Carvão Negro, Gelo Fino (Bai ri yan huo) [2014]


Um filme de crime e mistério, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e do Urso de Prata para Melhor Ator. Carvão Negro, Gelo Fino é uma história mais ou menos convencional, contada com o auxílio de técnicas menos usuais nos filmes do género, que passou cá primeiro pelo Lisbon & Estoril Film Festival, e que agora chega ao circuito das salas, num lançamento da Alambique.

Carvão Negro, Gelo Fino começa em circunstâncias insólitas. Vemos a despedida, muito pouco formal, entre Zhang e a sua mulher, numa cena que marca o desespero do protagonista, num acontecimento que justificará o aspeto deprimente e desequilibrado do seu espírito, daí para a frente, na narrativa. Foi um divórcio, logo percebemos, e é isto que marca o início de um percurso atribulado, que quer demonstrar algo que vai mais além do que os crimes que têm de ser resolvidos no filme – porque evidencia, também, uma interessantíssima desconstrução psicológica das personagens.

E é aí que assenta a originalidade de Carvão Negro, Gelo Fino: na forma como as figuras da história se movem, sem dizerem ou fazerem aquilo que estamos à espera de ver, ou que pelo menos, encontramos regularmente em muitas “detective stories” cinematográficas (que hoje são predominantemente televisivas) do género. E para isso contribui, também, o tipo de realização que Diao Yinan impôs no filme, e que nos surpreende ao mostrar elementos fundamentais destas histórias de crime com uma outra roupagem (a cena em que vemos o desfecho da primeira investigação, que envolve algumas tragédias, está filmada num impressionante plano fixo em sequência, por exemplo).

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

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