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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2014

Nebraska [2013]

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O novo filme do autor de Sideways, As Confissões de Schmidt e Os Descendentes é o nomeado mais indie dos Oscars. Será uma das obras menos faladas entre a colheita escolhida para os prémios deste ano, mas felizmente, não é o indicador da popularidade que garante a qualidade de Nebraska. Trata-se se de uma história de conflito entre gerações, que opõe o Pai esperançoso e teimoso ao filho impaciente e cético (que faz tudo para que o seu progenitor desista da sua missão), que constitui mais uma curiosa película de Alexander Payne, especialista nestas narrativas singulares e invulgares sobre a relação da família e dos membros que a constituem. 
São estas comédias agridoces sobre personagens imperfeitas, completos “zés-ninguém” da existência humana, que infelizmente, não vemos muitas vezes a chegarem aos nossos Cinemas, no meio de uma salganhada de novidades altamente tecnológicas, limpinhas e perfeitinhas, que apenas servem para dar lucro à indústria da pipoca. O filme de Payne, um road …

Igreja evangélica vai ocupar antigo Cinema Quarteto

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Afinal vai mesmo acontecer, como diz a notícia do PÚBLICO. Desde há umas semanas que estão a fazer "obras" na estrutura. Já desconfiava, mas por ingenuidade, ainda quis pensar que o QUARTETO pudesse reabrir como Cinema.  Não basta a esta pseudo-igreja o enorme edifício que tem ao lado deste multiplex? Têm de monopolizar agora toda esta zona para evangélicalização? Se o Londres vai para os chineses e se este vai para seitas religiosas, só espero que o ciclo continue, e que o Nimas se transforme numa casa de farturas e que o Cinema City Alvalade se torne propriedade de um restaurante de kebabs.

Filmes em 60 segundos: Inimigos Públicos (Public Enemies) [2009]

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O mais recente filme de Michael Mann, «Public Enemies», é quase como uma sequela de «Heat» situada na Grande Depressão – e com uma história baseada em acontecimentos reais. A caça do inimigo público n.º 1 John Dillinger (Depp numa formidável composição) pelo agente do FBI Melvin Purvis (Christian Bale) é o eterno jogo do “gato e rato” e da luta entre o Bem e o Mal (conceitos que nunca ficam separados pelas personagens que, pela Lei da Lógica, os representam) que apenas Mann consegue filmar com esta intensidade. Único aspecto negativo: algumas cenas parecem saídas de um episódio de «Cops». O Cinema de acção quer-se movimentado e atribulado, mas dispensam-se imitações de “reality-shows”, mesmo que se tratem das maiores inovações tecnológicas. Fora esse pormenor, «Public Enemies» é uma obra subvalorizadíssima, e um fenomenal regresso de Mann às grandes obras do “Cinema de Acção de Autor” que só ele sabe fazer.
★ ★ ★ ★

A Recordar: Diane Keaton

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Na edição de hoje da rubrica A Recordar, falo da vida e obra da atriz Diane Keaton, a Kay Adams de «O Padrinho, e uma das mais brilhantes partners de Woody Allen. Leiam e descubram tudo no Espalha Factos!

Tropa Fandanga: o regresso da revista à portuguesa ao D.Maria II

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O 41.º artigo que escrevo para o Espalha Factos é a minha estreia na secção Palcos, e é uma crítica à fabulosa revista à portuguesa «Tropa Fandanga», que está em cena no Teatro Nacional D. Maria II. Leiam, partilhem, e sobretudo, vão ver este maravilhoso espetáculo!

Movie Title Breakup - Cinema em discussões

Uma discussão matrimonial em que todos os diálogos das duas personagens são... títulos de filmes! Sim, e funciona impecavelmente bem!

Uma curta metragem: Cordas

«Cordas», é como se chama esta curta metragem de animação que saiu vencedora dos prémios Goya. Que apareçam críticas negativas a caracterizarem-na como simples, vulgar, lamechas, previsível... isso não interessa, não interessa nada. Não afecta a minha opinião: fiquei arrebatado com esta pequena história animada. É um filme de sensibilização para um preconceito e marginalização de uma minoria, e de esperança num mundo melhor. E é uma lindíssima animação. Que interessam os prémios, quando se pode atingir a alma como «Cordas» conseguiu fazer? Recomendo a todos: VEJAM. Dispensem dez minutos para ver isto, deixando os likes, as selfies, e as outras tretas todas de lado por esse bocadinho.

A Grande Beleza (La Grande Bellezza) [2013]

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Já são cansativas e repetitivas as comparações entre A Grande Beleza e o clássico A Doce Vida, de Federico Fellini, tal como já se tornaram maçadoras e desnecessárias todas as críticas que dizem o quão repetitivas e cansativas são essas comparações. É de facto uma injustiça comparar o conto exuberante da decadência da Itália contemporânea de Paolo Sorrentino com o festival estonteante e fascinante das aventuras da personagem de Marcello Mastroianni nas ruas de Roma. Ambos os filmes falam do estado da Itália e do seu Cinema nas épocas em que foram elaborados. 
Sim, há semelhanças entre ambas as obras, mas felizmente, não são o essencial – Sorrentino distancia-se da obra prima satírica e trágica do Mestre europeu, proporcionando a todo e qualquer espectador um filme puro, com uma alma única e singular, sobre o nosso quotidiano, a triste situação de um país, marcada pelas angústias de um ser humano que quer combater os seus dilemas pessoais dando azo à criatividade, que tanto o auxiliou…

Hollywood prepara filme sobre o romance entre Katharine Hepburn e Spencer Tracy

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A história de um dos casais mais icónicos do Cinema americano vai ser levada ao grande ecrã. A notícia está no Espalha Factos.

Filmes em 60 segundos: A Onda (Die Welle) [2008]

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Querendo provar que o nazismo é ainda possível na actualidade, um professor cria um esquema autocrático, que influencia os alunos a pensarem de uma determinada forma, sem sequer darem por isso. A vida dos estudantes será condicionada pelos rituais (alguns extremamente fanáticos) e pelo objectivo comum a todos – e que pode ser bem mais perigoso do que imaginam. Com uma realização mais televisiva do que cinematográfica (a montagem faz lembrar um anúncio publicitário), «Die Welle» pega num tema delicado para a Alemanha, mostrando como, afinal, o nazismo não está tão enterrado nos livros de História. Para o bem ou para o mal, os jovens associam-se numa comunidade à qual, depois, não conseguem escapar, devido à obsessão irracional que fundamental e que consideravam algo do passado. Psicologicamente assustador, «Die Welle» despe as fragilidades humanas, propícias para os totalitarismos, e expõe com grande audácia como tão facilmente se consegue manipular a humanidade.
★ ★ ★

Nova edição de «1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição» no Caminho Largo

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O Caminho Largo voltou com «1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição», e eu voltei a participar. Desta vez sobre o tema CORAGEM, eis que ficam as minhas escolhas: 3 filmes e um realizador que falem desse conceito. Podem ler tudo e opinar neste link.

Filomena (Philomena) [2013]

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Tem sido alvo de grande admiração pelo público e por alguns críticos, e está no centro de uma disparatada polémica sobre o catolicismo: «Filomena» aborda os problemas da Igreja e, consequentemente, as manias e os conservadorismos de uma instituição demasiado fechada em si própria, mas a história co-escrita por Steve Coogan (que interpreta o jornalista que investiga o drama de Philomena Lee para fazer "um artigo de interesse humano") não pretende ofender a religião, nas próprias palavras do famoso comediante. Fazem-se brilhantes analogias entre o ateísmo da personagem de Coogan e a Philomena de Judi Dench (uma belíssima composição), mas não são crenças individuais ou ideias filosóficas que estão no centro da questão desta nova realização de Stephen Frears. Centremo-nos no essencial: «Filomena» é a história real de uma jovem Mãe que vê o seu filho ser adotado por um casal americano a mando da instituição religiosa onde se encontra, e cinquenta anos depois, a desgostosa mulher…

Astérix entre os Pictos - a ressurreição dos gauleses

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Desde que o genial René Goscinny deixou este mundo e, por conseguinte, de escrever as aventuras de Astérix, Obélix e companhia, Albert Uderzo tentou continuar sozinho o difícil trabalho de criar novas e refrescantes peripécias para os gauleses mais famosos do mundo. Infelizmente, e como todos sabem, essas experiências foram sempre infrutíferas, em qualidade, mas benéficas, em lucro e em exploração de merchandising das personagens. Nem preciso de falar do último álbum assinado por Uderzo, «O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça», que destrói por completo qualquer memória daquilo que a arte de Astérix trouxe à banda desenhada. Astérix, por muito bem que Uderzo o desenhasse, devia a sua alma e a sátira do seu universo à impagável escrita de Goscinny, que brilhou a criar personagens e a dar um bocadinho de si a artistas tão variados (leiam-se as hilariantes aventuras do Menino Nicolau, espalhadas por vários livros da Editorial Teorema, bem como as diversas histórias de Lucky Luke que assinou e …

A Oeste Nada de Novo - amizade e tragédia em tempo de guerra

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É talvez um dos mais fortes retratos literários dos horrores da guerra e da pressão psicológica e física exercida sobre quem nelas combate, movido por ingénuas convicções pessoais, por avisos de alguém superior, ou porque vêem no conflito uma oportunidade bizarra para mudarem para melhor as suas vidas. «A Oeste Nada de Novo» é Erich Maria Remarque a contar a sua experiência na I Guerra Mundial através das suas personagens ficcionais, que se tornam mais próximas de nós do que qualquer visão histórica e factual do que acontecia nas trincheiras. É impressionante também como uma obra com tantos anos e que está situada numa época específica e num conflito específico, consiga ainda ser uma autêntica bomba, emocional e arrasadora, para os leitores da contemporaneidade. Talvez haja mais realismo em «A Oeste Nada de Novo», e nos diferentes costumes e hábitos dos seus personagens, sobre a guerra na atualidade do que qualquer livro da nossa era. Porque Remarque não escreveu um livro a criticar …

Uma História de Amor de Spike Jonze (Her) [2013]

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O que há de novo em «Her», que o tornou num objeto de culto nos últimos meses e que é a nova paixão de muitos cinéfilos espalhados pelo mundo? Muito pouco. Talvez a história high-tech e modernaça de Spike Jonze, sobre o amor entre um homem que está prestes a divorciar-se (Joaquin Phoenix) e o sistema operativo que adquire (com a voz de Scarlett Johansson) não seja mais do que um reflexo dos tempos modernos e da obsessão crescente que as novas tecnologias criam na nossa vida quotidiana. Mas há qualquer coisa de especial neste bizarro romance cinematográfico que o distingue. É mesmo o seu realizador, inventor das histórias mais extraordinárias da tela neste século, e vale a pena sempre citar filmes como «Inadaptado» e «Queres ser John Malkovich?». Ambos tiveram a autoria de Charlie Kaufman, um dos mais criativos contadores de histórias da nossa era, mas «Her» não saiu da pena do argumentista. Foi Jonze que trabalhou esta incrível história sentimental, dizendo-se inspirado na primeira o…

Um novo projeto do escriba

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Este é o meu novo blog, onde comecei hoje a postar críticas minhas escritas em inglês. Comecei por tirar alguns dos pequenos apontamentos que escrevi para alguns filmes no Mubi (são as "Quick Reviews", por serem muito pequeninas), e acabei há pouco de adaptar e traduzir uma crítica ranhosa que fiz há uns tempos sobre um dos meus filmes preferidos, «Angels with Dirty Faces». Deem uma espreitadela, comentem, e desculpem as falhas do meu inglês. Este novo estaminé serve para isso mesmo: melhorar as minhas capacidades na língua (com a ajuda do... cof cof... Google Tradutor), como também para mais pessoas no globo poderem sofrer com a minha péssima escrita.
Para chegarem ao A SHOT IN THE DARK, basta clicarem aqui.

Grau de Destruição (Fahrenheit 451) [1966]

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A quinta realização de François Truffaut resultou no seu primeiro filme a cores e no único falado totalmente em inglês: «Fahrenheit 451» teve uma produção atribulada, marcada pelos conflitos entre o cineasta e o seu ator principal, Oscar Werner (que tinha sido o Jules de «Jules e Jim», uns anos antes) e por uma direção artística complicada, marcada pelas exigências dos estúdios poderosos que estiveram envolvidos na execução do filme. As opiniões sobre esta adaptação da magistral história de ficção científica (que de fantasia tem muito pouco, e é mais realista do que se possa pensar) divergem, e a minha não é das mais favoráveis. É difícil falar de um filme como este sem nunca se ter em conta um livro com a envergadura de «Fahrenheit 451», uma ode à cultura e à capacidade do ser humano de ler e de dar novos mundos ao mundo. Mas tentemos distanciar-nos: François Truffaut tentou ser um Hitchcock sci-fi, que se aproveita dos ambientes distópicos e totalitários da criação de Ray Bradbury …

As 10 melhores personagens de Philip Seymour Hoffman

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Uma semana depois da sua morte, e depois de ter visto alguns filmes que me faltavam, recordamos os melhores desempenhos de Philip Seymour Hoffman no grande ecrã. Estas são as minhas dez escolhas, que podem ler num novo artigo para o Espalha Factos (que deu trabalhinho a fazer, portanto leituras e "laikes" são sempre muito bem-vindos, se quiserem).

Morreu Shirley Temple, a menina-prodígio de Hollywood

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Deixa este mundo aos 85 anos a atriz que brilhou na Era Clássica do Cinema Americano. A notícia foi revelada pela família, tendo Shirley Temple morrido devido a causas naturais na sua casa, em Woodside. Mais informações no Espalha Factos.

Filmes em 60 segundos: A Queda de um Jogador (Owning Mahowny) [2003]

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«Owning Mahowny», quase desconhecido trabalho de Philip Seymour Hoffman (em Portugal foi direct-to-DVD) apesar das boas críticas que recebeu nos EUA, é uma visão muito interessante de um caso verídico de fraude e de vício do jogo, através do protagonista (Hoffman), que destrói a pouco e pouco a sua vida e a relação com a namorada pelo imparável desejo de voltar aos casinos e de regressar aos azares que as cartadas lhe proporcionam, perdendo muito dinheiro, mas arranja sempre mais através de um esquema criminoso que envolve o banco onde trabalha. Drama competente e revelador que atinge valores mais altos pela prestação do ator que é mais uma vez surpreendente (tanto por ilustrar muito bem os tiques e os problemas que o vício causa na sua personagem, completamente insegura e perturbada), «Owning Mahowny» é um retrato puro e duro de um acontecimento real que, infelizmente, continua a marcar a actualidade. 
★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Punch-Drunk Love - Embriagado de Amor [2002]

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Uma das mais bonitas e pouco convencionais histórias de amor que o Cinema nos deu nos últimos anos, «Punch-Drunk Love» é o filme mais poético de Paul Thomas Anderson, que consegue criar as suas marcas de autor nas narrativas mais emocionais como a desta obra, um romance neurótico e com o seu quê de surreal, que surpreende e cativa pelo seu charme único. Não só Adam Sandler tem a melhor prestação da sua carreira (o que, a olhar para a totalidade da sua filmografia, não será difícil perceber), como todo o restante elenco consegue captar a energia e a inteligência das ideias de PTA, que aqui expõe um Cinema com algumas semelhanças ao que se viu nos seus anteriores filmes, mas aposta também em conceitos novos e em mecanismos narrativos surpreendentes e envolventes, que irão despertar a alma dos românticos incuráveis, e de quem deseja ser apanhado numa obra inesperada.
★ ★ ★ ★

A minha participação no "Já Vi(vi) este Filme"

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O blog da Inês Moreira Santos tem uma nova rubrica, e eu tive a honra de a estrear: nesta primeira edição de "Já Vi(Vi) este Filme", recordei uma experiência peculiar, semelhante a uma certa cena de «Voando Sobre um Ninho de Cucos». Podem ler as minhas pequenas memórias e as comparações a este filme inesquecível aqui.

Quando Tudo Está Perdido (All is Lost) [2013]

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Quem espera de Quando Tudo Está Perdido um filme de ação Hollywoodesco, repleto de efeitos especiais e de excessivas sequências de suspense e histeria, irá ver que nada disso poderá encontrar neste projeto curioso realizado por J.C. Chandor. Aqui não há espaço para artifícios nem para grandes manipulações cinematográficas, porque vemos a solidão do protagonista em todo o seu esplendor, à medida que luta, com todos os meios de desenrrascanço, contra as águas selvagens e imparáveis que não estão dispostas a deixá-lo escapar.
Fascinante e reflexivo, Quando Tudo Está Perdido é um filme sobre a dureza de se estar só num ambiente de solidão e do qual não se consegue fugir. Os fiozinhos de esperança com que o homem se depara são a única coisa que lhe resta para conseguir suportar todo aquele sofrimento, que só ele sente, enquanto o mundo continua a girar, sem ter qualquer conhecimento desta e de outras tragédias marítimas, apesar de estarmos cada vez mais interligados digitalmente uns com o…

Os Savages (The Savages) [2007]

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«The Savages» é uma pequena produção independente norte-americana com uma alma do tamanho do mundo. E dias depois da morte de Philip Seymour Hoffman, é impressionante como ninguém (ou quase ninguém) referiu a sua personagem neste filme como uma das melhores da sua carreira. Porque é, e não precisa de grandes transfigurações físicas ou psicológicas no seu "acting" para conseguir este feito: basta ser ele próprio, o mais humano possível. Não sabemos se isto se sucedeu por o filme em questão não ser de grande escala e por não ter obtido uma tão grande aceitação, por cá e pelo resto do planeta. Mas é uma preciosidade a descobrir: a realizadora Tamara Jenkins acertou nesta sua história de falhas nas relações humanas e nos laços familiares, na abordagem à narrativa e nos atores escolhidos (Laura Linney é a outra grande protagonista da obra, irmã da personagem de Hoffman). «The Savages» torna-se original pelas coisas mais simples, que a maior parte dos outros filmes tendem a esque…

Mentira Maldita (Sweet Smell of Success) [1957]

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"Every dog will have his day", diz Sidney Falco (Tony Curtis num dos papéis mais implacáveis da sua carreira), a páginas tantas (ou melhor dizendo, a frames tantos) de «Sweet Smell of Success». Ele é um agente de imprensa que quer deixar de ser apenas um criado no meio de tantos outros subordinados aos grandes chefes e influentes "opinion makers" da indústria, onde os cães se comem uns aos outros até que um deles consiga ficar com a totalidade do "osso". Falco ambiciona chegar aos círculos mais altos do poder aproveitando-se de um contacto bastante importante para a sua possível ascensão económica e comercial: o popular cronista J. J. Hunsecker (Burt Lancaster), que consegue, graças à sua enorme influência nos media americanos, elevar a carreira de algum talento desconhecido... mas também destruir qualquer vida que esteja a colocar-se no seu caminho. Nesta encruzilhada animalesca pela procura do êxito e da fama, há uma reflexão pertinente sobre os valore…

O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club) [2013]

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Matthew McConaughey está a ressuscitar em boa hora em Hollywood, e Jared Leto atinge um novo patamar de talento com «O Clube de Dallas», um filme que nos deixa desconfortáveis e impressionados ao mesmo tempo. Um drama tragicamente cómico, com grandes diálogos que revelam os podres da sociedade e da sua reacção preconceituosa ao vírus HIV, nos primeiros anos da propagação da doença. «Dallas Buyers Club» é um conto sobre o desconhecimento e a discriminação da SIDA, pela história de um homem que entra numa batalha contra as burocracias da indústria farmacêutica norte-americana para poder ter os medicamentos que necessita, e que o país não considera legais. E ainda no século XXI, o problema mantém-se, e os preconceitos continuam, algo que é muito bem retratado pela força das performances e do argumento provocador, que é uma reflexão dos nossos tempos angustiantes e preocupantes, onde continuamos sem saber quem são os verdadeiros culpados desta luta de poder e interesses económicos que põ…

A Costela de Adão (Adam's Rib) [1949]

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«Adam's Rib» é uma comédia brilhante feita à medida dos formidáveis Katharine Hepburn e Spencer Tracy e da química de ambos quando contracenavam (este filme tem planos muito longos sem cortes para a época, porque o realizador deixou que as performances de ambos os atores fosse melhor aproveitada - o que resultou muito bem). George Cukor assina uma comédia romântica provocadora, que aborda a temática da "guerra dos sexos" através da história de um casal de advogados com opiniões opostas sobre um caso de uma esposa que, ao saber das infidelidades do marido, se decide a alvejá-lo gravemente com uma arma. Num misto de humor romântico e sarcástico e "courtroom drama", onde os dois advogados se põem um contra o outro (e, por momentos, esquecem o próprio caso em que estão a trabalhar), numa onda de tensões e confusões delirantes que fazem desta uma das peças mais interessantes da Idade de Ouro do Cinema Americano, uma das melhores comédias entre os clássicos sofistic…

Filmes em 60 segundos: As Vidas dos Outros (Das Leben Der Anderen) [2006]

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Vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, «As Vidas dos Outros» é um dos títulos europeus com mais impacto a nível internacional, cultural e comercialmente. Uma obra muito interessante, que peca apenas por ter uma estrutura algo previsível e simplista para uma ideia geral tão cativante. É mais um filme de história que de tudo o resto, mas consegue funcionar de forma belíssima com os seus inúmeros recursos criativos. E além de entreter inteligentemente bem, fornece ao espectador um tema de reflexão invulgar, onde o voyeurismo se confunde com interesses políticos e/ou emocionais, durante os anos que antecederam a queda do Muro de Berlim. Mas ver «As Vidas dos Outros» hoje faz ainda mais sentido, mesmo que se trate de algo historicamente datado: recorde-se a espionagem orwelliana dos EUA que enche regularmente as páginas dos jornais. Uma película interessante e comprovativa de que há bom Cinema “blockbuster” no Velho Continente.
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Filmes em 60 segundos: Dúvida (Doubt) [2008]

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John Patrick Shanley, o autor de «Dúvida», pegou na sua peça e adaptou-a para os mecanismos da narrativa cinematográfica. Obra que aborda as relações humanas e, mais precisamente, os julgamentos que fazemos uns dos outros, o filme lida com compaixão e manipulação, interrogando o espectador sobre a construção psicológica que elabora de cada personagem ao longo do visionamento. Quando não sabemos distinguir a bondade de uma pessoa da brutalidade dos atos de que é acusada, talvez nos deixemos influenciar demasiado pelo acaso e pelo nosso irracional bom senso… ou talvez não. Filme de atores que revela um conjunto de espantosas interpretações muitíssimo aclamadas, «Dúvida» não responde às nossas inquietações, mas reflecte o poder das gigantescas estruturas hierárquicas e as pequenas questões e situações que uma dúvida pode criar, entre os poderosos e as pequenas “formigas” da Instituição. Uma eficaz recriação cinematográfica, que nos prende por ser uma trama tão… duvidosa.
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Philip Seymour Hoffman (1967 - 2014)

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Na última emissão da primeira série de Um Lance no Escuro, no ano passado, falei de uma notícia que dizia que Philip Seymour Hoffman estava em reabilitação. E foi um choque saber que, no final, nem todas as forças do ator resistiram contra o vício que hoje lhe tirou a vida.  Um artista excecional, e um dos mais versáteis atores da sua geração, Hoffman desdobrou-se em inúmeros papéis surpreendentes que fazem do seu currículo um dos mais fascinantes de Hollywood. Desde «Capote», que lhe valeu o Oscar, ao formidável «Magnolia» e ao fantástico «The Master» (com o qual devia ter ganho o prémio da Academia), ambos de Paul Thomas Anderson, a qualidade das performances de Hoffman é inegável. E teria muito mais para nos dar, mas infelizmente, hoje a tragédia aconteceu.  Em muitos filmes, Philip Seymour Hoffman brilhou como poucos. Um dos meus atores preferidos que sabia sempre dar a volta àquilo que as pessoas estavam à espera de ver em cada novo filme, desde os grandes blockbusters aos mais …

Morreu o ator Maximilian Schell

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Já não está entre nós o ator que venceu um Oscar no papel do advogado de defesa do «Julgamento de Nuremberga», e que se notabilizou noutras personagens fantásticas, como em «O Homem das Duas Faces». Maximilian Schell nasceu em Viena, mas foi nos EUA que se tornou reconhecido internacionalmente. Uma breve retrospetiva da sua vida e da sua obra em mais um artigo para o Espalha Factos.

Regresso ao Futuro vai transformar-se num musical

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Aproveitando o 30.º aniversário da estreia original do primeiro filme da trilogia de Robert Zemeckis, a famosa história que popularizou os atores Michael J. Fox e Christopher Lloyd vai ser alvo de uma adaptação musical para os palcos de Londres. Mais informações na minha nova notícia para o Espalha Factos.