O Teorema Zero (The Zero Theorem) [2013]


É o novo filme de um dos membros dos Monty Python, autor de excentricidades lendárias como Brazil – O Outro Lado do Sonho e A Fantástica Aventura do Barão. A filmografia de Terry Gilliam é irregular, variando constantemente entre filmes mais e menos interessantes, mas O Teorema Zero está entre os grandes títulos da sua carreira, e é também um dos filmes mais imaginativos de 2014. 

Terry Gilliam regressa às fantasias distópicas e sociais futuristas depois de Brazil e 12 Macacos, e volta a acrescentar a essência criativa, excêntrica e insólita que caracterizam estas suas narrativas que têm tanto de ficção como de crítica à vida quotidiana. O Teorema Zero segue, à partida, algumas linhas básicas que nos recordam Brazil, mas acaba, apesar disso, por ir mais além do que essa história futurista poderia permitir. Não nos esqueçamos que o filme mais conhecido de Gilliam data da década de 80, época em que smartphones e redes sociais não passavam de delírios dos mais lunáticos escritores de ficção científica.

Quer na sua sátira burlesca e detalhada ao poder das novas tecnologias nas relações humanas do século XXI, quer na ilustração do uso dessas mesmas tecnologias na criação de novas formas de divertimento e prazer (que acabam também por desconstruir e reconstruir os mecanismos de comportamento que acabamos por ter com quem nos rodeia), O Teorema Zero elabora também uma reflexão sobre a presença do Big Brother, dispositivo Orwelliano que tudo vigia a todo o momento, mas atribui-lhe uma outra faceta que não deixa de ser curiosa: é que com as novas tecnologias, esse “Grande Irmão” não é apenas da responsabilidade daquela entidade misteriosa.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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