Livros VS Filmes #3 - FAHRENHEIT 451


O LIVRO 
Clássico da ficção científica do século passado, o livro do visionário Ray Bradbury continua essencial para a compreensão dos perigos da modernidade – e enquanto estamos rodeados de computadores, smartphones, tablets e outras parafernálias, tendemos a esquecer o verdadeiro valor dos livros, e a forma como estes simples objectos podem mudar o mundo e muitas mentalidades. Uma obra que se lê de uma assentada, mas a sua filosofia pode criar uma reflexão profunda no leitor, através de uma história que envolve um sistema burocrático que repudia a literatura e que apoia ad aeternum a massificação televisiva e sensacionalista. Muito actual, portanto. 

O FILME 
Não é que a adaptação de François Truffaut seja desprezível, mas a forma como decidiu recriar, visual e narrativamente, o imaginário de Bradbury, não foi a mais bem pensada. Não por causa das limitações de um filme em relação a um livro, mas pelo planeamento da produção, que poderia ter feito melhor com menos recursos e parafernálias dispensáveis. Oscar Werner, colaborador regular do cineasta, é Guy Montag, o protagonista do livro, numa interpretação insegura e desinspirada. O que salva o filme é a incrível montagem, as cenas mais dramáticas e fluídas, e a interpretação de Julie Christie e outros actores. 

O VEREDICTO 
Apesar da maior fragilidade do filme em relação ao livro, e de todos os defeitos que se possam usar para descrever essa adaptação, o tempo fez com que um e outro se tornassem inseparáveis. E vale a pena descobrir ambos, mas começando pelo livro, obviamente.

Terceira edição da rubrica «Livros Vs Filmes», que regressa depois de uma longa ausência. Quinzenalmente, às sextas feiras, sai uma nova edição na página do facebook CulturArt.

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