O Fim do Outono (Akibiyori) [1960]


O último dos três filmes do realizador Yasujiro Ozu que chegam esta semana ao Espaço Nimas, em cópias digitais restauradas, é mais uma belíssima reflexão do papel das relações humanas nas mudanças e costumes da sociedade japonesa. Um clássico do cinema oriental que os espectadores portugueses podem agora ver ou rever no grande ecrã. 

O Fim do Outono é a história do início de um ciclo social e da tentativa de tentar renovar outro. Trata-se de uma renovação da história de Primavera Tardia, filme que Ozu assinara no final da década de 40, e que curiosamente, contava também com Setsuko Hara (e com outros atores regulares das fitas do cineasta) no outro papel: o da filha solteira, que nesse caso específico, vive com o pai viúvo, que a tenta casar a todo o custo, enquanto ela prefere ficar solteira para cuidar do seu progenitor. 11 anos separam a estreia das duas obras, e entre ambas verificamos como todo o sistema ético da cultura japonesa não se alterou muito – apenas em pequenas coisas para conseguir acompanhar tudo aquilo que a modernidade trouxe de novo. 

Tal como nos dois filmes anteriores do realizador que estão igualmente em reposição no Nimas, assistimos aos efeitos da passagem do tempo na mudança de papéis que o nascimento das novas gerações provoca nas comunidades humanas – mas não nos esqueçamos que, apesar dos “novos”, os “velhos” não podem ser desprezados, nem renegados ao esquecimento. A mãe quer que a filha siga o mesmo caminho de felicidade que ela, partindo pelos mesmos preceitos e códigos que estão completamente impostos na cultura. Mas a filha não deseja, para a mãe, um final solitário que a sua ausência poderá causar. É um duelo entre obrigações cívicas e a consciência das personagens que põe todas estas vidas em jogo, neste singelo drama familiar. 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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