Nunca Digas Nunca (And So It Goes) [2014]


É uma típica história de amor e de desilusões face ao envelhecimento, como Hollywood sempre gostou de utilizar para fazer reaparecer algumas das suas maiores estrelas (recorde-se o exemplo, muito mais interessante, de A Casa do Lago, com Katharine Hepburn e Henry Fonda). E lembremo-nos que não é o cliché de uma narrativa que a pode tornar desinteressante – poderíamos trazer a discussão algumas boas dezenas de trabalhos de realizadores conceituados, que pegam em velhos chavões das histórias do cinema e que fazem, com elas, filmes que se tornaram mais originais do que poderiam aparentar. 

Mas o objetivo de Nunca Digas Nunca não é esse, desde o princípio. E não há mal nenhum nisso. Se virmos o trailer com atenção, esta parece ser uma comédia totalmente light, sem qualquer tipo de propósitos intelectuais ou criativos, e que não sendo das melhores dessa categoria, poderia até trazer um bom tempo de entretenimento razoável, onde os atores se divertem à grande, elaborado de forma eficaz e com alguma pinta e carisma. Se assim fosse, se esta comédia seguisse esse caminho, algo banal, mas não muito desprezível, não teria razões de queixa. 

O problema é que tudo isso é uma fachada, porque nem como entretenimento ligeiro este Nunca Digas Nunca consegue funcionar bem. Entre as piadas patéticas (onde só uma em cada trinta e sete nos consegue criar uma espécie de sorriso) e as figuras embaraçosas das personagens e das situações “cómicas” em que são envolvidas (quantas vezes é preciso aturar as cenas tão “familiares” que envolvem fezes e sexualidade canina?), parece que encontramos mesmo o constrangimento nos próprios atores. Faz pena ter de ver Michael Douglas a interpretar o homenzinho estereotipado com ar de poucos amigos, numa versão menor do protagonista rezingão e teimoso de Melhor é Impossível (não há que enganar, o argumentista é o mesmo), que de um momento para o outro acorda para a vida.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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