O Salão de Jimmy (Jimmy's Hall) [2014]


Ken Loach regressa com mais um filme sobre política e as diferentes gerações que compõem uma sociedade em choque, confrontada com as mudanças provocadas pelo progresso e pelas novas mentalidades. O Salão de Jimmy é um pequeno e agradável filme que estreia hoje no nosso país, numa distribuição da Leopardo Filmes

São vários os filmes que utilizaram a dicotomia entre a tradição e a modernidade na criação das suas histórias, personagens e circunstâncias. Casos de excelência como o célebre Inherit the Wind, de Stanley Kramer, um feroz estudo sobre o fanatismo e a irracionalidade da crença, e a desconstrução das subculturas juvenis feita em This is England – Isto é Inglaterra, de Shane Meadows, são dois impecáveis exemplos da eficácia e importância dessa temática no Cinema, e que condiciona, de maneira tão forte, as relações humanas. O choque entre o conservadorismo e a rebeldia (como tão bem sublinha a personagem de James Dean no inesquecível Fúria de Viver, de Nicholas Ray) é uma constante em cada geração: todas terão os seus problemas, insolúveis para as que lhes antecedem, e óbvios para aquelas que lhes irão suceder. 

O Salão de Jimmy poderá não ser um título tão entusiasmante no tratamento dessas simbologias como os anteriormente citados, nem é mesmo um dos grandes filmes do seu realizador, Ken Loach, defensor de um cinema realista que não esquece as convicções políticas e o meio social em que as personagens vivem e fazem o seu crescimento físico e psicológico (são dignos de lembrança filmes como Kes e Sweet Sixteen). Contudo, o mais recente projecto do cineasta britânico, que conta já com cinquenta anos de carreira, prima pela elegância da narrativa e pela simplicidade das interpretações.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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