Bom Dia (Ohayô) [1959]


É um dos 3 clássicos do Mestre Yasujiro Ozu a estrear, pela primeira vez, no grande ecrã em Portugal. Bom Dia é uma sátira social que se mantém extremamente atual, e que pode ser vista, ou revista, a partir de hoje no Espaço Nimas. Um filme que irá com certeza animar o verão dos cinéfilos lisboetas.

Pode parecer surreal, para as pessoas da geração high-tech que (podemos dizê-lo da forma mais metafórica, mas realista, possível) nasceu com um ecrã táctil no lugar dos olhos, o confronto com um mundo onde a televisão é um bem raro e que apenas alguns podem ter acesso. Poderá ser incompreensível, para as pessoas que vieram ao mundo numa era em que a televisão já se tinha tornado uma parte essencial e vulgar de qualquer casa, e cuja influência já se tinha tornado parte do quotidiano de cada um, que uma história como Bom Dia possa ter usufruído de um impacto significativo – e que pode falar, e muito bem, da forma como a televisão se banalizou e acabou por afetar, de uma maneira mais ou menos condizente com o que os Velhos do Restelo do filme anunciam, as nossas vidas e as nossas relações. 

Ou então podemos modificar o valor material da narrativa de Bom Dia, e de todas as discussões e problemas que daí surgem, para outras épocas e para as controvérsias familiares que causaram apetrechos como os videojogos, os computadores, os telemóveis e, se virmos as coisas de uma perspetiva ainda mais moderna, dos tablets e dos smartphones. Se trocarmos qualquer um destes elementos pela TV que os dois irmãos tanto ambicionam, em nada mudam as peripécias que eles vivem – mas a cada passo tecnológico que damos ao longo do tempo, poderemos ver como cada uma dessas tecnologias conseguiu alterar, no sentido positivo como também no negativo, alguns pequenos pormenores sociais presentes na geração anterior.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

Comentários