marcas estilísticas que a acompanhariam nos trabalhos vindouros. De facto, apesar de reflectir as tendências musicais da época do seu lançamento (encontramos algumas marcas de heavy metal e de rock progressivo - este segundo estilo seria uma constante em toda a discografia do grupo, mesmo em alguns dos seus álbuns mais "pop", que se recorde o caso de «The Works», 1984), é totalmente um álbum QUEEN, repleto das suas peculiaridades e pérolas inconfundíveis. O álbum segue em crescendo, surpreendenda a cada música (pelas mais diversas razões), não dando ao ouvinte o que ele está à espera - e se isto, na atualidade, se trata da maior das verdades, imagine-se o efeito que teve naqueles que, em 1973, descobriram esta sonoridade. Gerou falatório…

Filmes em 60 segundos: Joe [2013]

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Pode ser um título que espelha a moda de pseudo-independência que começa a dominar o circuito americano, (aquela espécie de fingimento que certos filmes utilizam para tentarem parecer diferentes dos demais - o conceito de “indie” não é algo que podemos associar à realização televisiva, descontrolada e despreocupada de David Gordon Green), mas tem muito que se lhe diga: para além do regresso triunfante de Nicolas Cage (que acerta quando não está em modo “over the top”, tal como sucede aqui), «Joe» centra-se nos dois grandes protagonistas anti-heróicos da narrativa (politicamente incorrecta), admiravelmente compostos pelas gloriosas interpretações do elenco (Tye Sheridan tem um grande futuro pela frente) e na singular gestão que faz do drama e da tensão sempre presentes na atribulada história. É uma fita que mostra o crime e a irracionalidade, não se cansando de dissecar a busca pela redenção no lado mais duro e selvagem da América.
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Um Lance no Escuro e Manuel S. Fonseca

A nona emissão de Um Lance no Escuro, que teve Manuel S. Fonseca como (Grande) convidado, já está disponível em podcast! :)
UM LANCE NO ESCURO 09

Difamação (Notorious) [1946]

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A man doesn't tell a woman what to do. She tells herself.

O que é que atribui a «Notorious» um valor superior que não conseguimos igualar em nenhum outro filme de Alfred Hitchcock? Ou por outras palavras: o que é que tem este Hitchcock que os outros Hitchcocks não têm? E esta dúvida poderá ser ainda mais vaga se soubermos que, nesta sólida história de amor triádica, é impossível encontrarmos o suspense sufocante de «Vertigo» ou de «Shadow of a Doubt», ou as grandes reviravoltas envolvidas em mistério e aventura de «North bu Northwest» e «Strangers on a Train». Ao contrário destes e doutros títulos hitchcockianos, «Notorious» será, talvez, um dos filmes mais "calmos" e contidos do realizador... aparentemente, claro. Não foi por acaso que esta se tornou numa das obras mais famosas do Mestre do Suspense (que aqui trabalha esse mesmo suspense através de um caminho mais peculiar). Além da excepcional fotografia (e a utilização que a mesma faz do espaço e dos actores - que se …

Nova rubrica - Os discos dos QUEEN

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Não se questiona o poder da banda de John Deacon, Roger Taylor, Brian May e Freddie Mercury, no que diz respeito à criação de grandes êxitos comerciais, que se diversificavam entre as mais profundas baladas românticas até aos mais potentes épicos de rock, com alguma ópera mas "sem sintetizadores" (pelo menos, durante alguns anos). Em 1973, os QUEEN surgiam com um álbum enigmático, que se tornou rapidamente num enorme sucesso de vendas, e que colocou no ouvido de todos os melómanos «Killer Queen» e «Seven Seas of Rhye». O culto continuou, e a cada novo passo, o quarteto não deixavade surpreender, partindo para caminhos e estilos musicais sempre alternativos e desconcertantes. Mesmo na fase mais pop do grupo (claramente a década de 80) conseguimos ver como eles souberam dar o seu toque e a sua extravagância muito particular a uma cultura "mainstream" que poderia ficar-se apenas pela vulgaridade das músicas descartáveis de "one hit wonders" e de certas vaga…

Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas (A Million Ways to Die in the West) [2014]

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Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas: quando Family Guy encontra o velho Oeste e o confronta num duelo pacífico, onde a provocação da maior gargalhada é o prémio que está em jogo. Talvez seja a forma mais sucinta, e contudo, mais apropriada, para se resumir o espírito da nova comédia de Seth MacFarlane, que sucede o grande êxito de bilheteira Ted (cuja sequela está já em preparação). O filme parodia os westerns e a mitologia desta lendária época da História dos Estados Unidos da América, pegando em elementos que tentam satirizar aquilo que o lado heróico dos títulos do género tenta “esconder”: as condições de vida degradantes e deprimentes daquele tempo e o atraso que marca todo o sistema de “Lei do Mais Forte”, que caracteriza tão bem esta etapa evolutiva do país. 
É uma homenagem ingénua e despretensiosa ao western. Não é este o objetivo da história de Seth MacFarlane, mas é inevitável que nele encontremos algumas referências carinhosas aos grandes filmes do género que povoam o imag…

Quase Gigolo (Fading Gigolo) [2013]

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Esta é, provavelmente, uma das histórias de amor mais insólitas a estrear nos cinemas portugueses em 2014. Senão vejamos: há um gigolo improvável no centro da narrativa, os desejos que desperta em senhoras da alta sociedade nova iorquina e a paixão que se desenrola entre ele e a personagem mais contida e conservadora da trama. Será isto uma surpresa? Não, porque romances que rumam em busca da simplicidade têm sido, desde sempre, uma das ferramentas mais usadas e abusadas pelo Cinema – mas se a mesma história é contada outra vez, John Turturro sabe mostrar como aquilo que já conhecemos pode voltar a ter encanto. O seu próprio encanto. 
É um romance desajeitado – na diferença de preceitos e contradições religiosas que constrói barreiras entre Fioravante e a viúva judia – e uma crítica aguçada a um modo de vida americano muito marcado pelas raízes judaicas que marcam a História do País (e a própria História do Cinema – numerar todos os judeus influentes da indústria revela-se uma tarefa…

Um Lance no Escuro e o Sentido da Vida de Miguel Gonçalves Mendes

Eis aqui a emissão de ontem de Um Lance no Escuro, transmitida na Rádio Autónoma. Agora, podem ouvir onde e quando quiserem este oitavo episódio do programa onde se juntam a cavaqueira e o Cinema. Uma conversa muito interessante e cultural com Miguel Gonçalves Mendes, o realizador de «Autografia» e «José e Pilar». Eu sou suspeito, mas... vale mesmo a pena escutar!
UM LANCE NO ESCURO 08