Quase Gigolo (Fading Gigolo) [2013]


Esta é, provavelmente, uma das histórias de amor mais insólitas a estrear nos cinemas portugueses em 2014. Senão vejamos: há um gigolo improvável no centro da narrativa, os desejos que desperta em senhoras da alta sociedade nova iorquina e a paixão que se desenrola entre ele e a personagem mais contida e conservadora da trama. Será isto uma surpresa? Não, porque romances que rumam em busca da simplicidade têm sido, desde sempre, uma das ferramentas mais usadas e abusadas pelo Cinema – mas se a mesma história é contada outra vez, John Turturro sabe mostrar como aquilo que já conhecemos pode voltar a ter encanto. O seu próprio encanto. 

É um romance desajeitado – na diferença de preceitos e contradições religiosas que constrói barreiras entre Fioravante e a viúva judia – e uma crítica aguçada a um modo de vida americano muito marcado pelas raízes judaicas que marcam a História do País (e a própria História do Cinema – numerar todos os judeus influentes da indústria revela-se uma tarefa de difícil precisão e execução), e pelas regras que as mesmas impõem. Turturro explora a vida e os bairros onde cresceu e cria pontos de contacto também com o próprio Woody Allen e as reflexões teológicas que fez em vários dos seus grandes filmes (Ana e as Suas Irmãs e Crimes e Escapadelas são dois dos casos mais marcantes). E esta é uma das maneiras pelas quais a comédia aparentemente convencional mostra ser diferente, tal como na abordagem das relações humanas e das interações que criamos uns com os outros. 

Apesar da sua aparente simplicidade (termo que aqui deve ser considerado sinónimo do adjetivo “simplista”), Quase Gigolo não se trata de “mais um filme” a estrear em Portugal: tem o seu quê de curiosa a sua passagem pelo nosso país, e mesmo que vá dividir opiniões, vale a pena descobrir este conto erótico e filosófico que reflete as divergências da religião que influenciam o modo de vida as pessoas que a praticam (como de igual forma as que não são crentes) e os dogmas que ainda são muito presentes – neste caso em particular no judaísmo, fortemente sentido nas pequenas comunidades fechadas e conservadoras, que o filme retrata de uma maneira relevante.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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