Belém (Bethlehem) [2013]


A Alambique lança entre nós mais um filme impressionante sobre o conflito israelo-palestiniano, duas semanas depois da chegada de Omar, nomeado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, às salas portuguesas. Belém é um drama intenso e uma fortíssima estreia na realização de um grande novo talento do cinema.

Seguindo a melhor tradição dos filmes densos e sofisticados de Michael Mann (onde as emoções entre os dois lados da Lei se confundem num jogo de poder, destruição e chantagem mútuo), Belém reflete o ambiente de tensão entre Israel e Palestina, numa realidade bélica cujas proporções trágicas conhecemos cada vez melhor graças ao pouco que conseguimos saber através dos meios de comunicação social. Tal como tudo o resto, a situação delicada que envolve os dois países gera uma série de consequências e condicionantes, que se traduzem na atitude das personagens, nas suas defesas e nos seus ataques, numa narrativa sólida e construída de uma maneira eficaz e original.

E neste poderoso filme, o realizador Yuval Adler não quer só fazer um retrato da guerra, mas uma abordagem sincera ao perigo das relações humanas e dos interesses de cada pessoa. Aí, nessa conceção, é que encontramos a maior influência, ou semelhança, com alguns filmes de Mann, mais propriamente Heat – Cidade Sob Pressão e Inimigos Públicos. A oposição entre o gato e o rato da questão israelo-palestina (e aqui ambos os papéis se podem confundir nos dois lados da medalha) é uma constante, e não se fica só por uma visão expositiva e desinteressada das violentas guerrilhas entre a polícia e os seus opositores. Adler vai mais longe e não cede a quaisquer tentações facilitistas, proporcionando uma história audaz, perturbante, e que poucas vezes temos oportunidade de contemplar assim, porque está filmada de uma maneira realista e, ao mesmo tempo, fria e sedutora.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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