Night Moves [2013]


O novo filme de Kelly Reichardt, uma das vozes mais influentes do actual cinema independente norte americano, é no fim de contas uma grande surpresa: Night Moves pode não ser para todos os gostos, mas sem dúvida que abalará o sentido cívico e ético de qualquer espectador.

Night Moves acaba por se tornar numa espécie de heist movie ecológico e psicológico, através de uma divagação filosófica com o seu quê de contemplativa e introspetiva, sobre a condição humana numa situação extremamente delicada. A história de Kelly Reichardt está dividida em duas partes: a primeira diz respeito ao plano de execução do crime ambiental pelos três jovens que protagonizam o filme, e todos os passos que detalhadamente elaboram para conseguirem cumprir o seu objetivo da maneira mais eficaz, perturbante (para o establishment) e impactante possível; a segunda revela um outro lado, mais negro e profundo, de uma narrativa que parecia clara e objetiva, já que a cineasta começa, aqui, a explorar as consequências que traz a execução do crime – e que se escapam das mãos dos protagonistas, num desesperante confronto com a realidade que criaram e que da qual já não podem escapar.

É aqui, então, que a fita ganha o lado de thriller, criando-se um volte face psicológico e dramático no destino das peças deste xadrez fatalista: de um filme “certinho”, no que concerne ao facto de retratar uma temática e uma filosofia de vida cada vez mais presente no quotidiano dos seres humanos, Night Moves embrenha-se em caminhos mais labirínticos e difíceis, porque começa a explorar a mente humana e as reações mais ou menos irracionais que os culpados do crime acabam por sentir, na pele, ao saberem das terríveis e imprevisíveis consequências que a sua ação acabou por trazer àquela reserva natural tão maltratada pelas indústrias. Porque se o objetivo do trio era o de condenar as “maldades” das grandes empresas destruidoras da natureza, o castigo que lhe dão passa assim a ser, de igual forma, um castigo para os três, mas com outros contornos, mais psicológicos e menos temporários.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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