sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nebraska [2013]


O novo filme do autor de Sideways, As Confissões de Schmidt e Os Descendentes é o nomeado mais indie dos Oscars. Será uma das obras menos faladas entre a colheita escolhida para os prémios deste ano, mas felizmente, não é o indicador da popularidade que garante a qualidade de Nebraska. Trata-se se de uma história de conflito entre gerações, que opõe o Pai esperançoso e teimoso ao filho impaciente e cético (que faz tudo para que o seu progenitor desista da sua missão), que constitui mais uma curiosa película de Alexander Payne, especialista nestas narrativas singulares e invulgares sobre a relação da família e dos membros que a constituem. 

São estas comédias agridoces sobre personagens imperfeitas, completos “zés-ninguém” da existência humana, que infelizmente, não vemos muitas vezes a chegarem aos nossos Cinemas, no meio de uma salganhada de novidades altamente tecnológicas, limpinhas e perfeitinhas, que apenas servem para dar lucro à indústria da pipoca. O filme de Payne, um road movie intimista e enternecedor escrito por Bob Nelson (também nomeado pela Academia), recorre, aliás, a técnicas clássicas (e injustamente consideradas “arcaicas” pelo espectador-comum) para contar esta jornada familiar: sejam elas o preto e branco, a banda sonora que recorre a sonoridades leves e poéticas e os planos fixos, como também a narrativa simples mas repleta de Humanidade, os valores morais da história e o tom mundano proporcionado pelas notáveis performances. 

Nebraska é um filme desiludido com o próprio mundo e com a falta de confiança que os seres humanos têm uns para com os outros, nas coisas mais graves e nas mais patéticas. História maravilhosa das simplicidades quotidianas que tem um desfecho justo e que os espectadores, com certeza, vão considerar justo, tendo em conta o rumo que as personagens deram a esta história e os pequenos clímaxes que nela foram surgindo. Porque Alexander Payne fala-nos do vulgar, mas não o faz com vulgaridade. Algo curioso e difícil de encontrar no Cinema moderno.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Igreja evangélica vai ocupar antigo Cinema Quarteto


Afinal vai mesmo acontecer, como diz a notícia do PÚBLICO. Desde há umas semanas que estão a fazer "obras" na estrutura. Já desconfiava, mas por ingenuidade, ainda quis pensar que o QUARTETO pudesse reabrir como Cinema. 
Não basta a esta pseudo-igreja o enorme edifício que tem ao lado deste multiplex? Têm de monopolizar agora toda esta zona para evangélicalização? Se o Londres vai para os chineses e se este vai para seitas religiosas, só espero que o ciclo continue, e que o Nimas se transforme numa casa de farturas e que o Cinema City Alvalade se torne propriedade de um restaurante de kebabs.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Filmes em 60 segundos: Inimigos Públicos (Public Enemies) [2009]


O mais recente filme de Michael Mann, «Public Enemies», é quase como uma sequela de «Heat» situada na Grande Depressão – e com uma história baseada em acontecimentos reais. A caça do inimigo público n.º 1 John Dillinger (Depp numa formidável composição) pelo agente do FBI Melvin Purvis (Christian Bale) é o eterno jogo do “gato e rato” e da luta entre o Bem e o Mal (conceitos que nunca ficam separados pelas personagens que, pela Lei da Lógica, os representam) que apenas Mann consegue filmar com esta intensidade. Único aspecto negativo: algumas cenas parecem saídas de um episódio de «Cops». O Cinema de acção quer-se movimentado e atribulado, mas dispensam-se imitações de “reality-shows”, mesmo que se tratem das maiores inovações tecnológicas. Fora esse pormenor, «Public Enemies» é uma obra subvalorizadíssima, e um fenomenal regresso de Mann às grandes obras do “Cinema de Acção de Autor” que só ele sabe fazer.

★ ★ ★ ★ 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A Recordar: Diane Keaton


Na edição de hoje da rubrica A Recordar, falo da vida e obra da atriz Diane Keaton, a Kay Adams de «O Padrinho, e uma das mais brilhantes partners de Woody Allen. Leiam e descubram tudo no Espalha Factos!

Tropa Fandanga: o regresso da revista à portuguesa ao D.Maria II


O 41.º artigo que escrevo para o Espalha Factos é a minha estreia na secção Palcos, e é uma crítica à fabulosa revista à portuguesa «Tropa Fandanga», que está em cena no Teatro Nacional D. Maria II. Leiam, partilhem, e sobretudo, vão ver este maravilhoso espetáculo! 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Movie Title Breakup - Cinema em discussões



Uma discussão matrimonial em que todos os diálogos das duas personagens são... títulos de filmes! Sim, e funciona impecavelmente bem!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma curta metragem: Cordas

«Cordas», é como se chama esta curta metragem de animação que saiu vencedora dos prémios Goya. Que apareçam críticas negativas a caracterizarem-na como simples, vulgar, lamechas, previsível... isso não interessa, não interessa nada. Não afecta a minha opinião: fiquei arrebatado com esta pequena história animada. É um filme de sensibilização para um preconceito e marginalização de uma minoria, e de esperança num mundo melhor. E é uma lindíssima animação. Que interessam os prémios, quando se pode atingir a alma como «Cordas» conseguiu fazer? Recomendo a todos: VEJAM. Dispensem dez minutos para ver isto, deixando os likes, as selfies, e as outras tretas todas de lado por esse bocadinho.

A Grande Beleza (La Grande Bellezza) [2013]


Já são cansativas e repetitivas as comparações entre A Grande Beleza e o clássico A Doce Vida, de Federico Fellini, tal como já se tornaram maçadoras e desnecessárias todas as críticas que dizem o quão repetitivas e cansativas são essas comparações. É de facto uma injustiça comparar o conto exuberante da decadência da Itália contemporânea de Paolo Sorrentino com o festival estonteante e fascinante das aventuras da personagem de Marcello Mastroianni nas ruas de Roma. Ambos os filmes falam do estado da Itália e do seu Cinema nas épocas em que foram elaborados. 

Sim, há semelhanças entre ambas as obras, mas felizmente, não são o essencial – Sorrentino distancia-se da obra prima satírica e trágica do Mestre europeu, proporcionando a todo e qualquer espectador um filme puro, com uma alma única e singular, sobre o nosso quotidiano, a triste situação de um país, marcada pelas angústias de um ser humano que quer combater os seus dilemas pessoais dando azo à criatividade, que tanto o auxiliou a criar uma única obra literária, que marcou a sua chegada à fama entre as várias camadas sociais de Itália – e as consequentes transformações que marcaram a sua vida pessoal e boémia. 

A Grande Beleza é um filme sobre o vazio, estético e moral, de um ser humano em fase de decomposição, que se refugia na felicidade ilusória, proporcionada vida luxuosa das festas caras e excessivas que animam Roma, noite após noite. Se começamos por entrar neste mundo com uma cena ensurdecedora e musicalmente cacofónica, que nos mostra a grande mixórdia de luzes, sons, sentimentos e amores que se desenrolam entre as pessoas mais ricas da cidade, talvez possa parecer, a princípio, que o objetivo de Paolo Sorrentino apenas se limita a ilustrar cinematograficamente, como se fosse um documentário, a vida desta classe alta italiana.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Filmes em 60 segundos: A Onda (Die Welle) [2008]


Querendo provar que o nazismo é ainda possível na actualidade, um professor cria um esquema autocrático, que influencia os alunos a pensarem de uma determinada forma, sem sequer darem por isso. A vida dos estudantes será condicionada pelos rituais (alguns extremamente fanáticos) e pelo objectivo comum a todos – e que pode ser bem mais perigoso do que imaginam. Com uma realização mais televisiva do que cinematográfica (a montagem faz lembrar um anúncio publicitário), «Die Welle» pega num tema delicado para a Alemanha, mostrando como, afinal, o nazismo não está tão enterrado nos livros de História. Para o bem ou para o mal, os jovens associam-se numa comunidade à qual, depois, não conseguem escapar, devido à obsessão irracional que fundamental e que consideravam algo do passado. Psicologicamente assustador, «Die Welle» despe as fragilidades humanas, propícias para os totalitarismos, e expõe com grande audácia como tão facilmente se consegue manipular a humanidade.

★ ★ ★

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nova edição de «1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição» no Caminho Largo


O Caminho Largo voltou com «1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição», e eu voltei a participar. Desta vez sobre o tema CORAGEM, eis que ficam as minhas escolhas: 3 filmes e um realizador que falem desse conceito. Podem ler tudo e opinar neste link.

Filomena (Philomena) [2013]


Tem sido alvo de grande admiração pelo público e por alguns críticos, e está no centro de uma disparatada polémica sobre o catolicismo: «Filomena» aborda os problemas da Igreja e, consequentemente, as manias e os conservadorismos de uma instituição demasiado fechada em si própria, mas a história co-escrita por Steve Coogan (que interpreta o jornalista que investiga o drama de Philomena Lee para fazer "um artigo de interesse humano") não pretende ofender a religião, nas próprias palavras do famoso comediante. Fazem-se brilhantes analogias entre o ateísmo da personagem de Coogan e a Philomena de Judi Dench (uma belíssima composição), mas não são crenças individuais ou ideias filosóficas que estão no centro da questão desta nova realização de Stephen Frears. Centremo-nos no essencial: «Filomena» é a história real de uma jovem Mãe que vê o seu filho ser adotado por um casal americano a mando da instituição religiosa onde se encontra, e cinquenta anos depois, a desgostosa mulher irá procurar o paradeiro do filho... numa viagem que poderá não ter os melhores nem mais felizes resultados. Filme totalmente britânico, delicioso na sua construção e deslumbrante pela simplicidade que carrega, nele seguimos o percurso de duas pessoas com sentidos de humor e convicções muito díspares (o que impede que hajam pontos de contacto substanciais entre ambos), que estão ligadas pelo mesmo objetivo: encontrar o filho perdido de Philomena Lee. Sarcasmo não falta, tal como uma série de piadas muito britânicas e que marcam os apontamentos humorísticos dos filmes de Frears (que se encontram mesmo no maior dos dramas, nos momentos mais subtis das narrativas).


«Filomena» fala-nos de um segredo com cinquenta anos e de uma peculiar história real, que tanto nos choca (pelas circunstâncias em que se dá todo o drama, e as pequenas surpresas que vão aparecendo ao longo da investigação) com o lado autoritário e ultrapassado de um sistema religioso, como nos emociona pela dor de Philomena Lee, pela candura da sua alma, e por nos custar acreditar que são "factos reais" (passe-se a redundância) aquelas coisas que vemos desenrolarem-se no ecrã. Sim, «Filomena» é um drama sentimentalão, sobre as condições difíceis de uma era (que, infelizmente, ainda não acabou - casos como o que é relatado no filme são muito comuns na atualidade) onde ambos os atores se encaixam perfeitamente nos seus papéis, sabendo dar corpo à reconstituição da revelação dos perturbantes acontecimentos do passado da protagonista (e fazem uma química verdadeiramente interessante). É uma obra que aborda as questões que nenhuma crença pode responder de maneira definitiva, mas o melhor do filme é mesmo a sua abrangência e por tocar com delicadeza em temas delicados, mandando as alfinetadas a quem tem de as receber, obviamente, mas sem recorrer a falsos argumentos, fazendo-nos pensar nas estruturas que nos rodeiam e na força da instituição sobre o indivíduo. Porque se se considerar uma crítica à Igreja falar-se de uma tragédia como esta, precisaríamos de admitir que é destas coisas que se faz, na teoria, essa religião - o que não é, de todo, verdade. É necessário serem denunciados os males destas grandes estruturas, e «Filomena» faz isso com grande rigor e qualidade.


Martin Sixsmith acha ridículas todas as atitudes caseirinhas e vulgares de Philomena Lee, mas é ela que representa o mais singular da alma humana, com as suas atitudes simplistas que ensinam o espectador a lembrar-se que são as pequenas coisas que são as mais importantes, apesar do maior ou menor status de cada um de nós, assim como o perdão - sim, há uma moral e uma ética muito ligada ao catolicismo, por detrás da mensagem desta história. Uma moral ligada aos valores da religião, mas que felizmente, transcende (ou deveria transcender) qualquer credo, porque são valores que fazem a Humanidade. E o próprio jornalista perderá a objetividade e o profissionalismo para se ligar à emocionalidade de Philomena. Se Judi Dench está maravilhosa (é também uma das nomeadas da Academia), Steve Coogan arrasa num papel memorável e surpreendente, para aquilo que conhecemos do artista. «Filomena» fala-nos das injustiças da vida e do(s) sistema(s) que nos comandam. É um filme bonitinho, na realização e na narrativa, que se encaixa muito bem nos standards dos Oscares e das preferências da maioria dos espectadores de Cinema. Mas além de ser uma fita delicada, consegue ser um grande filme, fugindo àquilo que estamos à espera de ver. «Filomena» sai vencedora por contar uma realidade preocupante e por saber tocar a partir dessa realidade, sem dar azo a "mariquices" convencionais. É talvez, o nomeado mais bonito e emocionante desta temporada de prémios.

* * * * 1/2

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Astérix entre os Pictos - a ressurreição dos gauleses


Desde que o genial René Goscinny deixou este mundo e, por conseguinte, de escrever as aventuras de Astérix, Obélix e companhia, Albert Uderzo tentou continuar sozinho o difícil trabalho de criar novas e refrescantes peripécias para os gauleses mais famosos do mundo. Infelizmente, e como todos sabem, essas experiências foram sempre infrutíferas, em qualidade, mas benéficas, em lucro e em exploração de merchandising das personagens. Nem preciso de falar do último álbum assinado por Uderzo, «O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça», que destrói por completo qualquer memória daquilo que a arte de Astérix trouxe à banda desenhada. Astérix, por muito bem que Uderzo o desenhasse, devia a sua alma e a sátira do seu universo à impagável escrita de Goscinny, que brilhou a criar personagens e a dar um bocadinho de si a artistas tão variados (leiam-se as hilariantes aventuras do Menino Nicolau, espalhadas por vários livros da Editorial Teorema, bem como as diversas histórias de Lucky Luke que assinou e que revelam uma boa parte do melhor que o cowboy mais famoso da BD viveu nos quadradinhos) que nunca conseguiram "livrar-se" do legado deixado pelo autor.

Com a idade avançada (e provavelmente, por já lhe faltarem ideias para continuar a fazer álbuns sem grande inspiração de escrita e de desenho), Uderzo decidiu passar o testemunho a dois jovens artistas da BD, que já tinham dado cartas em vários projetos com grandes heróis da nona arte. E uma coisa é certa: este «Astérix e os Pictos» é bem melhor que qualquer um dos álbuns que Uderzo assinou a solo... mas também isso pode não ser algo positivo, porque sinceramente, não é difícil ultrapassar aquelas fracas histórias. Continua a faltar às ideias de Jean-Yves Ferri e ao desenho bem imitado de Didier Conrad o espírito que tornou tão característica a crítica cómica detalhada e muito inteligente que Goscinny deu à sua personagem. Mas há a tentativa de voltar aos velhos tempos e, apesar de quase sempre falharem redondamente, os dois autores conseguem criar alguns momentos bastante interessantes de humor e de BD, com as ilusões que fazem entre os Pictos e a cultura anglo-saxónica. 

Nunca deixamos de sentir que falta ali qualquer coisa, é certo, mas valeu a tentativa, porque Ferri e Conrad não se saíram nada mal. É apenas mais um cativante álbum de Astérix, mas também não podemos ser demasiado críticos: esta foi a primeira incursão dos autores, e quem sabe se nas próximas eles não amadurecerão e conseguirão incluir mais complexidade nas novas histórias que estão a magicar? Lembremo-nos de como os novos autores de Lucky Luke melhoraram a olhos vistos desde a sua primeira história, «Lucky Luke no Quebeque», produzindo um dos mais notáveis álbuns de toda a série logo de seguida, «O Nó ou a Forca». E não nos esqueçamos também das experiências dos vários novos artistas que agora dão vida a Blake e Mortimer, e que estão constantemente a surpreender com as reviravoltas que dão ao trabalho original de Edgar P. Jacobs, sem nunca faltarem ao respeito do seu Mestre. 

Que continue então esta dupla a renovar Astérix, porque já conseguiram trazer um bocadinho do cheirinho dos velhos tempos. Mesmo que seja um bocadinho minúsculo, não deixa de ser alguma coisa, que Uderzo nunca conseguiu alcançar enquanto estava sozinho com a tarefa. E dou uma ideia para um dos próximos álbuns: será que poderemos ver um dia destes os gauleses a passearem-se pela Lusitânia? Até já estou a imaginar pequenos apontamentos satíricos envolvendo romanos, portugueses, fado e pastéis de nata. Olhem que até pode ficar giro!

A Oeste Nada de Novo - amizade e tragédia em tempo de guerra


É talvez um dos mais fortes retratos literários dos horrores da guerra e da pressão psicológica e física exercida sobre quem nelas combate, movido por ingénuas convicções pessoais, por avisos de alguém superior, ou porque vêem no conflito uma oportunidade bizarra para mudarem para melhor as suas vidas. «A Oeste Nada de Novo» é Erich Maria Remarque a contar a sua experiência na I Guerra Mundial através das suas personagens ficcionais, que se tornam mais próximas de nós do que qualquer visão histórica e factual do que acontecia nas trincheiras. É impressionante também como uma obra com tantos anos e que está situada numa época específica e num conflito específico, consiga ainda ser uma autêntica bomba, emocional e arrasadora, para os leitores da contemporaneidade. Talvez haja mais realismo em «A Oeste Nada de Novo», e nos diferentes costumes e hábitos dos seus personagens, sobre a guerra na atualidade do que qualquer livro da nossa era. Porque Remarque não escreveu um livro a criticar uma só guerra, mas a inutilidade de qualquer combate, e da perda da ingenuidade de um grupo de jovens rapazes que, de tão habituados estão aos dramas, às mortes e às tragédias que vivem nas trincheiras e noutros locais, apercebem-se que dali já fazem parte e que nunca conseguirão livrar-se daquelas marcas.

Remarque não se preocupa com censuras, nem atenua a sua linguagem e as situações que tão habilmente narra, com subtileza e, ao mesmo tempo, um choque demolidor. O autor atira todos os pormenores das tragédias dos combates ao leitor, como uma autêntica metralhadora que reage não para destruir mas, ao contrário de todas as fracas mentalidades que vêem no conflito armado a infalível solução para as diferenças da Humanidade, dar a entender que nada do que ali se passa tem qualquer coisa de agradável ou de patriótico, ou de poético, ou de refrescante. O livro foi publicado em 1929, onze anos depois do final da I Guerra Mundial. Adolf Hitler, pouco tempo depois, proibiria a sua circulação para não ser questionado em relação à ideologia que começava a impôr na Alemanha, não encontrando forças de oposição à sua política irracional e desumana. 

«A Oeste Nada de Novo» é um alerta para o passado, para o presente e para o futuro. Um livro perturbante e uma experiência aterrorizante e palpável sobre as ilusões da noção da guerra e as desilusões trazidas pela guerra real. Obra de linguagem simples, mas repleta de significado e de assombro, que joga com o leitor, que se apercebe não estar perante um simples livro de guerra como tantos outros o são. Sem prever que iria haver uma II Guerra Mundial, Erich Maria Remarque dá-nos apenas uma pequena amostra, mas absolutamente espantosa, sobre todos os males que giram à volta da destruição, do caos e da desorganização social, familiar e política trazidos pelo conflito. Nesta guerra e em todas as outras. Talvez se possam evitar mais desastres humanos como este se os grandes líderes que por aí andam pegarem neste livrinho, e deixarem-se levar pelas suas palavras, pelos sentimentos de Paul, Kat, Tjaden e companhia, e pelas memórias que Remarque reconta em livro, atribuindo um pequeno toque ficcional, obviamente, mas que não retira nenhum pingo de credibilidade, e de realidade, a esta narrativa. Um livro precioso, e um dos melhores que já li até hoje.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma História de Amor de Spike Jonze (Her) [2013]


O que há de novo em «Her», que o tornou num objeto de culto nos últimos meses e que é a nova paixão de muitos cinéfilos espalhados pelo mundo? Muito pouco. Talvez a história high-tech e modernaça de Spike Jonze, sobre o amor entre um homem que está prestes a divorciar-se (Joaquin Phoenix) e o sistema operativo que adquire (com a voz de Scarlett Johansson) não seja mais do que um reflexo dos tempos modernos e da obsessão crescente que as novas tecnologias criam na nossa vida quotidiana. Mas há qualquer coisa de especial neste bizarro romance cinematográfico que o distingue. É mesmo o seu realizador, inventor das histórias mais extraordinárias da tela neste século, e vale a pena sempre citar filmes como «Inadaptado» e «Queres ser John Malkovich?». Ambos tiveram a autoria de Charlie Kaufman, um dos mais criativos contadores de histórias da nossa era, mas «Her» não saiu da pena do argumentista. Foi Jonze que trabalhou esta incrível história sentimental, dizendo-se inspirado na primeira obra de Kaufman como realizador, o grandioso e complexo «Sinédoque, Nova Iorque». E as influências são óbvias, desde o impacto da metrópole no mísero ser humano à presença da tecnologia e dos novos mundos que este mundo nos ajuda a descobrir. Encontramos outras fórmulas de outros filmes, e repetições de ideias, sensações e valores que já vimos, pelo menos uma vez, em alguma outra obra. Mas... este é um filme de Spike Jonze, volto a assinalar - e só por isso se poderá perceber que não estaremos perante uma fita a que se possa chamar vulgar. «Her» é um filme cuja qualidade ultrapassa qualquer defeito que lhe possam colocar, porque os "mas" são muito mais fortes do que as coisas negativas que lhe têm apontado. Mesmo sendo em menor número.


A história bonita e singularmente brilhante de «Her» joga com tudo aquilo que já sabemos. E é difícil que, num amor impossível como este, algum de nós não possa perceber qual é o final - mas que é afinal o Cinema? Uma experiência em que esperamos ser apenas surpreendidos por aqueles realizadores que nunca podem estar no pedestal onde se situam os Grandes (desculpando qualquer gaffe dos Mestres, por estes serem Mestres)? Ou uma Arte que vive das emoções, das coisas impressionantes transmitidas por uma simples projeção num ecrã de uma sala escura a um conjunto de espectadores? O drama distópico, criativo e imaginativo de Jonze não vai pelos caminhos mais fáceis que a narrativa principal parece prometer, e mesmo assim, cair numa história com conveniências que seja assinada por uma pessoa original do Cinema contemporâneo, será sempre muito distinto (felizmente!) de aturar as xaropadas mais habituais que nos chegam dos EUA. Afinal, as linhas gerais de «Her» são apenas uma camada superficial para toda uma conjuntura muito mais interessante e verdadeiramente tocante. Não ganha pontos apenas por retratar tão bem a melancolia que é a vida cada vez mais tecnológica do nosso dia a dia, onde a massificação de ideias, pensamentos e gostos parece ser uma constante insuperável, e em que a comunicação parece ser uma característica humana em vias de extinção, apesar de termos mais ferramentas para comunicarmos uns com os outros. «Her» surpreende por ser a tristeza da vida mundana, e das pequenas felicidades, reais e/ou artificiais, que preenchem as nossas angústias individuais. O conto de fadas dramático de Spike Jonze não é mais do que uma fachada para se poder descobrir um filme com várias camadas de compreensão e de maravilha visual e sensorial.


«Her» faz-nos rir e chorar, mas cativa mais ainda por refletir aquilo que vivemos e que está tão entranhado nas nossas existências que quase nem nos apercebemos quotidianamente da sua existência. É um filme para o Agora, e perdoem-me a franqueza, mas não quero saber se a película perderá a atualidade com o passar dos anos, e que se torne um objeto de sci-fi retro-futurista com dotes de pinga-amor. No Presente, é uma obra essencial. Não façamos já julgamentos do tempo (porque, como todos já deveriam saber, ele nunca é fácil de se prever) e centremo-nos em perceber o filme e entender o amor que muitos têm por esta singular estreia nas nossas salas. A vida nunca deixa de se centrar nos mesmos problemas e de regressar aos temas que toda a gente já quis discutir. Mas nunca é demais vermos esses temas tão bem retratados, com tanta candura, tanta doçura e tanto detalhe, como é o caso de «Her» (mesmo que, como às tantas ouvimos dizer, "The past is just a story we tell ourselves"). Spike Jonze volta a assinar mais uma grande obra, que não deve ser comparada com nada nem ser vista como algo que, nas mãos de outro realizador, seria melhor ou pior. Nunca saberemos ou poderemos dizer, com certezas, as respostas para essas hipóteses que alguns têm perdido tempo em magicar. Mas uma coisa é certa: nenhum deles faria isto como Jonze o fez, nem como Joaquin Phoenix e a sempre deslumbrante Amy Adams interpretaram, tão bem acompanhados pela espantosa banda sonora que tem toques de Arcade Fire. Para o bem ou para o mal, «Her» é um filme único, que só uma pessoa poderia fazer, não recorrendo a protótipos de reciclagem putrefacta e nada sumarenta que, por agora, estão a desgraçar Hollywood.


Obra que apela ao "carpe diem" da vida urbana e que critica as ilusões do ser humano, que acredita que a sofisticação nunca poderá ser falível (falhados somos todos nós por ainda acreditarmos que existem coisas invencíveis), «Her» opõe intelectualidade e emocionalidade, e não tenho dúvidas quando constato ter adorado esta pérola do mundo digital por me ter deixado levar (para alguns o termo correto será "manipular" - mas neste caso talvez seja demasiado mesquinho e redutor) por tudo o que Jonze e a sua história não mostram, mas que nós vemos ali, em cada frame, em cada diálogo, em cada cena. Com fantásticos valores de produção, é uma das peças mais bonitas, originais e incríveis que este ano poderemos ver nas salas do nosso país, e uma proeza para o Cinema moderno.

* * * * 1/2

Um novo projeto do escriba


Este é o meu novo blog, onde comecei hoje a postar críticas minhas escritas em inglês. Comecei por tirar alguns dos pequenos apontamentos que escrevi para alguns filmes no Mubi (são as "Quick Reviews", por serem muito pequeninas), e acabei há pouco de adaptar e traduzir uma crítica ranhosa que fiz há uns tempos sobre um dos meus filmes preferidos, «Angels with Dirty Faces». Deem uma espreitadela, comentem, e desculpem as falhas do meu inglês. Este novo estaminé serve para isso mesmo: melhorar as minhas capacidades na língua (com a ajuda do... cof cof... Google Tradutor), como também para mais pessoas no globo poderem sofrer com a minha péssima escrita.

Para chegarem ao A SHOT IN THE DARK, basta clicarem aqui.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Grau de Destruição (Fahrenheit 451) [1966]


A quinta realização de François Truffaut resultou no seu primeiro filme a cores e no único falado totalmente em inglês: «Fahrenheit 451» teve uma produção atribulada, marcada pelos conflitos entre o cineasta e o seu ator principal, Oscar Werner (que tinha sido o Jules de «Jules e Jim», uns anos antes) e por uma direção artística complicada, marcada pelas exigências dos estúdios poderosos que estiveram envolvidos na execução do filme. As opiniões sobre esta adaptação da magistral história de ficção científica (que de fantasia tem muito pouco, e é mais realista do que se possa pensar) divergem, e a minha não é das mais favoráveis. É difícil falar de um filme como este sem nunca se ter em conta um livro com a envergadura de «Fahrenheit 451», uma ode à cultura e à capacidade do ser humano de ler e de dar novos mundos ao mundo. Mas tentemos distanciar-nos: François Truffaut tentou ser um Hitchcock sci-fi, que se aproveita dos ambientes distópicos e totalitários da criação de Ray Bradbury e usa até o compositor mais habitual do mestre do suspense, Bernard Herrmann (sugerido por Bradbury ao realizador), para aumentar o ambiente obscuro e sombrio, a tensão e o drama desta adaptação. E é mesmo a música de Herrmann que acaba por ser o melhor do filme, uma tentativa falhada de se fazer bom Cinema porque se sente que não há liberdade, mas demasiado constrangimento para Truffaut poder realizar o filme que tinha em mente (o que não deixa de ser irónico, tendo em conta a liberdade de que nos falam as desventuras de Guy Montag). As boas ideias de Truffaut são evidentes (a começar pelos créditos iniciais, que em vez de aparecerem em texto para ser lido, são ditos por uma voz-off, o que vai de encontro ao ideal anti-leitura da ditadura da história), mas não são suficientes para suportar uma construção desequilibrada e desnorteada, que se perde em truques de câmara, uma gigante falta de timing de certos momentos e uma série de atores que nada têm a ver com as personagens que interpretam: enquanto algumas personagens representam certas figuras-tipo presentes na obra literária (a cabeça "oca" da mulher de Montag e das suas amigas, viciadas na televisão e o exemplo típico dos efeitos da política ditatorial, o chefe autoritário dos bombeiros, etc), outras destoam por causa da performance de quem as encarna: Oskar Werner, por exemplo, não sabe o que fazer com Montag, e sempre que abre a boca, ou sai uma entoação errada (e não, não é por causa do sotaque!) ou a sua expressão facial, completamente nula, não coincide com os valores da sua personagem. Felizmente que o ator melhora nas cenas de maior clímax, mas no final, e com muita pena, fica por perguntar: Mas o que é que se passou aqui, Truffaut?!


A culpa não é só da produção em si, e da falta de engenho que se consegue ver na elaboração da trama (sim, há coisas que, tanto agora como em 1966, se podem considerar mal feitas). É preciso dizer também que «Fahrenheit 451» não sobreviveu muito bem ao tempo, e o seu retro-futurismo deixou de ser tão atual em termos visuais. E o que faz pena é que se poderiam ter feito as coisas de outras formas mais simples... mas não, é preciso executar tudo sempre da maneira mais espetacular, mesmo quando não se sabe se vai dar certo ou se vai dar para o torto. É difícil, para o século XXI, acreditar na simplicidade tão forte da obra de Ray Bradbury, se inserido no lado demasiado cronológico que Truffaut emprega na sua fita. Os excessivos fade-outs e a rapidez galopante e excessiva da câmara não fizeram as minhas delícias, mas o filme retrata bem a crítica à vulgaridade e ao conformismo das maiorias que o livro enuncia tão perspicazmente. «Fahrenheit 451» perde-se em mil e uma coisas, tal como esta crítica se está a perder, por não saber restringir-se ao essencial. Fica o sabor de um filme mediano com potencial desperdiçado, em que apenas chamam a atenção os detalhes visuais e narrativos que Truffaut cria para acompanhar as fantásticas personagens de Bradbury. Mas sentimos a falta da chama a esta adaptação, que não consegue ser mais do que isso: uma adaptação, não se destacando por si só como um filme admirável. Mas é para isso que estes simples filmes servem: para despertar a "ira" dos fiéis do livro, e para atrair a atenção das pessoas que não conheçam a história original para irem descobrir um mundo mais imaginativo e livre do que estas imagens proporcionam. Se houve criatividade em «Fahrenheit 451», a mesma foi denegrida por razões que não podemos adivinhar. Sim, é um filme agradável, interessante, com mecanismos relevantes e ideias fundamentais para cineastas das gerações seguintes, e fica a simbologia e a filosofia da obra literária bem expressa, com o hino à esperança no poder da cultura. Mas não se pode negar que «Fahrenheit 451» é um filme desprovido de sentimento, e com marcas industriais que retiram toda a sua individualidade e que estragam toda uma boa base criativa...

* * * 1/2

As 10 melhores personagens de Philip Seymour Hoffman


Uma semana depois da sua morte, e depois de ter visto alguns filmes que me faltavam, recordamos os melhores desempenhos de Philip Seymour Hoffman no grande ecrã. Estas são as minhas dez escolhas, que podem ler num novo artigo para o Espalha Factos (que deu trabalhinho a fazer, portanto leituras e "laikes" são sempre muito bem-vindos, se quiserem).

Morreu Shirley Temple, a menina-prodígio de Hollywood


Deixa este mundo aos 85 anos a atriz que brilhou na Era Clássica do Cinema Americano. A notícia foi revelada pela família, tendo Shirley Temple morrido devido a causas naturais na sua casa, em Woodside.
Mais informações no Espalha Factos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Filmes em 60 segundos: A Queda de um Jogador (Owning Mahowny) [2003]


«Owning Mahowny», quase desconhecido trabalho de Philip Seymour Hoffman (em Portugal foi direct-to-DVD) apesar das boas críticas que recebeu nos EUA, é uma visão muito interessante de um caso verídico de fraude e de vício do jogo, através do protagonista (Hoffman), que destrói a pouco e pouco a sua vida e a relação com a namorada pelo imparável desejo de voltar aos casinos e de regressar aos azares que as cartadas lhe proporcionam, perdendo muito dinheiro, mas arranja sempre mais através de um esquema criminoso que envolve o banco onde trabalha. Drama competente e revelador que atinge valores mais altos pela prestação do ator que é mais uma vez surpreendente (tanto por ilustrar muito bem os tiques e os problemas que o vício causa na sua personagem, completamente insegura e perturbada), «Owning Mahowny» é um retrato puro e duro de um acontecimento real que, infelizmente, continua a marcar a actualidade. 

★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Punch-Drunk Love - Embriagado de Amor [2002]


Uma das mais bonitas e pouco convencionais histórias de amor que o Cinema nos deu nos últimos anos, «Punch-Drunk Love» é o filme mais poético de Paul Thomas Anderson, que consegue criar as suas marcas de autor nas narrativas mais emocionais como a desta obra, um romance neurótico e com o seu quê de surreal, que surpreende e cativa pelo seu charme único. Não só Adam Sandler tem a melhor prestação da sua carreira (o que, a olhar para a totalidade da sua filmografia, não será difícil perceber), como todo o restante elenco consegue captar a energia e a inteligência das ideias de PTA, que aqui expõe um Cinema com algumas semelhanças ao que se viu nos seus anteriores filmes, mas aposta também em conceitos novos e em mecanismos narrativos surpreendentes e envolventes, que irão despertar a alma dos românticos incuráveis, e de quem deseja ser apanhado numa obra inesperada.

★ ★ ★ ★ 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A minha participação no "Já Vi(vi) este Filme"


O blog da Inês Moreira Santos tem uma nova rubrica, e eu tive a honra de a estrear: nesta primeira edição de "Já Vi(Vi) este Filme", recordei uma experiência peculiar, semelhante a uma certa cena de «Voando Sobre um Ninho de Cucos». Podem ler as minhas pequenas memórias e as comparações a este filme inesquecível aqui.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Quando Tudo Está Perdido (All is Lost) [2013]


Quem espera de Quando Tudo Está Perdido um filme de ação Hollywoodesco, repleto de efeitos especiais e de excessivas sequências de suspense e histeria, irá ver que nada disso poderá encontrar neste projeto curioso realizado por J.C. Chandor. Aqui não há espaço para artifícios nem para grandes manipulações cinematográficas, porque vemos a solidão do protagonista em todo o seu esplendor, à medida que luta, com todos os meios de desenrrascanço, contra as águas selvagens e imparáveis que não estão dispostas a deixá-lo escapar.

Fascinante e reflexivo, Quando Tudo Está Perdido é um filme sobre a dureza de se estar só num ambiente de solidão e do qual não se consegue fugir. Os fiozinhos de esperança com que o homem se depara são a única coisa que lhe resta para conseguir suportar todo aquele sofrimento, que só ele sente, enquanto o mundo continua a girar, sem ter qualquer conhecimento desta e de outras tragédias marítimas, apesar de estarmos cada vez mais interligados digitalmente uns com os outros.

Uma tempestade que nunca deixa vir a bonança cria uma ode à resistência humana que J.C. Chandor dirige com grande sabedoria. Depois de em Margin Call ter filmado o caos criado por uma crise financeira, nesta segunda longa-metragem o realizador recria a desordem da naturalidade e a turbulência de um indivíduo que perde tudo no mar, sem ter culpa de nada. Robert Redford aguenta sozinho todo este filme, mas a sua prestação vale por um elenco inteiro – com muito pouco e quase nunca abrindo a boca, ele consegue dizer muito mais do que se possa pensar.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os Savages (The Savages) [2007]


«The Savages» é uma pequena produção independente norte-americana com uma alma do tamanho do mundo. E dias depois da morte de Philip Seymour Hoffman, é impressionante como ninguém (ou quase ninguém) referiu a sua personagem neste filme como uma das melhores da sua carreira. Porque é, e não precisa de grandes transfigurações físicas ou psicológicas no seu "acting" para conseguir este feito: basta ser ele próprio, o mais humano possível. Não sabemos se isto se sucedeu por o filme em questão não ser de grande escala e por não ter obtido uma tão grande aceitação, por cá e pelo resto do planeta. Mas é uma preciosidade a descobrir: a realizadora Tamara Jenkins acertou nesta sua história de falhas nas relações humanas e nos laços familiares, na abordagem à narrativa e nos atores escolhidos (Laura Linney é a outra grande protagonista da obra, irmã da personagem de Hoffman). «The Savages» torna-se original pelas coisas mais simples, que a maior parte dos outros filmes tendem a esquecer que são importantes (e por isso se perdem em grandes complexidades "mecânicas" e técnicas no Cinema). Um retrato do envelhecimento singular e belo, porque nos conta a união dramática e tristemente intensa que une os dois irmãos ao Pai (Philip Bosco), que nunca quis saber deles (nem mesmo das suas existências), mas que agora não tem ninguém para se lembrar ou para tratar dele enquanto a demência começa a apoderar-se do seu organismo. Pegando não em clichés da arte cinematográfica (que com tantas utilizações já começam a ser menos duráveis do que uma pastilha elástica), mas em clichés da vida (que fazem deste um filme verdadeiramente original e inovador no mercado do Cinema americano independente) aos quais nenhum de nós pode escapar (e que têm de ser sempre filmados por cada geração, que proporciona novas perspetivas sobre essas ideias feitas), «The Savages» é uma história de problemas familiares, em que os dois filhos, ao não saberem como devem tratar o Pai, refletem a pouca importância que sentem pelo seu progenitor por este nunca se ter dado ao "trabalho" de os amar. Mas lá no fundo, os dois irmãos usam uma máscara de egocentrismo e da superioridade com que tratam as suas vidas profissionais para esconderem melhor as suas fraquezas e o desespero que sentem perante a vida - tal como as dúvidas em relação a este Pai sempre ausente, e sempre distante... 


Filme sobre os curto-circuitos emocionais e familiares da espécie humana, «The Savages» usa a história do Pai para aprofundar a relação de dois irmãos que acabaram também por se afastar. É um drama amargamente cómico, que nos sensibiliza sem recorrer a facilitismos de linguagem ou de manipulação cinematográfica. Emocionamo-nos pelo mais real e duro que há na fita, na sua dissecação da condição humana, no fresco da vida que nunca acaba de pintar - porque há sempre mais um ou outro retoque que tem de ser executado. Não é um filme direto e que precisa de "dar" a história ao espectador de mão beijada, revelando não ser apenas uma obra de distração sem qualquer tipo de aprofundamento filosófico ou artístico. Com uma das composições mais sarcásticas e humanas de Philip Seymour Hoffman, uma surpreendente Laura Linney (nomeada ao Oscar por este desempenho) e um invulgar argumento (que também recebeu a sua indicação para os Prémios da Academia), esta é uma obra simples e brilhante sobre as falhas das relações humanas e das mágoas perpetuadas pelos laços familiares. Em Portugal, o filme passou para a categoria "direct-to-video", o que é pena, pois perdeu-se a oportunidade de ver uma peça de Cinema que não encontramos todos os dias, de uma sensibilidade rara e que nenhum efeito especial ou truque de câmara consegue tornar possível. O verdadeiro Cinema independente não é o que se rebela pura e simplesmente contra o sistema das grandes empresas do setor, mas aquele que quer inovar e mostrar que sabe fazer filmes que sejam capazes de atrair audiências sem recorrer a popularuchices. Eis um grande exemplo: «The Savages» é um filme para todos, e para refletirmos sobre nós e as nossas próprias famílias.

* * * * 1/2

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mentira Maldita (Sweet Smell of Success) [1957]


"Every dog will have his day", diz Sidney Falco (Tony Curtis num dos papéis mais implacáveis da sua carreira), a páginas tantas (ou melhor dizendo, a frames tantos) de «Sweet Smell of Success». Ele é um agente de imprensa que quer deixar de ser apenas um criado no meio de tantos outros subordinados aos grandes chefes e influentes "opinion makers" da indústria, onde os cães se comem uns aos outros até que um deles consiga ficar com a totalidade do "osso". Falco ambiciona chegar aos círculos mais altos do poder aproveitando-se de um contacto bastante importante para a sua possível ascensão económica e comercial: o popular cronista J. J. Hunsecker (Burt Lancaster), que consegue, graças à sua enorme influência nos media americanos, elevar a carreira de algum talento desconhecido... mas também destruir qualquer vida que esteja a colocar-se no seu caminho. Nesta encruzilhada animalesca pela procura do êxito e da fama, há uma reflexão pertinente sobre os valores da sociedade alimentada pela comunicação social, e um dos filmes mais irreverentes da colheita americana dos anos 50. Se todas as más línguas que criticam o Cinema clássico de ser demasiado floreado e bonitinho para os padrões a que nos habituámos na atualidade, talvez se descobrissem uma fita como esta conseguiriam perceber, de uma vez por todas, que é na provocação que o filme incute no espectador que está um impacto visual e sensorial que jamais conseguirá ser repetido neste século.


O realizador é Alexander Mackendrick, o homem que esteve por detrás das câmaras em várias das mais célebres comédias da Ealing (como o fabuloso «O Quinteto Era de Cordas»). Mas em «Sweet Smell of Success» não existem muitos momentos propícios para se soltar uma única gargalhada, porque vemos um jogo de influências e consequências a suceder-se em catadupa, sem ter fim à vista, onde Falco quer aproveitar-se de Hudsecker, e Hudsecker utiliza a sua atitude inescrupulosa e a dependência que Falco tem da sua personalidade para o pressionar a fazer o que ele quer. Ao longo da narrativa, vemos J.J. a condicionar almas ingénuas do mundo do espetáculo e da imprensa americana, e ao mesmo tempo, Sidney tenta seguir-lhe o passo, aproveitando também para elaborar um esquema intrincado para conseguir evitar que Susie, irmã do opinador jornalístico e televisivo, continue a namorar com um inocente músico de jazz. Uma amizade por conveniência, onde nem um nem outro se sentem verdadeiramente próximos, e que se regula pela crescente sede de poder e de protagonismo pelo nada discreto ego que domina a personalidade de Falco, e pelo desejo de consumir mais e mais recursos e influências pela parte de Hudsecker. A manipulação e o egocentrismo são as duas palavras-chave para se perceber esta poderosa história de novas e velhas raposas, que nunca deixarão de existir, e que abundam cada vez mais, à medida que as possíveis "presas" crescem igualmente em grande escala. E o ditado diz-nos que "quem tudo quer, tudo perde", mas nenhum dos dois protagonistas de «Sweet Smell of Success» parece ter algo a perder no meio de tantas exigências e interesses pessoais, egoístas e megalómanos. Porque eles são apenas uma dupla de atores com uma importância muito reduzida em toda a grande peça da vida urbana, repleta de problemas e de vicissitudes impróprias e moralmente desprezíveis. Contudo, é nas divergências e falsas convergências de Sidney Falco e J.J. Hudsecker que encontramos o mais falível das relações humanas, mas que nunca deixa de abandonar a nossa espécie - e por isso, identificamo-nos tanto com filmes assim. Talvez por isso as sucessivas gerações de cinéfilos têm vindo a apreciar cada vez mais esta narrativa de decadência moral e familiar, e de desprezo pelos membros de toda uma comunidade...


As duas personagens detestáveis que fazem do sucesso essa coisa tão preciosa, e que aparenta ser algo tão bom (e com o tal "sweet smell" do título) são interpretadas por dois atores que não só souberam desfazer a sua imagem habitual com estes papéis pouco usuais, como também souberam interpretar como mais ninguém conseguiria a dita detestabilidade da dupla, e o desprezo que ambos têm pelos outros, pelos "comuns mortais" que podem ser vítimas das suas manobras. Tony Curtis é genial, e provavelmente, tem aqui uma das suas melhores interpretações. E Burt Lancaster passa de "tough guy" para "tough guy" irascível e irritantemente superior a todos nós. Com diálogos refinados e inteligentes no grande argumento de Clifford Odets e Ernest Lehman (um dos argumentistas de Hollywood com maior sucesso na indústria), com um toque do próprio Mackendrick, «Sweet Smell of Success» é uma curiosa incursão no film-noir, feita quando o género já não estava tão em voga. Estamos na época dos musicais, dos westerns, e a memória do passado e da herança de Bogart, Mitchum e outros tantos, começa a dissipar-se em detrimento das novas apostas que o Cinema americano propõe aos seus espectadores. Mas talvez este seja um dos melhores exemplos da originalidade dessa corrente de filmes, cujo género foi "criado" deste lado do Atlântico. São poucos os clássicos noir dos anos 40 que conseguem ter um ambiente tão perturbante, pessimista e angustiante como tem esta «Mentira Maldita» (e que raio de título português!). Um filme importante hoje, visto que estamos a ser muito mais subjugados pelos "opinion makers" do que em 1957, e porque o lado cínico e desagradável do filme é apenas um puro e incisivo retrato das maiores gaffes da espécia humana, tal como os homens que pensam que não são ingénuos e que têm tudo o que ambicionam nas mãos (tal como Falco, que engana todos para o seu próprio benefício - vejam-se com atenção todos os truqyes que Tony Curtis engendra com os seus contactos), mas que acabam por ser engolidos pela sua própria ingenuidade e por existirem raposas mais espertas e experientes do que eles.


Não só é uma obra que aprofunda as consequências do egocentrismo enquanto caminho que perturba todas as outras pessoas egocêntricas, como «Sweet Smell of Sucess» se trata de uma película fundamental para perceber o que é que o Cinema americano tem que os outros não têm. Lidando com a importância dos fazedores de opinião, Mackendrick constrói uma visão arrebatadora sobre as manipulações da sociedade consumista e alheada das grandes máquinas que a trituram, como de carne de hamburger se tratasse. Um filme que lida com a opinião, e interroga o espectador sobre como é que ele usa o que os outros dizem: será que ouvimos as perspetivas diferentes da nossa para formarmos a nossa própria visão das coisas, ou deixamos, pura e simplesmente, que os grandes fazedores de opinião construam aquilo que temos de pensar, e que repetimos sempre que for ocasião para tal (para podermos assumir perante os outros que sabemos também ter um bom tema de conversa)? Obra seriamente relevante, precisa e astuciosamente construída, «Sweet Smell of Success» é um drama sobre os dramas humanos e as facilidades que o egocentrismo tem para perturbar a mais serena das almas. Um tesouro atualíssimo do Cinema, e uma chave essencial para compreender os limites ultrapassados pelos EUA na Sétima Arte.

* * * * 1/2

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club) [2013]


Matthew McConaughey está a ressuscitar em boa hora em Hollywood, e Jared Leto atinge um novo patamar de talento com «O Clube de Dallas», um filme que nos deixa desconfortáveis e impressionados ao mesmo tempo. Um drama tragicamente cómico, com grandes diálogos que revelam os podres da sociedade e da sua reacção preconceituosa ao vírus HIV, nos primeiros anos da propagação da doença. «Dallas Buyers Club» é um conto sobre o desconhecimento e a discriminação da SIDA, pela história de um homem que entra numa batalha contra as burocracias da indústria farmacêutica norte-americana para poder ter os medicamentos que necessita, e que o país não considera legais. E ainda no século XXI, o problema mantém-se, e os preconceitos continuam, algo que é muito bem retratado pela força das performances e do argumento provocador, que é uma reflexão dos nossos tempos angustiantes e preocupantes, onde continuamos sem saber quem são os verdadeiros culpados desta luta de poder e interesses económicos que põe em risco muitas vidas.


Os dois atores não estão brilhantes em «Dallas Buyers Club» por aquele pormenor que muita gente meteu na cabeça e que está a condicionar várias opiniões: a perda de peso de McConaughey e a transfiguração de Leto. Ambos os artistas ocupam um dos lugares cimeiros na competição dos Oscares porque, apesar do trabalho de caracterização ser sensacional, é na força das suas expressões, das suas vozes e do drama que estão a interpretar que se encontra a grande genialidade das suas interpretações. E mais do que um forte melodrama (género que não deve ser tão menosprezado quanto parece aparentar – sim, faz bem sentir algumas emoções mais fortes em grandes fitas como é o caso desta), o filme de Jean-Marc Valée (realizador de «A Jovem Vitória») é uma reconstrução de um caso verídico que aborda problemas reais, que possuem um impacto que transcende qualquer floreado da ficção.

* * * * 1/2

A Costela de Adão (Adam's Rib) [1949]


«Adam's Rib» é uma comédia brilhante feita à medida dos formidáveis Katharine Hepburn e Spencer Tracy e da química de ambos quando contracenavam (este filme tem planos muito longos sem cortes para a época, porque o realizador deixou que as performances de ambos os atores fosse melhor aproveitada - o que resultou muito bem). George Cukor assina uma comédia romântica provocadora, que aborda a temática da "guerra dos sexos" através da história de um casal de advogados com opiniões opostas sobre um caso de uma esposa que, ao saber das infidelidades do marido, se decide a alvejá-lo gravemente com uma arma. Num misto de humor romântico e sarcástico e "courtroom drama", onde os dois advogados se põem um contra o outro (e, por momentos, esquecem o próprio caso em que estão a trabalhar), numa onda de tensões e confusões delirantes que fazem desta uma das peças mais interessantes da Idade de Ouro do Cinema Americano, uma das melhores comédias entre os clássicos sofisticados dos anos 30 e 40, e uma das obras mais detalhadas e engraçadas de Cukor.


Com maravilhosos diálogos e uma fenomenal direção de atores, «Adam's Rib» mostra os dois lados de uma questão aparentemente consensual. É difícil ficarmos apenas a concordar com um dos advogados - ambos estão corretos naquilo que estão a dizer, e as suas opiniões complementam-se. Mas vão ser a divisão entre ambos e as suas funções no julgamento que criam alguns dos momentos mais sólidos da trama, quando esta passa da comédia pura para a séria reflexão social (que em nada perdeu a atualidade). Enquanto Hepburn defende a acusada, lutando pela igualdade de direitos das mulheres, Tracy segue a Lei e não quer elaborar exceções para agradar às sensibilidades alheias, e tudo se mistura num filme de timing preciso, com uma ironia genial e uma sátira apaixonante à advocacia e às diferenças entre homens e mulheres. O talento de dois grande e imortais atores juntou-se à realização notável de George Cukor, numa época em que os filmes não tinham medo de ser criativos e não alienáveis, mesmo nos géneros mais procurados pelas massas. Uma das comédias mais surpreendentes da Golden Age que provoca questões sociais que são hoje pertinentes, e que não se fica apenas pela problemática da igualdade entre sexos. Uma maravilha deliciosa, que mostra o charme impecável que transmitia a formidável dupla Hepburn e Tracy.

★ ★ ★ ★ 

Filmes em 60 segundos: As Vidas dos Outros (Das Leben Der Anderen) [2006]


Vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, «As Vidas dos Outros» é um dos títulos europeus com mais impacto a nível internacional, cultural e comercialmente. Uma obra muito interessante, que peca apenas por ter uma estrutura algo previsível e simplista para uma ideia geral tão cativante. É mais um filme de história que de tudo o resto, mas consegue funcionar de forma belíssima com os seus inúmeros recursos criativos. E além de entreter inteligentemente bem, fornece ao espectador um tema de reflexão invulgar, onde o voyeurismo se confunde com interesses políticos e/ou emocionais, durante os anos que antecederam a queda do Muro de Berlim. Mas ver «As Vidas dos Outros» hoje faz ainda mais sentido, mesmo que se trate de algo historicamente datado: recorde-se a espionagem orwelliana dos EUA que enche regularmente as páginas dos jornais. Uma película interessante e comprovativa de que há bom Cinema “blockbuster” no Velho Continente.

★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Dúvida (Doubt) [2008]


John Patrick Shanley, o autor de «Dúvida», pegou na sua peça e adaptou-a para os mecanismos da narrativa cinematográfica. Obra que aborda as relações humanas e, mais precisamente, os julgamentos que fazemos uns dos outros, o filme lida com compaixão e manipulação, interrogando o espectador sobre a construção psicológica que elabora de cada personagem ao longo do visionamento. Quando não sabemos distinguir a bondade de uma pessoa da brutalidade dos atos de que é acusada, talvez nos deixemos influenciar demasiado pelo acaso e pelo nosso irracional bom senso… ou talvez não. Filme de atores que revela um conjunto de espantosas interpretações muitíssimo aclamadas, «Dúvida» não responde às nossas inquietações, mas reflecte o poder das gigantescas estruturas hierárquicas e as pequenas questões e situações que uma dúvida pode criar, entre os poderosos e as pequenas “formigas” da Instituição. Uma eficaz recriação cinematográfica, que nos prende por ser uma trama tão… duvidosa.

★ ★ ★

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman (1967 - 2014)


Na última emissão da primeira série de Um Lance no Escuro, no ano passado, falei de uma notícia que dizia que Philip Seymour Hoffman estava em reabilitação. E foi um choque saber que, no final, nem todas as forças do ator resistiram contra o vício que hoje lhe tirou a vida. 
Um artista excecional, e um dos mais versáteis atores da sua geração, Hoffman desdobrou-se em inúmeros papéis surpreendentes que fazem do seu currículo um dos mais fascinantes de Hollywood. Desde «Capote», que lhe valeu o Oscar, ao formidável «Magnolia» e ao fantástico «The Master» (com o qual devia ter ganho o prémio da Academia), ambos de Paul Thomas Anderson, a qualidade das performances de Hoffman é inegável. E teria muito mais para nos dar, mas infelizmente, hoje a tragédia aconteceu. 
Em muitos filmes, Philip Seymour Hoffman brilhou como poucos. Um dos meus atores preferidos que sabia sempre dar a volta àquilo que as pessoas estavam à espera de ver em cada novo filme, desde os grandes blockbusters aos mais refinados exemplos de Cinema de Autor americano. 
Uma carreira que acabou cedo demais, que deixou filmes por estrear e outros por concluir, mas que marca indelevelmente a contemporaneidade do Cinema. Apesar dos problemas e destas fraquezas, Philip Seymour Hoffman é um exemplo de talento e de inventividade que se destaca entre muitos atores insossos e desajeitados que povoam os filmes dos nossos dias. 

R.I.P.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Morreu o ator Maximilian Schell


Já não está entre nós o ator que venceu um Oscar no papel do advogado de defesa do «Julgamento de Nuremberga», e que se notabilizou noutras personagens fantásticas, como em «O Homem das Duas Faces». Maximilian Schell nasceu em Viena, mas foi nos EUA que se tornou reconhecido internacionalmente. Uma breve retrospetiva da sua vida e da sua obra em mais um artigo para o Espalha Factos.

Regresso ao Futuro vai transformar-se num musical


Aproveitando o 30.º aniversário da estreia original do primeiro filme da trilogia de Robert Zemeckis, a famosa história que popularizou os atores Michael J. Fox e Christopher Lloyd vai ser alvo de uma adaptação musical para os palcos de Londres. Mais informações na minha nova notícia para o Espalha Factos.