sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Amar, Beber e Cantar (Aimer, Boire et Chanter) [2014]


O último filme do realizador de Hiroshima, Meu Amor e O Último Ano em Marienbad chega finalmente a Portugal. Amar, Beber e Cantar é uma interessante e revigorante comédia dramática, sobre seis personagens à procura de si mesmas e de uma razão para todos os problemas e enganos de que serão vítimas nesta história. 

Seis atores interpretam os membros de três casais, que se veem condicionadas por um sétimo, amigo de todos eles, que os espectadores nunca irão conhecer fisicamente (apenas poderemos saber de quem se trata graças a tudo aquilo que as personagens contam sobre a sua vida, os seus segredos e os seus dilemas no presente). É assim que se desenrolam todas as peripécias de Amar, Beber e Cantar, onde vemos as alegrias e mágoas das personagens, os momentos de rutura de cada um dos casais e os recorrentes ensaios para uma peça, numa narrativa cheia de risos, lágrimas e algum whisky

Se Alain Resnais é um cineasta das relações humanas (filmadas, claro, sempre de uma maneira muito peculiar), este seu derradeiro trabalho demonstra isso mesmo, através de uma perspetiva não muito recorrente (pelo menos, no cinema contemporâneo): se a narrativa já é por si só baseada numa peça de teatro, e se nessa narrativa está incluída uma sub-plot sobre a preparação de uma outra peça de teatro (uma peça dentro da peça), o filme acrescenta uma outra fórmula para aumentar e fortalecer ainda mais o seu lado dramatúrgico: a construção aparentemente cinematográfica dos elementos figurativos e cénicos (como os cenários) é, no seu todo, uma recuperação dos valores do teatro filmado, e de certas formas de se usar a câmara que imperavam nos tempos do mudo (os planos gerais em sequência, muitos deles fixos).

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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