domingo, 27 de abril de 2014

El Dorado [1966]


I'm paid to risk my neck. I'll decide where and when I'll do it. This isn't it.

El Dorado: essa cidade mítica, repleta de mistérios e ilusões, fonte de inspiração para tantos escritores, artistas e mote para vulgares aspirações quotidianas, que fogem à normalidade e à banalidade da vida. É a terra dos sonhos, que motivou a criação de histórias ficcionais com um teor mais ou menos propício a grandes aventuras. Depende do contexto... e dos gostos do autor. Mas o «El Dorado» de Howard Hawks fala-nos de outros mitos, os que estão ligados ao Velho Oeste e às figuras heróicas ou tiranas que habitaram esse espaço da História americana, onde as lendas e os factos de confundem de uma maneira que não pode ser vista em qualquer outro lugar. É um remake não assumido pelo cineasta do western «Rio Bravo», a famosa resposta de Wayne e Hawks às "provocações" políticas de «O Comboio Apitou Três Vezes», um filme que, para a dupla, constituía uma ameaça aos verdadeiros valores dos filmes de coboiada. As semelhanças são evidentes (por momentos até nos parece que os cenários são idênticos!), quer na construção da história, quer na química entre as personagens e as suas características individuais (Mitchum refaz o papel de Dean Martin, como o xerife com problemas de bebida, que tem em mãos um caso que pode por a pequena cidade que vigia em perigo), e na montagem das sequências de maior ação física (e sonora), culminando nos acontecimentos que dão origem ao clímax final, e ao duelo onde tudo estará em jogo. Mas não é por isso que vejamos neste filme uma cópia integral desse formidável título, porque «El Dorado» tem os seus próprios méritos, no espírito de aventura e entretenimento que carrega (e que nos prende, desde o início, à narrativa que está a ser contada), na cinematografia, e na recuperação do espírito dos maiores clássicos do género feitos na década anterior (este remake é dos anos 60, década em que os westerns já não abundavam como em tempos anteriores, mas ainda se conseguiam assinar, esporadicamente, algumas obras curiosas e relevantes dentro desse universo).


É na batalha entre uma família e um grupo de criminosos que se instala o poder dos mitos e a ressurreição dos heróis ancestrais que preenchem o imaginário cultural e popular americano, que é também acompanhado pelos singulares versos de uma poesia de Edgar Allan Poe. E se John Wayne é já por si o maior símbolo da perpetuação dessa mitologia (mostrando, em casos como este, ser um ator melhor do que muitos queriam pensar que ele conseguiria ser) e das vivências e costumes do Velho Oeste, é na figura de Robert Mitchum, estrela do período clássico de Hollywood e de títulos desconcertantes como «O Arrependido» e «A Sombra do Caçador», cujo modo característico de interpretar personagens assenta em características obscuras e nada lineares, que encontramos a outra faceta deste Oeste das diligências, dos "Poney Express" e dos "saloons" repletos de figuras que são a escória da sociedade da época. Enquanto Wayne consolidou, ao longo da sua carreira, a figura de herói pronto para qualquer situação e sarilho, é em Mitchum que encontramos as fraquezas deste universo, e do lado falível e inconsequente que revelam a grande imperfeição destas figuras, e a maneira como facilmente se podem deixar abater e cair perante o resto da comunidade, que nestas autoridades confiam as suas vidas e segurança. Foi um dos primeiros papéis de relevo para o ator James Caan (que mais tarde tornar-se-ia eterno, ao dar corpo ao Sonny Corleone de «O Padrinho»), e John Wayne, felizmente, não surpreende, no papel que só ele sabe fazer. Mas o destaque maior vai para Mitchum, que recupera a personagem de Martin no «Rio Bravo» e faz uma versão só sua, a partir dos mesmos moldes psicológicos, e dessa "ruína" que representa, sabendo levantar-se no momento mais oportuno para conseguir salvar o dia e voltar a restabelecer-se dentro da cidade, que tinha começado a pô-lo de parte por causa dos seus dilemas pessoais, que começaram a afetar o seu trabalho.


É uma grande aventura em estado puro, que mesmo apesar das (inúmeras) falhas técnicas, não consegue parar de encantar e de emocionar quem a vê. Tem o espírito de uma Hollywood que estava já à beira do colapso, mas que ainda queria esforçar-se por fazer bons e marcantes filmes para continuar a fazer uma indústria, sempre em tão constantes e imprevisiveis mutações, funcionar dentro do espírito que os velhos magnatas tinham conseguido concretizar. Ilustração do sonho americano e do patriotismo dos westerns clássicos, Hawks assegurou uma realização firme, e com os seus momentos de brilhantismo, que mostra como a beleza do Cinema pode inovar até mesmo as histórias mais repetidas, que conseguem, assim, ser sempre novas. E pode não ser um dos westerns que mais se sobressai entre os demais, mas não é por isso que «El Dorado» deixa de ser uma peça de Cinema divertida e bem elaborada, que reflete o amor e o carinho de um cineasta, de um ator e de uma indústria pelo género cinematográfico mais americano de todos.

* * * *

8 1/2 - À conversa com Vittorio Storaro


Foram 25 minutos de uma animada conversa sobre o trabalho de Vittorio Storaro e as simbologias que imaginou para tornar O Último Imperador o filme deslumbrante que, mais uma vez, o público pôde contemplar, e pela primeira vez em três dimensões. Apesar da agenda de Storaro estar preenchida, foi com simpatia que se disponibilizou a responder às simples perguntas do Espalha-Factos, proporcionando mais uma pura lição de Cinema.

Podem ler a entrevista integral, com as fotografias da Andreia Martins, no Espalha Factos!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

8 filmes que não teriam existido sem o 25 de Abril


No ano em que se comemora o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, são muitas as iniciativas e as memórias que começam a surgir para mostrar a importância do 25 de abril na sociedade portuguesa atual. Aqui, sugerimos 8 filmes portugueses que, sem a liberdade que trouxe o fim da ditadura e o início da democracia no país, não poderiam ter sido elaborados – quer pelos temas que abordam, quer pela linguagem cinematográfica que possuem. Percorremos quatro décadas de Cinema português, e quatro décadas de criatividade e brilhantismo, com oito dos mais notáveis títulos feitos em Portugal. Uma lista especial criada para o Espalha Factos.

Tropicália [2012]


O documentário retrata um dos períodos criativos mais inovadores da cultura brasileira, contrapondo a frescura das letras e melodias dos membros deste movimento com a dureza da ditadura brasileira, que criou barreiras para a liberdade de expressão e de criatividade de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e Maria Bethânia. E finalmente, Tropicália estreia esta semana em Portugal, nas salas e também em DVD e nos videoclubes da televisão por cabo, numa iniciativa que pretende atender às novas necessidades de expansão do mercado cinematográfico. 

Tropicália é a história muito bem documentada e construída do movimento artístico brasileiro homónimo e dos seus protagonistas, contado pelos seus testemunhos e por uma vasta coleção de imagens de arquivo (onde se inclui um excerto de uma emissão do célebre Zip-Zip, que abre o filme, onde vemos Gilberto Gil e Caetano Veloso a falarem sobre o final do tropicalismo). Viajando pelas bandas (como Os Mutantes), os rostos, as polémicas e as lutas da Arte contra a forte pressão daquela época, em que o Brasil esteve dominado por uma ditadura opressiva feroz, Tropicália é uma fascinante viagem pelo mundo da música e do Cinema (por não só referir os momentos de vanguarda que o tropicalismo trouxe a essa arte, como também porque este documentário sabe funcionar como objeto cinematográfico, ao contrário de tantos outros, que confundem a televisão com esta linguagem). 

Foi um dos movimentos mais importantes do século passado, cuja irreverência e rebeldia se divulgou pelos quatro cantos do mundo (e ainda mais quando Gil e Caetano tiveram de se exilar na Europa), aproveitando a vaga de frescura e inovação que caracterizou toda a década de 60, passando pela influência de bandas como os Beatles e os Rolling Stones e as novas mentalidades que começavam a surgir, e cujas mensagens políticas e sociais nunca pararam de circular, mesmo que as oposições as tentassem calar a todo o custo.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Filmes em 60 segundos: Com a Verdade Me Enganas (The Awful Truth) [1937]


É a comédia “screwball” que deu ao mundo a inesquecível “persona” humorística de Cary Grant. Sátira social rocambolesca e divertida ao casamento e ao divórcio, «Com a Verdade Me Enganas» é talvez mais verosímil agora do que em 1938, quando as piadas e confusões criadas pela dupla de personagens principais pareciam mais uma atitude de burlesco do que de realismo, mas Hoje, esta comédia é um alerta sedutor e encantador para os problemas da contemporaneidade. Leo McCarey dirige as encrencas de um argumento subtil e genial, elaborado com o maior cuidado e precisão para criar uma fita adorável e indescritivelmente sarcástica e arrogante… à boa maneira de Hollywood. E se há pouco tempo se falava da prestação do cãozinho de «O Artista», ficarão ainda mais surpreendidos com os dotes do canídeo desta obra delirante e anarquicamente hilariante, que mostra ser uma das pérolas mais refinadas das comédias clássicas de Hollywood.

★ ★ ★ ★ 

Marretas Procuram-se (Muppets Most Wanted) [2014]


A oitava incursão cinematográfica das famosas personagens criadas por Jim Henson consegue mesmo ser uma das melhores: Marretas Procuram-se volta a colocar no grande ecrã toda a magia característica deste universo, acrescentando piadas mais modernas e números musicais arrojados e divertidos, que atribuem novos contornos e gargalhadas para as novas gerações. 

Além de ser uma sátira com algo de genial à sua condição de sequela (da sequela, da sequela, da sequela…) do filme original que transportou, pela primeira vez, os Marretas do pequeno para o grande ecrã, Marretas Procuram-se tem a história repetida tantas vezes em comédias e dramas dos mais variados tipos: Cocas e a sua companhia teatral contratam Dominic Badguy (Ricky Gervais), um manager que os convence a fazer uma tournée pela Europa. Ao mesmo tempo, Constantine, um criminoso muito semelhante a Cocas, foge da prisão e toma o lugar do líder dos Marretas, fazendo com que o outro sapo seja capturado. A partir daqui, sucedem-se uma série de peripécias cómicas, musicais e sentimentais (e aqui é que não podemos esperar grande originalidade), que aproveitam os lugares comuns para lhes atribuir um toque especial.

Marretas Procuram-se não tenta infantilizar demasiado os bonecos de Jim Henson, como fez o seu predecessor, de 2011, até à exaustão. Há uma tentativa de regresso às origens, às mais implacáveis e subtis referências humorísticas à cultura e sociedade americanas, patentes no fabuloso número musical de abertura que abre a obra (meu Deus, eles tiveram a coragem de fazer piadas com a própria Disney, que produziu o filme!). E se a música do primeiro capítulo desta “ressurreição” das lendárias figuras populares já era deliciosa, aqui volta a ter a sua graça e o seu encanto muito próprio, por “culpa” de Bret McKenzie (da brilhante série Flight of the Conchords), que mais uma vez compôs as canções hilariantes e geniais que nos fazem bater o pé e sorrir descontroladamente. 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hoje, em UM LANCE NO ESCURO

Hoje às 22 horas há mais Um Lance no Escuro. Vai ser outro especial dedicado à música dos filmes, mas desta vez, vamos ouvir algumas das melhores canções do Cinema. Passa, como sempre, na Rádio Autónoma.

Podem ouvir a emissão em www.radioautonoma.com, onde será, mais tarde, postado também o podcast.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

8 1/2 - O Último Imperador [1987] / O Capital Humano [2013]


É um dos títulos mais conhecidos do realizador de O Conformista e O Último Tango em Paris, mas infelizmente, não se trata de um dos mais celebrados da sua filmografia. Apesar disso, esta obra-prima sobre a vida de Pu Yi (John Lone), o último imperador da China, foi alvo de uma reconversão a três dimensões, exibida pela primeira vez no Festival de Cannes do ano passado (na secção Cannes Classics). E no último dia da Festa do Cinema Italiano chegou à Sala Manoel de Oliveira, numa sessão que demonstrou, mais uma vez, a enorme beleza das imagens deste filme, tão bem compostas por Vittorio Storaro (que antes da projeção iniciar, explicou pormenorizadamente o simbolismo de cada uma das cores utilizadas para O Último Imperador, representativas das várias fases da vida social e psicológica da personalidade e da época conturbada em que viveu), e magistralmente dirigidas por Bertolucci.


O Capital Humano é uma história contada em várias perspetivas, sendo que cada uma nos dá mais pormenores sobre o drama central que se desenrola. No que parece ser apenas uma narrativa simples e objetiva, o filme de Paolo Virzì evolui à medida que descobrimos novos pontos de interesse nas personagens e nas suas pequenas histórias pessoais. Além de mostrar como tudo pode ser relativo (e como todas as pessoas têm algo a esconder, por trás da hipocrisia com que se mascaram no quotidiano), a obra filma a decadência do modo de vida italiano e do eterno confronto entre classes, onde alguns tentam ascender a lugares impossíveis, e outros tentam manter o seu status elevado no meio de uma concorrência económica e familiar feroz.

A última crónica dos meus diários da Festa do Cinema Italiano pode ser lida no Espalha Factos. A terminar a jornada, irei publicar a pequena entrevista que fiz a Vittorio Storaro, após a exibição de O Último Imperador.

8 1/2 - Too Much Johnson – Orson Welles [1938]


Não é uma obra cinematográfica propriamente dita, sendo mais uma experiência inacabada e uma cópia de trabalho que mostra como faltava ainda muita coisa por terminar (em várias cenas são-nos apresentados vários takes alternativos, por exemplo). E Orson Welles não queria lançar Too Much Johnson como um filme próprio, mas estava pensado ser o acompanhamento visual para um espetáculo teatral que o futuro cineasta estava a preparar com a Mercury Theatre. Mas a peça, que era uma nova encenação de uma comédia de William Gillette, escrita em 1894, nunca chegou a ser verdadeiramente concretizada. Mas felizmente, resistiu às armadilhas do tempo este testemunho da criatividade de um autor e da vivacidade e talento dos atores que o acompanharam no seu percurso artístico (sendo Joseph Cotten o mais famoso de todos os outros membros do grupo Mercury).

Tudo sobre o que vi e senti no penúltimo dia da Festa do Cinema Italiano pode ser lido em mais uma crónica para o Espalha Factos.

sábado, 19 de abril de 2014

8 1/2 - Via Castellana Bandiera [2013] / La Mia Classe [2013]


O primeiro de três filmes a serem projetados nesse dia [o sétimo da Festa do Cinema Italiano] foi este, enquadrado na secção Panorama. Um conto claustrofóbico e perturbante, onde duas mulheres são postas à prova… devido à sua própria teimosia. Vejamos: a estreia na realização da elogiada encenadora Emma Dante, com a adaptação do livro homónimo que escreveu, começa com situações banais entre dois mundos muito distintos que, minutos mais tarde, irão colidir de uma forma arrepiante. Com uma narrativa digna de Hitchcock (na forma de se conduzirem os elementos que elevam a tensão do filme, não no estilo cinematográfico – felizmente…), Via Castellana Bandiera é uma visão aparentemente minimalista, mas metaforicamente humana e universal, sobre os efeitos de uma pequena situação ridícula em toda uma comunidade, onde uma série de consequências desconcertantes e imprevisíveis são desencadeadas devido a uma disputa que não tem qualquer tipo de fundamento.


Quando se junta um ator famoso (Valerio Mastandrea) a um grupo de estudantes reais de italiano, que abrange as mais diversas faixas etárias, culturas e escalões sociais, o resultado pode parecer previsível… ou talvez não. O que Daniele Gaglianone nos proporciona é um ensaio fabuloso sobre a desconstrução do real cinematográfico, e dos vários níveis de ficção que uma história pode embarcar. Numa luta constante entre a encenação e o documentário (ou provavelmente, será uma coisa ainda mais complexa do que isso), La Mia Classe questiona o poder do Cinema e atribui-lhe novas componentes, brincando com a perspetiva do espectador num estilo que nos faz lembrar a proeza, meio documental e meio ficcional, que Abbas Kiarostami alcançou com o seu admirável Close-Up, de 1990.

Tudo o que vi no sétimo e antepenúltimo dia da Festa do Cinema Italiano pode ser lido na íntegra, em mais uma crónica escrita para o Espalha Factos.

Jovem e Bela (Jeune & Jolie) [2013]


Numa época em que são lançados “milhentos” trailers e spots publicitários que conseguem revelar mais coisas sobre um filme do que deveria ser legal e culturalmente aceite, é aconselhável não se ler muito, nem se ver nada, deste Jovem e Bela, antes de se proceder ao visionamento da fita. Há uma série de pormenores simples e bonitos que podem ser danificados graças a essas excessivas promoções que, lá está, destroem o produto que querem vender antes de ele poder ser devidamente apreciado. Se a história de Ozon pode ser vista como um elogio à banalidade sexual dos nossos dias, como aponta essa publicidade, nada poderia ser mais errado, porque o cineasta combate essa própria ideia, desmistificando-a com esta personagem invulgar e fascinante. 

Pode ser, em parte, um filme difícil de digerir e de compreender, já que as regras do jogo, e as pessoas que por elas se guiam, mudam mais depressa do que aquilo que podemos estar à espera (tal como são repentinas e inesperadas as mudanças do espírito sexual juvenil). Por isso mesmo, não será este um filme importante, por fala de vários tipos de decisões – e que não são apenas as puramente sexuais? Não será esta uma obra marcante do Cinema contemporâneo porque retrata o corriqueiro sem partir para estereótipos errados, que associam a juventude a temáticas gerais que pouco ou nada caracterizam cada indivíduo (porque essa idade não corresponde só ao sexo – apesar de fazer, obviamente, parte, e por isso, Ozon, não o pode deixar de fora)? 

Singular drama humano de costumes europeus e universais, marcado pela era digital e tecnológica que domina o nosso cérebro, domínio esse que não deixa, mesmo assim, de evitar com que o ser humano se confronte com os dilemas mais intemporais da espécie. E um deles é o amor, e a diferença entre estar-se apaixonado e o puro espetáculo teatral e hipócrita dos jogos da prostituição. Jovem e Bela é um filme sensivelmente comprometedor, e uma das peças mais interessantes da carreira de um dos realizadores mais conceituados do Cinema francês. François Ozon volta a arrasar-nos, sendo mais explícito ao falar de coisas que conhecemos bem, mas que preferíamos não saber que existem.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O podcast do 3.º Lance


O terceiro programa de Um Lance no Escuro, com o meu amigo André Tenente como convidado (editor da secção Palcos do Espalha Factos e membro do Teatro Passagem de Nível), já está disponível no site da Rádio Autónoma.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Dois Passos do Estrelato (20 Feet From Stardom) [2013]


São histórias de vidas que se dedicaram à música e que têm no ato de cantar a sua maior paixão. Mas em vez de se focar nos protagonistas que adquiriram fama e glória no mundo da música, A Dois Passos do Estrelato centra-se nas mulheres que fizeram História na arte dos back vocals, as vozes de apoio que deixaram a sua marca em várias gravações incontornáveis e que fazem, em muitos casos, os momentos mais memoráveis das canções que interpretaram. É uma parte sempre desprezada e ignorada do trabalho musical, e este documentário, realizado por Morgan Neville, pretende reavivar o talento destas poderosas artistas, imprescindíveis para vários dos músicos conceituados que são entrevistados ao longo de quase hora e meia de filme (onde encontramos Bruce Springsteen, Stevie Wonder, David Bowie, Mick Jagger, entre outros), e que prestam homenagem às cantoras injustamente desconhecidas do grande público, ou pelo menos, inferiorizadas. 

Através deste olhar para as personagens “secundárias” da música, e para as histórias que contam na primeira pessoa, conseguimos entender melhor a grande importância que elas têm para o impacto das bandas e dos concertos na opinião pública e na forma de se ouvir e compreender esta forma de arte, pelos críticos, pelo público e pelas próprias pessoas que fazem da música a sua profissão. 

 Grande parte da beleza de A Dois Passos do Estrelato reside nas lindíssimas vozes das lendárias cantoras de apoio, que contam pormenores curiosos sobre o percurso das suas carreiras, os dramas vividos nas sucessivas tentativas de procurar e alcançar a fama, e todas as razões que as levaram a gostar de cantar. O filme é o testemunho de uma cultura, de um modo de vida afro-americano, muito marcado pela importância das igrejas durante os primeiros anos de vida destas artistas, que cultivam o canto nos seus modos de evangelização, e que fazem dos coros gospel a sua imagem de marca – e que é um estilo de música ao qual ninguém pode ficar indiferente, independentemente das crenças e ideias de cada um.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

O Que a Maisie Sabe (What Maisie Knew) [2013]


É o típico drama familiar à americana que, tal como milhentos outros exemplos dos últimos anos, tenta seguir o rasto emocional e trágico de Kramer Contra Kramer, distorcendo apenas os contornos originais da narrativa - mas sem conseguir afastar-se com sucesso do original. Aqui dá-se mais importância aos padrastos e à visão da criança em relação aos acontecimentos tristes que se sucedem e a dividem em relação aos pais. 

Contudo, depressa se caem em facilitismos: se Onata Aprile é uma ótima escolha para o papel (destacando-se muito pela positiva em todas as cenas que não envolvem choro, gritinhos histéricos e outras conveniências lacrimejantes), infelizmente ela não servirá para mais do que, pura e simplesmente, atribuir uma carga emocional forçada que poderá fazer as delícias de quem gosta deste tipo de mecanismos dramáticos estereotipados e usados até à exaustão. 

Portanto, isto constitui, de facto, uma reviravolta que destrói as intenções iniciais: se começava a ser interessante, e até refrescante, olhar o divórcio mais pelos olhos da miúda (uma visão diferente da do olhar adulto, já que ela consegue apanhar mais coisas do que os crescidos possam pensar), ela acaba por ser posta de lado, em parte, para seguir os caminhos mais cansativos, vulgares e óbvios que este género de histórias costumam seguir.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

8 1/2 - A Primeira Neve (La Prima Neve) - Andrea Segre [2013]


É um filme sobre imigração, morte, filosofia e amizades improváveis, que fará as delícias dos mais facilmente emocionáveis. La Prima Neve tem dois atores de Zoran, o Meu Sobrinho Herdado a desempenharem papéis secundários, e a história fala-nos de Dani (Jean-Christophe Folly), um refugiado da Líbia que se encontra nos Alpes italianos, onde conhece Michele (Matteo Marchel), um rapaz rebelde e metediço que se diverte com os amigos em várias peripécias pelas montanhas. Ambos se irão aproximar pelos traumas do passado que carregam, e que ficaram neles marcados para a vida: a morte da mulher de Dani e o acidente que tirou a Michele o seu pai. E num misto de humor e drama emocional, acompanhamos a viagem de descoberta que ambos fazem naquele lugar, enquanto a amizade entre eles cresce e cada um tenta perceber que passos deve seguir para continuar o seu caminho.

O 6.º fascículo das minhas andanças pela 7.ª edição da Festa do Cinema Italiano já está disponível no Espalha Factos!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

8 1/2 - Zoran, o Meu Sobrinho Herdado (Zoran, Il Mio Nipote Scemo) – Matteo Oleotto [2013]


É uma co-produção entre a Itália e a Eslovénia, e a história do filme está muito marcada pela presença da fronteira entre os dois países, e das consequências que as duas diferentes culturas irão provocar no desenrolar desta comédia. Com um humor negro cáustico que aproveita lugares comuns para os inovar (e para nos voltar a fazer rir com ideias que já conhecemos de fio a pavio), Zoran, o Meu Sobrinho Herdado é um filme surpreendentemente encantador, pela candura das suas personagens, pela auto-descoberta que faz cada uma delas, e pelas desventuras que se sucedem e que rodeiam a demanda pela tão ambicionada quantia monetária, que faz as delícias de Paolo e que altera a sua atitude com o sobrinho – moço esse que, no desenrolar do filme, iremos perceber não ser tão estúpido assim como o seu tio pretende afirmar.

A crónica do 5.º dia da jornada 8 1/2 - Festa do Cinema Italiano pode ser lida na íntegra no Espalha Factos.

terça-feira, 15 de abril de 2014

8 1/2 - L'Arbitro [2013] / Le Mani Sulla Città [1963] / L'Intrepido [2013]


Primeira longa metragem de Paolo Zucca, O Árbitro pega numa história trabalhada anteriormente numa curta metragem homónima, do mesmo realizador. A longa serve como um prólogo ao jogo da curta, contrapondo a difícil ascensão de um pequeno clube de futebol de uma aldeia italiana (que se reforça com a reentrada de um antigo jogador) com a carreira de um árbitro, Cruciani (Stefano Accorsi) que se deixa tentar pelos valores da corrupção. O paralelo que se faz entre estas duas histórias (e também com todas as pequenas subplots que nos vão sendo contadas, que desenvolvem a relação conflituosa entre os habitantes da pequena localidade com os seus rivais futebolísticos) marca não só uma crítica fenomenal ao sistema desportivo, mais dominado pelas influências que pelo talento dos jogadores, e cuja corrupção e batotice não acontece apenas nos grandes clubes.


Venceu o Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1963, e agora regressa numa cópia digital impecavelmente restaurada pela Cineteca Nazionale de Roma, apresentada pela primeira vez no ano passado, no mesmo certame que atribuiu a Francesco Rosi o galardão máximo da competição. Le Mani Sulla Città foi o filme que substituiu Roma, Cidade Aberta, o título restaurado que estava inicialmente previsto ser exibido neste dia. Tal não foi possível, mas a organização fez uma ótima segunda escolha: enquanto que o conceituadíssimo filme de Roberto Rossellini é já mais conhecido no nosso país, o filme de Rosi é uma pérola algo escondida do Cinema italiano, mas que possui uma atualidade fortíssima que o público português deveria conhecer.


A mais recente obra de ficção do realizador de Lamerica e O Ladrão de Crianças foi incluída na secção Panorama, e vai voltar a ser exibida em Lisboa no dia 16 às 22 horas, e depois passará com o Festival por Coimbra e Porto. É talvez uma das histórias mais bonitas e invulgares desta edição do 8 1/2, não deixando de refletir, contudo, os problemas reais do presente. Antonio Albanese é Antonio Pane, um homem desempregado que ganha a vida… a substituir outras pessoas nos seus empregos, em dias que elas não podem exercer a sua profissão.

A 4.ª crónica das minhas peripécias pela Festa do Cinema Italiano pode ser lida na íntegra noEspalha Factos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uma curta animada



Quando fiz parte do júri da Competição de Estudantes da MONSTRA 2012, esta foi, para mim, a melhor curta-metragem, entre as dezenas que eu e os meus colegas vimos nesse Festival. Ninguém gostou, para além de mim, desta história de amor animada. Foi o único título na competição a que atribuí nota máxima. Não ganhou nenhum prémio... mas felizmente, encontrei-o finalmente online. Um pequeno e belíssimo filme.

8 1/2 - Noi non siamo come James Bond [2012] / Smetto Quando Voglio [2014]


É a história verídica de dois amigos de longa data, Mario e Guido, sendo que este documentário é realizado pelo primeiro. Eles contam as peripécias que levaram à sua grande amizade, à medida que tentam encontrar solução para um sonho que queriam ter concretizado em 1985, quando fizeram juntos a sua primeira de muitas viagens pelo mundo. Esse sonho era conhecer James Bond, ou melhor dizendo, Sean Connery, o primeiro ator que interpretou a icónica personagem. As alegrias das memórias do passado servem para aliviar as amarguras do presente, e da doença que afeta cada um dos amigos, em 2011. Revivendo os velhos tempos e a rebeldia que construíram durante tantos anos de amizade, em Non siamo come James Bond, Guido e Mario tentam resolver o sonho em conhecer Bond, mas agora, querem também perceber o que é preciso fazer para se ganhar a imortalidade.


E na noite de sábado foi exibida mais uma hilariante comédia e um dos mais recentes sucessos de bilheteira nos Cinemas italianos. Primeira longa metragem de Sydney Sibilia, Smetto Quando Voglio é uma história sobre traficantes de droga improváveis: jovens geniais licenciados que, como tantos outros em vários países europeus (Portugal, infelizmente, incluído), não vêm nenhuma saída profissional possível, no meio do caos económico que estamos a viver. Este grupo de nerds, nada preparados para as circunstâncias da vida real, fora das bibliotecas e dos livros que as povoam, decide usar os seus dotes cerebrais para as áreas científicas para elaborar uma smart drug nova, que não consta, por não existir até ao momento, na lista de ilegalidades promulgada pelo Ministério da Saúde.

O terceiro capítulo do meu diário da Festa do Cinema Italiano pode ser lido na íntegra no Espalha Factos.

domingo, 13 de abril de 2014

8 1/2 - Salvo [2013] / Oltre Il Guado [2013]


Saiu vencedor na última edição do Festival de Cannes, arrecadando o Grande Prémio da Semana da Crítica. É uma das grandes apostas da 7.ª edição do 8 1/2, este Salvo, da autoria de dois realizadores que começaram recentemente a dar nas vistas no Cinema italiano, e que até hoje, nunca deixaram de trabalhar um com o outro. E no resultado desta parceria, e do talento que une esta dupla, saiu um thriller inteligente e inovador, que abrange muito mais do que apenas os elementos característicos desse género cinematográfico.



A hora (23:00) foi a mais apropriada para exibir este filme de terror, numa sessão que contou com a presença do realizador, que respondeu às mais variadas questões sobre a execução deste Oltre Il Guado. Sendo um dos expoentes máximos do atual Cinema independente que se faz em Itália, Lorenzo Bianchini tornou-se um perito em contar histórias assustadoras ao longo da sua carreira, especializando-se numa visão mais alternativa, mas não menos interessante, que aborda temas recorrentes do género de uma forma inovadora.

O relato das minhas desventuras no 2.º dia da Festa do Cinema Italiano pode ser lido na íntegra no Espalha Factos.

sábado, 12 de abril de 2014

8 1/2 - Viva a Liberdade (Viva La Libertà) - Roberto Andò [2013]


Parece ser uma história clássica de enganos, mas tem contornos modernos (e que se adequam perfeitamente à realidade portuguesa, e a toda a política no geral): Viva a Liberdade fala-nos de Enrico Oliveri (Toni Servillo), o secretário de estado do principal partido da oposição italiana, que vê a sua popularidade cair a pique a cada nova sondagem que é apresentada pelos media, com as eleições cada vez mais próximas. Por causa disto, torna-se depressivo e, de um momento para o outro, desaparece sem deixar rasto. Para não deitar tudo a perder, a comissão de campanha decide substituir o candidato pelo seu irmão gémeo, Giovanni (também interpretado por Servillo), um filósofo que esteve durante muito tempo num hospital psiquiátrico, e que adora dizer o que lhe vai na alma. A partir daqui, as consequências serão provocadoras… e hilariantes.

1.º artigo de uma série diária sobre os filmes exibidos na Festa do Cinema Italiano. Leiam na íntegra no Espalha Factos.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

7 Filmes a não perder na FESTA DO CINEMA ITALIANO


7 propostas para a 7.ª edição da FESTA DO CINEMA ITALIANO, é o que eu proponho nesta lista que elaborei para o Espalha Factos. Irei cobrir o festival e, por isso, nos próximos dias não terei tempo para postar coisas neste blog, ficando-me apenas pelos resumos diários que farei deste certame do 8 1/2, que depois rumará para outros pontos do país. Prometo que, após o término, a 18 de abril, irei publicar aqui, e em exclusivo, um top com os melhores filmes que se destacaram neste ano de fitas italianas. Hoje começa bem, com «Viva a Liberdade». É uma das 7 sugestões que eu proponho, num artigo que podem ler aqui.

O podcast do 2.º Lance

Não passou na rádio (por motivos que desconheço), mas felizmente, para colmatar o engano, já está disponível em podcast a excelentíssima segunda edição de Um Lance no Escuro, com o grande Tiago R. Santos. Falámos de Cinema, portugalidades... e outras coisas mais. É para ouvir neste link! :)


Um lance no escuro 02

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mais uma edição do Lance...

... sai hoje, às 22 horas, emitida na Rádio Autónoma. Neste 2.º episódio de Um Lance no Escuro, o convidado é Tiago R. Santos, crítico de Cinema, argumentista e escritor.... e a conversa é imperdível. Garanto-vos! Podem ouvir a emissão no site da Rádio.

Podem consultar a página do programa no facebook aqui!

domingo, 6 de abril de 2014

Kevin Costner prepara uma tetralogia de westerns


É uma ideia ambiciosa, a que o ator e realizador de filmes como «Danças com Lobos» e «Open Range - A Céu Aberto» divulgou ao mundo na semana passada. Podem descobrir mais alguns contornos deste conceito cinematográfico invulgar no Espalha Factos.

A Recordar: Gene Kelly


Para a edição de hoje da rubrica quinzenal A Recordar, escrevi sobre a vida e obra do multifacetado Gene Kelly. Ponham os estereótipos de lado, e não pensem que a única coisa de jeito que ele fez foi o célebre Serenata à Chuva. Este é daqueles talentos que vale mesmo a pena descobrir, de fio a pavio. Leiam tudo no Espalha Factos!

sábado, 5 de abril de 2014

À Beira do Fim (Soylent Green) [1973]


A frase mais popular e citada de «Soylent Green», vulgo "plot twist" da história distópica e social protagonizada por Charlton Heston, só é pronunciada nos momentos finais do filme. É uma das últimas coisas, aliás, que ouvimos da boca do seu personagem, um polícia do sistema político obscuro e complexo da Nova Iorque do ano da graça de 2022, e que nos chega de uma forma assustadora. Um dos mais bem conseguidos êxitos de bilheteira do género sci-fi dos anos 70 (a nível de intemporalidade) continua a criar um impacto desgastante no espectador, e infelizmente, o conteúdo não perdeu a sua atualidade - talvez até que, com o passar dos anos, ele tornou-se cada vez mais preciso e direto para a situação que o nosso planeta e nós, seus habitantes, temos de enfrentar. Se há quarenta anos, o mundo catástrofe, derivado de uma sociedade catastrófica, putrefacta e miserável, que nos é retratado em «Soylent Green» poderia ser considerado demasiado excessivo e fantasioso, é preciso olhar uma outra vez para a fita no nosso tempo, e percebermos que, afinal, a Humanidade nunca esteve tão perto de chegar a este estado como agora. Basta ver com atenção a montagem que abre o filme, com uma série de imagens reais que fazem uma espécie de "escalada" da ruína do ser humano, no meio da poluição, dos conflitos, e da perda injustificada, massiva e patética de vidas inocentes no quotidiano das grandes metrópoles, onde o lixo é rei e a destruição glorifica os grandes chefes. E é de notar que o próprio filme se subjuga a esse objetivo de imperfeição - quase todas as cenas mostram a mui extensa imperfeição deste mundo muito mais imperfeito que aquilo que possamos imaginar à partida.


Tem talvez a interpretação mais invulgar de Charlton Heston. Sim, porque nunca conseguiremos retirar da cabeça a imediata associação que fazemos entre o ator e os grandes épicos bíblicos que protagonizou, como «Ben-Hur» (o mais famoso e espetacular de todos), «Os Dez Mandamentos» e outros que tais, tal como filmes de grandes aventuras históricas. Vê-lo como este polícia que deseja descobrir a verdade e a resposta para os vários mistérios que rondam um bizarro homicídio (cuja vítima é interpretada pelo lendário Joseph Cotten) é revelador de um talento que tinha mais para dizer do que simplesmente aquilo que transmitiu nesses grandes papéis dramáticos e carregados de "respeitinho". «Soylent Green» tem ainda Edward G. Robinson na sua derradeira aparição no grande ecrã, e porventura é o melhor em termos de atuações no filme, ao lado de Heston. Não deixa de ser curioso, e até algo irónico, que a última personagem da sua carreira acabe por gerar um simbolismo humano acrescentado devido aos acontecimentos reais... mas não é essa a mística que interessa em «À Beira do Fim». É um filme corajoso, que se eleva por ter as falhas que muitos filmes igualmente possuem, mas não falha onde muitos outros falharam - isto é, na originalidade, na maneira subversiva e filosófica como se conta uma história fortemente política e historicamente precisa, relato mundano de uma triste realidade que se tornou mais real hoje do que em 1973. Como retrato de um suposto futuro ficcional, os pontos de contacto entre «Soylent Green» e o que verdadeiramente aconteceu ao mundo nas últimas décadas não conseguem deixar de alarmar o espectador: se calhar até precisamos de ter ainda mais cuidado com aquilo que comemos... nunca se sabe!


Mais real ainda é o eterno conflito entre classes, aumentado pela podridão desta distopia e pela miséria social dominada pelo poder do Soylent Green, e seus quejandos, na vida da população submissa. O dinheiro nunca deixa de ser aquilo que regula e condiciona as relações humanas... mas para percebermos isso não precisamos de uma história futurista, tal como o poder das influências e dos grandes grupos económicos e políticos, que sabem sempre manipular bem todas as peças do jogo a seu favor. Com ideias que ficaram para a História da cultura pop e para muitas imitações posteriores (que nunca ultrapassaram o poder do original, felizmente), há aqui toda uma fortíssima mensagem social e política que nos perturba e emociona, em doses iguais. E acaba da forma mais aberta, atenta, e paranóica que se poderia alguma fez imaginar. Mas alerta-nos para a atualidade, para o valor de tudo o que achávamos até então inútil no funcionamento do sistema social, e que regula as nossas vidas tão pacatas. «Soylent Green» tem cenas de inegável genialidade e intemporalidade, que se sobressaem apesar do lado aparentemente datado e "seventies" que Richard Fleischer (realizador clássico de filmes mais soft e de grandes aventuras como o notável, e algo esquecido, «20 000 Léguas Submarinas») impôs na sua realização. Talvez fosse propositado: serviria para alertar o espectador que o ano 2022 não seria mais do que uma metáfora para aqueles tempos...

★ ★ ★ ★

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O regresso do Lance já está em podcast!

O regresso de Um Lance no Escuro, o meu programa que agora é emitido ontem na Rádio Autónoma, já está disponível em podcast! Ouçam 25 minutos de histórias do Cinema e de grandes músicas... isto se não tiverem mais nada para fazer, obviamente.


Um lance no escuro 01

terça-feira, 1 de abril de 2014

UM LANCE NO ESCURO - é já amanhã!


UM LANCE NO ESCURO regressa para a segunda temporada, num novo formato e numa nova casa: a Rádio Autónoma, da Universidade Autónoma de Lisboa. O primeiro programa será dedicado às grandes bandas sonoras dos filmes. O programa, escrito e apresentado pela minha pessoa, regressa já amanhã, às 22 horas. Acompanhem a emissão no posto online da Rádio Autónoma, AQUI!!!