sábado, 27 de dezembro de 2014

Mr.Turner [2014]


Timothy Spall protagoniza este biopic pouco convencional, num desempenho que lhe valeu o prémio de Melhor Ator na ultima edição do Festival de Cannes. Mr. Turner é o relato preciso dos últimos 25 anos de vida do pintor Joseph M. W. Turner, que testemunhou grandes mudanças na sociedade britânica do seu tempo, que acabaram por influenciar o seu trabalho, e o rumo cada vez mais atribulado da sua vida. É uma das estreias da semana, e um dos melhores filmes do ano. 

Um artista irreverente, que acabou por ser vítima das mesmas circunstâncias que o tornaram célebre no meio cultural britânico: presenciando uma época marcada por várias transições sociais (e mesmo tecnológicas), acompanhamos as deambulações de Joseph Turner entre críticos e admiradores da sua arte, a conviver com o seu amado pai (o maior de todos os fãs) e com a governanta (com a qual mantém uma obscura relação). Paralelamente, vemos a vida de Turner fora de circuitos tão íntimos, e passamos para a sua importância na vida social da época. Mas o que sobrevive mais na nossa cabeça: a psicologia complexa desta personagem, ou as suas jogadas estratégicas para conseguir sempre vencer, e dar nas vistas entre os seus pares? 

Turner movimenta-se entre todas as classes da hierarquia para se “formar” como personalidade de elevada importância, obtendo um grande sucesso entre as elites cultas. Mas a fama não irá impedir que ele seja alvo de algumas maledicências injustificadas e de um certo desprezo, numa sociedade pontuada pela importância do status e das modas, e que tenta impedir a inevitável decadência da sua estrutura. E aí, e tal como acontece com todos os seres humanos, torna-se um indivíduo pequeno, frágil, que não consegue escapar às partidas da existência… mas ao contrário de tantos outros, Turner deixou um incrível legado histórico – legado esse que levou o realizador a querer fazer este filme. 

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

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