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A mostrar mensagens de Janeiro, 2014

Oscars celebram o 75.º aniversário do Feiticeiro de Oz

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O fabuloso clássico do Cinema «O Feiticeiro de Oz» vai ser um dos grandes homenageados na edição deste ano dos Oscars. Podem ler mais sobre esta surpresa dos Prémios da Academia na notícia que escrevi para o Espalha Factos, à qual podem acessar aqui.

Ao Encontro de Mr. Banks (Saving Mr. Banks) [2013]

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Pode ser caracterizado pela sua demasiada simplicidade melodramática (mais patente nos momentos de flashback) e pelos pequenos momentos cómicos que adocicam a tensão entre Walt Disney e P.L. Travers, mas se compararmos Ao Encontro de Mr. Banks à maioria das produções que têm saído dos estúdios da Disney nestes últimos anos, poderemos perceber que temos aqui uma bela surpresa. 
Pegando num dos filmes mais icónicos da infância e do crescimento de várias gerações de espetadores, e que é uma das fitas mais conhecidas do imaginário Disney, Ao Encontro de Mr. Banks é um dos projetos mais bem conseguidos dos estúdios nos últimos anos, não só por retratar fielmente (apesar de haver algum floreado inevitável na construção do Walt Disney de Tom Hanks) todo o processo criativo e ético que conduziu à concretização de Mary Poppins e de todas as suas inesquecíveis performances e as músicas da trama, como também por contrapor os mistérios e o sarcasmo que rodeiam a personalidade de P.L. Travers e a…

Cinema de Ingmar Bergman em digressão por várias cidades

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Depois do sucesso em Lisboa, o ciclo de Ingmar Bergman vai prolongar-se na capital e rumará ao Porto e a outras cidades. Mais informações no meu novo artigo para o Espalha Factos, que pode ser lido aqui.

Parem de criticar, e vejam os Clássicos!

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Dou uma olhadela às estatísticas que o Blogger me fornece sobre os quase cinco anos de existência da Companhia. Olho para o top 10 dos posts mais lidos e apenas dois são críticas de Cinema. Uma delas é «Obrigado por Fumar», que se encontra no sexto lugar da contagem, e um pseudo-texto que escrevi sobre os dois primeiros «Balas e Bolinhos», na décima posição.
Procuro mais críticas, não as encontro neste top. Quando acabo de escrever uma nova opinação e a partilho nas redes sociais e em fóruns selecionados, espreito o impacto que a postagem tem nos leitores. Apenas as que versam sobre filmes mais recentes (até as que publico no Espalha Factos e que, aqui no blog, apenas coloco um excerto com o link para se ler o texto integral) conseguem arrecadar mais visualizações. Mesmo as dos "filmes em 60 segundos", que demoro menos de um quarto de hora a elaborar, estão entre as mais lidas, principalmente se forem filmes que toda a gente já viu, como «A Caça» e o segundo «Senhor dos Ané…

O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane) [1941]

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Old age... it's the only disease, Mr. Thompson, that you don't look forward to being cured of.

Filme de decadências e traições, obra sobre Poder e declínio, película marcante da História do Cinema Americano. «Citizen Kane» não é o melhor filme dos tempos porque, felizmente, a arte cinematográfica é tão vasta e excecional que se torna difícil escolher uma grande obra que se destaque entre todas as outras grandes. Mas sem dúvida, a primeira e mais conhecida realização de Orson Welles é um dos trabalhos mais notáveis da Sétima Arte, e figura com toda a justiça no Panteão das maiores obras primas da História das obras primas do Cinema. Foi uma proeza técnica para o seu tempo (apesar da maioria das inovações serem de descoberta anterior a este projecto - no entanto, Welles aperfeiçoou-as e levou os mecanismos a mares cinéfilos nunca antes navegados), e na contemporaneidade permanece como um filme arriscado para os padrões de “consumo” cinematográfico (a câmara não é "bem compo…

Scarface, o Homem da Cicatriz [1932]

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Foi polémico para a sua época e criticado pela sua excessiva violência, e porque, na opinião dos censores, tinha um final que glorificava o criminoso em relação à Lei e Ordem (o que levou à produção acrescentar o título sugerido pela equipa de censura, «The Shame of a Nation»). O «Scarface» original data de 1932 e deixou um impressionante legado para as gerações de cinéfilos vindouras (e foi o filme americano preferido de Jean-Luc Godard num top que o cineasta elaborou em 1963, nos primeiros anos da sua carreira como realizador), que ficou, em parte, apagado pelo ainda maior fenómeno cultural que se tornou o remake escrito por Oliver Stone, realizado por Brian de Palma e protagonizado por Al Pacino, em 1983. Apesar de ser muito mais agressivo, anárquico e violento e conhecido que o original, seria injusto estabelecer comparações entre os dois filmes, mas é algo inevitável: são completamente distintos, quer na forma quer no conteúdo, e apenas podemos encontrar semelhanças em alguns po…

Uma nota sobre o caso do Meco

Meco: vítimas vistas a rastejar com pedras atadas aos pés

Antes de entrar para a faculdade, uma das coisas que mais me assustava era a ideia que eu tinha da praxe, tal qual as via em filmes como «A Rede Social» e em casos parecidos com este que está a ser investigado. Nesse aspeto tive sorte. Na FCSH, a praxe não chega a exageros nem a humilhações nem a extremos como estes que são relatados na reportagem, e mais do que a lembrança das pequenas brincadeiras que retirei dessa semana memorável, ficaram laços de amizade feitos entre os caloiros e os veteranos que permanecem firmes. Convém por isso não generalizar, mas infelizmente, há muita irresponsabilidade noutros lugares. A selvajaria abunda ainda nas mentalidades de muito jovem, que não olha a meios para atingir os seus fins - mesmo que os fins impliquem pôr vidas inocentes (e também algo ingénuas, porque não sabem o que as espera) em risco. A praxe não deveria ser um ritual de iniciação que, tal como se fez em CC, acolhe os novos al…

Golpada Americana (American Hustle) [2013]

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Some of this actually happened” é o que podemos ler nos primeiros momentos de Golpada Americana. O objetivo de David O. Russell não é elaborar uma recriação da realidade tal como ela aconteceu, mas adaptá-la para os moldes cinematográficos atuais, tendo em conta as influências cinematográficas que exerceram grande importância para o realizador. Talvez a presença tão abusiva de outras inspirações possa dar uma certa sensação ao espectador de que já viu um filme assim antes. Algo recorrente no Cinema contemporâneo, infelizmente. 
A mais percetível de todas as referências é o toque de Martin Scorsese que sentimos ao longo da narrativa, e que é notório tanto no uso de voz-off, como na forma de se filmar certos planos em câmara lenta, e em personagens como a de Christian Bale, uma espécie de ”imitação” dos papéis que Robert de Niro interpretou há 20 ou 30 anos (e curiosamente, de Niro entra também neste filme, interpretando uma pequeníssima mas interessante composição). 
Mas esta Golpada…

Quentin Tarantino desiste do seu novo projeto

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Já não está fresquinha, mas aqui fica a minha notícia sobre a recusa de Quentin Tarantino em continuar a sua nova história cinematográfica, «The Hateful Eight», depois da traição que sofreu com a divulgação do argumento do filme a um número restrito de colaboradores. Mais informações no Espalha Factos.

Filmes em 60 segundos: A Regra do Jogo (La Règle du Jeu) [1939]

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Jean Renoir descreveu a estreia de «A Regra do Jogo» como uma autêntica “bofetada”. Mas se a princípio foi incompreendido, com o passar dos anos esta obra foi redescoberta, e hoje, é um dos grandes tesouros do Cinema. Uma comédia sarcástica de costumes e de sátira de estratos sociais, e um drama psicológico sobre a fragilidade e a mutabilidade da condição humana, que Renoir dirige num cenário com o seu quê de burlesco e de sedutor, onde as personagens se revelam nas suas qualidades e defeitos (e não é o “status” que pode apagar as críticas que se podem fazer a este grupo decadente de indivíduos e de situações cómicas, trágicas e filosóficas), nas quais o espectador revê o mundo que o rodeia e as máscaras que fazem a nossa posição perante os outros, no grande jogo que é a vida. Uma obra prima cuja crítica faz sentido ainda hoje.
★ ★ ★ ★★ 

Filmes em 60 segundos: Hannah Arendt [2012]

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Hannah Arendt: uma grande pensadora do século XX, cujas teorias controversas sobre o nazismo são a base do filme homónimo de Margarethe Von Trotta, onde visionamos o impacto das conclusões perturbantes que Arendt retirou do julgamento de Eichmann. A poderosa interpretação de Barbara Sukowa como Hannah Arendt suporta uma narrativa com fragilidades e que se dispersa, ao contar muita coisa com um largo distanciamento. A estrutura simplista e algo superficial do filme parece não conseguir aguentar tamanha história, que não tem um ritmo apropriado. Mas filma-se o essencial da vida e obra de Arendt, e é delicioso acompanhar a perspectiva social da trama e a irracionalidade causada pela polémica. Poderia ser mais do que um “simples” bom filme, mas «Hannah Arendt» consegue a proeza de nos fazer repensar um tema que continua a marcar a Humanidade: a banalidade do mal e o domínio da colectividade sobre o indivíduo nos totalitarismos.
★ ★ ★

As Diabólicas (Les Diaboliques) [1955]

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Foi por um triz que os direitos cinematográficos do livro «Celle qui n'était plus» não foram vendidos a Alfred Hitchcock. Quem acabou por realizar a adaptação da história de crime e mistério foi Henri-Georges Clouzot, e a "derrota" de Hitchcock seria recompensada mais tarde (os dois autores do texto, Pierre Boileau e Thomas Narcejac, escreveriam mais tarde «D'entre Les Morts», livro especialmente dedicado ao cineasta, e que originou uma das suas maiores obras primas: «Vertigo»). Mas ao ver «Les Diaboliques», percebemos que se trata de uma trama que tem tudo o que poderia agradar à criatividade de Hitchcock. Felizmente, Clouzot conseguiu destacar-se da grande influência e referência e construiu aqui um exercício notável de manipulação emocional cinematográfica.


Inquietante e ainda extremamente provocador e algo perverso até, «Les Diaboliques» é um curioso e complexo exercício cinematográfico que explora os limites a que o espectador pode ser levado, com uma simples h…

Coisas de Cinema que se encontram na web.

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OK. Incluir esta obra prima do Cinema num festival só por causa de uma teoria subliminar que existe sobre a sua narrativa é algo... simplista. E redutor. E ingénuo, porque nada disso é o que mais importa num filme tão espetacular como «Johnny Guitar».

Filmes em 60 segundos: O Senhor dos Anéis - As Duas Torres [2002]

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Se o primeiro capítulo de «O Senhor dos Anéis» possuía o encanto da novidade e da reinvenção moderna e cativante de um clássico da literatura mundial, já «As Duas Torres» é um exercício de “encher chouriços” cansativo e enfadonho. Peter Jackson repete a espectacularidade sensacional que caracteriza a trilogia, mas a trama adaptada é demasiado curta e objectiva para conseguir manter um bom nível em quase três horas de filme, sendo esticada até aos limites para satisfazer as vontades do realizador, que não conseguiu construir, desta vez, um ritmo apropriado à narrativa do Cinema. Contudo, nesta segunda fita da saga sobressai de novo o lado visual, musical e épico, que felizmente, foi das poucas coisas que se mantiveram (e melhorou até!) em relação ao anterior tomo. Valha-nos, ao menos, poder apreciar a grandiosidade majestática e exemplar da cinematografia e o amor de Jackson à obra de fantasia intemporal de Tolkien. 
★ ★

O Lobo de Wall Street [2013]

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O regresso de Martin Scorsese ao grande ecrã faz-se com grande pompa e circunstância neste O Lobo de Wall Street, o filme mais longo da sua carreira, e que é um regresso às origens do realizador e aos temas que tornaram célebres alguns dos seus projetos mais famosos, como Tudo Bons Rapazes e Casino.
É uma película alucinante que nos deixa chocados, mas também entusiasmados pelo rumo dos acontecimentos, e pela constante inventividade de Scorsese que, apesar do fabuloso argumento de Terence Winter ser bastante fiel ao que Jordan Belfort conta no seu livro autobiográfico, proporciona alguns toques de originalidade na execução das cenas e em alguns truques narrativos e cinematográficos que são cozinhados com uma grande mestria. Nunca vimos Leonardo DiCaprio como aqui, numa performance que arrasa tudo e todos, e que é, talvez, a sua mais provocadora e exuberante interpretação. 
Torna-se difícil saber se será este filme uma comédia sem moralismos, ou um drama que pretende disfarçar-se de …

Tolstoi e a história de Khadji-Murat

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Para Harold Bloom (numa citação que preenche a parte superior da capa da edição de «Khadji-Murat» da Cavalo de Ferro), esta é "a melhor história do mundo, ou pelo menos a melhor que eu li até hoje". Opiniões à parte, há coisas para serem elogiadas nesta narrativa minuciosa que, com tanta minúcia, perde-se no essencial e nos valores das situações descritas para dar mais importância aos pormenores. Lev Tolstoi conta, neste pequeno livro, as peripécias do guerreiro chécheno homónimo, uma figura com um grande poder de liderança. Amado pelo seu povo, que nele confia cegamente, Khadji-Murat aventura-se entre inimigos e possíveis aliados enquanto a guerra perdura, um conflito que foi causado pelo desejo de mais poder e pelos excessos de controlo e de domínio dos mais fortes nos mais fracos. Último romance de Tolstoi, «Khadji-Murat» não será, no entanto, um dos títulos mais notáveis da sua bibliografia. Mas é uma delícia ler a inteligência do autor e o cuidado que mostra em contar …

Brutalidade (Brute Force) [1947]

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When you're on the inside, even the funny things of the outside seem wonderful. Just so they happened on the outside.
Filme sobre a dureza da vida dos condenados de uma prisão e do lado obscuro da Lei que poucos querem desvendar, «Brute Force» é uma obra poderosa e sufocante que nos leva ao pior dos ambientes e à mais tensa das tensões. Jules Dassin filma um thriller e um clássico da Liberdade (ou do desejo dela) no Cinema, apresentando Burt Lancaster no papel do protagonista, Joe Collins, um dos líderes incontestáveis dos criminosos da penitenciária de Westgate, e que tenta sempre contornar ou fintar uma ditadura policial que tem a violência e o medo a incutir nos prisioneiros as principais normas em vigor. Mais do que uma grande película sobre uma fuga da prisão, «Brute Force» fala-nos do Poder, que domina os prisioneiros e os gangs internos em que se congregam, e que é exercido pelos guardas com maior força e perspicácia até do que por aqueles que lhe são superiores na estrutur…

É só para dizer...

...que este é o 1700.º post desta Companhia.
O que vou fazer para celebrar o acontecimento?
Nada.
Gastei um post só para dizer que este é o post n.º 1700 e para, de seguir, não acrescentar mais nada?
Pois parece que sim.
Não há nenhuma coisa especial previamente preparada para esta efeméride. É que 1700 não é um número tão sonante não é?
Quando se chegar aos 2000 é que poderá haver qualquer coisa gira.
Mas de momento não, 'tá bom?

Obrigado por continuarem desse lado, é tudo o que me ocorre dizer.
E pronto, resto de bom dia.
Co' licença.


A Lenda do Santo Bebedor: os silêncios e as amarguras da vida

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«A Lenda do Santo Bebedor» é uma pequena novela de Joseph Roth, que vive do seu protagonista e dos símbolos (alguns com um certo toque divino) e significados que a ele ficam associados, e que fascinam o leitor porque, nas primeiras impressões que tiramos do bebedor Andreas, não nos parece ser uma figura que tenha muito para dizer, ou coisas tão relevantes para serem exploradas na sua personalidade. Da sua boca ouvimos proferir regularmente: "Que Deus nos dê a todos nós, a nós os bebedores, uma morte tão suave e tão bela!”. Andreas é um personagem único, que deambula pelas ruas de Veneza, revelando a sua tragédia que é, em parte, a que toca a todos os seres humanos. Livro curto, mas cuja pequenez não se traduz pela quantidade de material de reflexão que deixa no leitor.
Foi feito um filme, de Ermanno Olmi, que conta com Rutger Hauer no papel principal. Para o ator, esta é a performance pela qual gostaria de ser recordado. Espero ver o filme em breve (foi por causa disso que me le…

1984 - quando um grande livro ultrapassa os limites da realidade

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Dizer que «1984», de George Orwell, é uma obra que possui uma fortíssima atualidade, já todos nós sabemos (e aliás, o aumento do número de vendas do livro nos EUA depois do escândalo da NSA ainda auxilia mais esse facto). Ao afirmar que a história distópica e (apenas figuradamente) futurista sobre Poder, Opressão e Manipulação é um alerta para o lado mau de qualquer ditadura, também não estou a acrescentar nenhuma novidade opinativa sobre esta obra prima literária. E ainda, ao manifestar a minha consideração de que o valor da história e das situações de «1984» torna-o uma peça de leitura obrigatória para qualquer ser humano, também não poderei acender novas luzes sobre esta narrativa. 
De tão bom que é «1984» e de tanto que já se disse e se escreveu e se debateu sobre o livro, parece impossível acrescentar-lhe alguma coisa de novo, no meio de um mar vasto e infindável de opiniões e interpretações que existem sobre a sua construção e as intenções de Orwell. E eu, um simples e ingénuo …

Keep Going Marty!

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A cada novo filme de Martin Scorsese que estreia, aumentam as más línguas que anseiam que o realizador peça a reforma e se ausente do mundo do Cinema. 
O problema é que muitas pessoas ainda veem os realizadores como se fossem uma personificação dos seus gostos pessoais. O trabalho deste Mestre é admirável. E ainda bem que não é consensual, mas desejar um destino tão triste a um homem que tanto ainda tem para dar é injusto. 
Mais: se o Manoel de Oliveira ainda por aí anda a realizar filmes (e ainda bem - e eu não sou o maior fã do realizador), porque é que o Marty não pode continuar a exprimir a sua criatividade no grande ecrã, e a ensinar-nos a importância da preservação do Cinema?

A Quimera do Riso (Sullivan's Travels) [1941]

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There's a lot to be said for making people laugh. Did you know that's all some people have? It isn't much, but it's better than nothing in this cockeyed caravan.
É mais uma das grandes comédias americanas dos anos 40, e um dos filmes mais ousados e provocadores do seu tempo: são poucos os que, como «Sullivan's Travels», de Preston Sturges, se arriscam a criticar e satirizar Hollywood desta maneira tão peculiar (veja-se logo uma das primeiras cenas, em que o protagonista tenta convencer os executivos de um estúdio a deixarem-no fazer um filme dramático, onde todos discutem tudo o que uma fita deve ter para ser um sucesso - e repete-se várias vezes "and a little bit of sex", o que mostra que essa "tendência" da indústria, infelizmente, já vem de há mais de setenta anos...), e conseguirem manter a sua atualidade. Mas «Sullivan's Travels» (um título que é uma paródica referência ao livro de Jonathan Swift, que nos fala de uma outra viagem, mais …

Leonardo DiCaprio: 5 grandes personagens

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Na semana em que estreia «O Lobo de Wall Street», a quinta parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, revisitei aqui a sua carreira e destaco as cinco melhores personagens interpretadas pelo ator.  A lista foi feita por ordem cronológica e não apreciativa, e tentei aqui incluir todas as "facetas" que o ator já mostrou no ecrã. De fora, mas como "Menções Honrosas", ficam duas interpretações: «The Departed» e «Shutter Island».

Leiam, opinem e contestem as minhas escolhas, clicando aqui!

Recordar Spencer Tracy

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Spencer Tracy foi um dos maiores atores do seu tempo, e tem uma grande história de vida para contar. Podem lê-la aqui, neste meu novo artigo no Espalha Factos e que marca o regresso da rubrica «A Recordar»!

Revolutionary Road [2008]

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Tell me the truth, Frank, remember that? We used to live by it. And you know what's so good about the truth? Everyone knows what it is however long they've lived without it. No one forgets the truth, Frank, they just get better at lying.
Quando Kate Winslet e Leonardo DiCaprio se reencontraram no grande ecrã em «Revolutionary Road», já não lhes podia sair da "pele" a memória da dupla como protagonistas de «Titanic», de James Cameron. Nesta obra os dois estão noutro filme de época, mas que tem um contexto e um conteúdo completamente diferentes da fita oscarizada de 1998, e ainda bem. Porque ao contrário de «Titanic», «Revolutionary Road» não é uma narrativa embelezada pelos efeitos especiais e pelas mais modernas técnicas de efeitos especiais, flutuando o vazio do enredo na magnitude da sua estrutura formal. Realizado por Sam Mendes (um cineasta tão diversificado que consegue concretizar maravilhosas produções independentes como «Um Lugar para Viver» como também grand…

Tintin já tem 85 anos

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Um dos meus heróis de infância não passava de uma figura fictícia que se aventurou por páginas de (geniais) álbuns de BD. Esse meu ídolo faz hoje 85 anos, e não perdeu, com o "envelhecimento", nenhum do espírito de aventura e mistério que o caracterizam desde sempre, continuando a conquistar miúdos e graúdos. 
Hoje em dia, o repórter mais famoso do mundo está não só nos livros, mas também em múltiplos jogos, programas de televisão e filmes (e só o mais recente é que consegue captar a alma do personagem criado pelo magnífico Hergé), e permanece uma figura espectacular, e um exemplo para todos os contadores de histórias da contemporaneidade. Um moço cheio de audácia, e com o qual eu e milhões de leitores de todo o mundo aprenderam certas lições morais e sociais que nos poderiam ter escapado, não fossem as peripécias deste herói. 
Não tenho um álbum preferido, mas este da foto («Os Charutos do Faraó») é um dos que mais vezes li em toda a minha "nerdice" de devorador …

Filmes em 60 segundos: Bob le Flambeur [1956]

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O quarto filme de Jean-Pierre Melville é uma interessante experiência no heist-movie (antes do género ser denominado como tal), que iria influenciar obras posteriores (como a trilogia «Ocean’s»). Com várias influências americanas e reinvenções de géneros cinematográficos e narrativos, aqui conta-se a história de Bob, um jogador compulsivo e um assaltante “reformado”, que decide concretizar um assalto impossível a um casino. Tem algumas imprecisões e excessos que, com o tempo, deixaram de funcionar tão bem, mas a previsibilidade de parte das situações não retira o mérito ao maravilhoso elenco (encabeçado por Roger Duchesne) e à banda sonora inspirada do filme. Mostrando o lado do crime (e dos detalhados esquemas de preparação do fabuloso golpe) e o lado da polícia, o realizador filma uma narrativa com um certo pendor experimental, “noir” e audaciosa, que comprova algumas das marcas de estilo e de criatividade que se consolidariam noutros projetos posteriores de Melville. 
★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: O Falso Culpado (The Wrong Man) [1956]

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Manny Balestrero (Henry Fonda) é um músico acusado de um crime que não cometeu – um dos temas preferidos de Alfred Hitchcock – em «The Wrong Man», uma história real que tem proporções tão invulgares e curiosas que o próprio realizador faz uma introdução ao seu filme, alertando que o espectador está prestes a ver uma história que possui “elementos mais estranhos do que toda a ficção de muitos dos thrillers que fiz antes”. O que atrai o cineasta para este caso é a forma tão simples como se condena um indivíduo isento de qualquer culpa, e é isso que vemos na performance de Fonda, e na alteração do estado psicológico da mulher da sua personagem, Rose (Vera Miles é magistral). Indiscreto e incisivo, Hitchcock assinou um filme diferente, entusiasmante e cativante, onde vemos o suspense a entrar na vulgaridade do real neste retrato inquietante e preocupante de um problema muito sério.
★ ★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Bulworth - Candidato em Perigo [1998]

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Warren Beatty é um senador que, de um momento para o outro, altera a sua atitude em tempo de campanha e começa a “revolucionar” e a desafiar um sistema de ideias e de relações de poder, misturando injustiças sociais, corrupção e uma boa dose de hip-hop. O ator e realizador destrói todos os males da política e das suas prejudiciais consequências para a sociedade americana, com um argumento astuto, original e muito espirituoso. Um filme que é desconcertante e que desconcerta o espectador pela sua invulgaridade, e por brincar com as coisas sérias que todos nós estamos sempre a criticar e que fazem o estereótipo repetitivo, mas infelizmente real, dos jogos de poder e de dinheiro das ideologias. Quando o humor da sátira corrosiva de «Bulworth» nos contagia, não deixa, contudo, de nos fazer pensar nos graves problemas que são abordados e que são o pão nosso de cada dia.
★ ★ ★

O Cinema de Hong Kong está de volta a Portugal

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A Mostra de Cinema de Hong Kong volta pela quinta vez a Lisboa, e pela primeira vez, vai estar no Porto! Mais informações neste meu novo artigo para o Espalha Factos!

Life Itself - o documentário sobre Roger Ebert

Está quase a sair o documentário sobre o fantástico Roger Ebert. Vai estrear no Festival de Sundance e nele participa muito boa gente. É realizado pelo homem que fez o filme preferido dos anos 90 pelo crítico («Hoop Dreams») e tem produção executiva de Martin Scorsese. Um filme sobre o homem que era muito mais do que um notável crítico de Cinema, que pretende abordar as várias facetas do maior ícone da escrita cinematográfica das últimas décadas. Este vídeo é um incentivo à campanha para ajudar a pós-produção do documentário.

O Passado e o Presente dos posters de Cinema

Os posters dos filmes já não são o que eram. Antes, o poster era uma das maiores fontes de criatividade do marketing de uma obra. E hoje em dia... é o que sabemos. Um vídeo muito esclarecedor que todos os cinéfilos (e apreciadores desta bela arte - sim, porque fazer posters como se fabricavam nos anos 40, 50, 60, 70, 80 e 90, é uma grande e lindíssima expressão artística) deverão gostar de visionar.

Dois Homens e um Destino (Butch Cassidy and the Sundance Kid) [1969]

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"Most of what follows is true", lemos no início de «Butch Cassidy and the Sundance Kid», após uma introdução peculiar, em que vemos um pequeno retrato dos dois lendários foras-da-lei, em tons sépia, enquanto os créditos iniciais passam. Essa "cor" manter-se-á até uma certa altura da fita, com certamente um propósito específico, e mesmo que tudo o que vejamos a partir daí não seja verdade, tal como o próprio filme nos quer provar, nunca foi esse o grande problema dos filmes western, e da forma como as lendas foram "pintadas" no ecrã pelos grandes realizadores deste género cinematográfico. É de recordar que, com «O Homem que Matou Liberty Valance», ficou imortal a frase "Quando a lenda se torna um facto, publica-se a lenda". E não são as lendas e as ficções que mais gostamos de conhecer, no Cinema e fora dele? Não é a partir das imagens irreais que criamos sobre mesmo as pessoas que mais admiramos, que nos movem e nos conduzem a certos caminhos? …

Novidades e grandes clássicos na seleção do Fantasporto 2014

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Todas as publicações destacaram, com grande ênfase, que o filme preferido de 2013 do Tarantino faz parte da seleção do FANTASPORTO para este ano. Mas há muito mais para descobrir. Saibam tudo na nova notícia que escrevi para o Espalha Factos, aqui!

Filmes em 60 segundos: Fúria (Fury) [1936]

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«Fúria» é uma muito interessante e reveladora incursão no film-noir. Tem uma demolidora interpretação de Spencer Tracy e fala-nos da influência de uma comunidade num indivíduo inocente que, ao ser acusado de um rapto que não cometeu, causa a selvajaria entre os habitantes da cidade onde está preso. A irracionalidade do colectivo ataca a ordem para fazer a sua própria justiça… injusta. Num misto de romance, thriller psicológico de vingança e “courtroom drama”, em «Fúria» vemos uma vítima a transformar-se, ao procurar vingança pelas consequências que as falsas acusações trouxeram à sua vida. Uma obra com um grande poder ainda hoje, onde assistimos à força negativa que um grupo pode exercer na situação individual de cada um. O final pode ter sido manipulado pelos estúdios de Hollywood, e pode quebrar o ritmo das intenções fabulosas de Fritz Lang, mas felizmente, não estraga todo o brilhantismo e genialidade desta sensacional fita. 
★ ★ ★ ★

Adivinha Quem Vem Jantar (Guess Who's Coming to Dinner) [1967]

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Os grandes filmes do realizador Stanley Kramer têm sempre uma preocupação socio-cultural incluída na narrativa (e que a ela atribui um suporte especial), numa sociedade que, apesar de se mostrar idílica e paradisíaca, tem ainda muitos obstáculos para ultrapassar e que não ajudam a concretizar para a realidade essa dita ilusão. Em «Inherit the Wind» vimos o fanatismo religioso a combater as novas formas de pensar, que vão contra a norma estabelecida na pequena cidade do filme. No «Julgamento de Nuremberga» pudemos acompanhar um dos processos de condenação dos homens envolvidos num dos mais horríveis e trágicos crimes da História da Humanidade. E neste «Guess Who's Coming to Dinner», encontramos vários dilemas das relações humanas (e que, ao contrário do que muitos apregoam, não se resume às questões dos preconceitos raciais). O que liga também estes filmes é a coragem de Kramer, que filma histórias sobre temas controversos nas épocas em que a controvérsia é ainda de maior escala, …