A Flor do Equinócio (Higanbana) [1958]


O Mestre Yasujiro Ozu regressa ao Espaço Nimas, depois do sucesso das exibições de Viagem a Tóquio e O Gosto do Saké em 2013. A partir de hoje, os espectadores poderão ver ou rever mais três clássicos do realizador japonês, em cópias digitais restauradas. Um deles é A Flor do Equinócio, primeiro filme a cores do cineasta.

Casamento, relações familiares e conflito de gerações são temas recorrentes do Cinema de Ozu, que elaborou, com este filme, um outro olhar contemporâneo sobre os rígidos códigos de conduta da sociedade japonesa do seu tempo. Com todas as marcas visuais, estilísticas e narrativas que tornaram única a obra do realizador, A Flor do Equinócio segue as linhas daquele que poderia ser um banal drama familiar, mas consegue ser muito mais do que isso. Aliás, porque como Ozu não é igual aos outros, não poderíamos esperar uma recriação de temas mundanos e eternos da experiência humana que recorresse aos métodos mais vulgares utilizados para se contarem histórias que se enquadram nestas categorias narrativas.

É a aproximação agridoce a uma realidade social que pode parecer estranha aos espectadores ocidentais, mas que não deixa de ter os seus pontos de contacto com a História do nosso país e nas coisas que, graças a uma mudança de mentalidades gradual, se tornaram coisa apenas ligada ao passado. Apesar de estar relacionada aos preceitos e costumes da cultura japonesa, a ideia de casamentos combinados, originados pela ambição de estatuto social por parte dos familiares das “vítimas” e que opunham o verdadeiro amor entre marido e mulher a um futuro estável e economicamente agradável para ambas as partes, nunca deixou de ser, infelizmente, universal – e há regiões do planeta onde casos destes ainda se sucedem, com a maior normalidade de todas.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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