Nova rubrica - Os discos dos QUEEN


Não se questiona o poder da banda de John Deacon, Roger Taylor, Brian May e Freddie Mercury, no que diz respeito à criação de grandes êxitos comerciais, que se diversificavam entre as mais profundas baladas românticas até aos mais potentes épicos de rock, com alguma ópera mas "sem sintetizadores" (pelo menos, durante alguns anos). Em 1973, os QUEEN surgiam com um álbum enigmático, que se tornou rapidamente num enorme sucesso de vendas, e que colocou no ouvido de todos os melómanos «Killer Queen» e «Seven Seas of Rhye». O culto continuou, e a cada novo passo, o quarteto não deixavade surpreender, partindo para caminhos e estilos musicais sempre alternativos e desconcertantes. Mesmo na fase mais pop do grupo (claramente a década de 80) conseguimos ver como eles souberam dar o seu toque e a sua extravagância muito particular a uma cultura "mainstream" que poderia ficar-se apenas pela vulgaridade das músicas descartáveis de "one hit wonders" e de certas vagas celebérrimas da música da época. Porque enquanto os anos 70, 80 e 90 continuam a ser designados como tal, os QUEEN não perderam o "sense of wonder" de sempre e poderão ser associados a qualquer ano, década ou século, já que álbuns como «A Night at the Opera» e «Innuendo» continuam sempre a ser surpreendentes e inspiradores.

Eis então, o que eu quero dizer com tudo isto: sou um grande fã da banda, mesmo que isso implique que certas pessoas me comecem a julgar com outros olhos. E nas últimas semanas, voltei a escutar várias canções da banda com uma enorme regularidade (quase obsessiva). Mas - e tal como os outros grandes conjuntos musicais - os QUEEN não podem ser limitados aos êxitos, por muito bons que sejam - e que acabaram por criar aquela imagem de falsa "piroseira" que muitos ainda, com grande persistência, ainda gostam de associar a este conjunto. Há pérolas escondidas para descobrir, há momentos bizarros que merecem ser escutados, há letras geniais que merecem ser compreendidas com um nível de atenção superior.  

O que me proponho fazer, no intuito de responder a essas intenções, é re-ouvir, na íntegra, os discos de originais dos QUEEN e fazer análises mais ou menos extensas sobre os mesmos. Muitas das canções do grupo funcionam muito bem de forma isolada, mas em certos casos, como o da «Opera», tudo soa de maneira diferente se o álbum for escutado do princípio ao fim, sem saltos de "tracks" ou paragens aleatórias. Estas análises serão livres, seguindo um estilo parecido com o que uso para falar de filmes aqui no blog, sendo que, sobre alguns discos, terei mais coisas a dizer do que doutros (e não serão propriamente os grandes álbuns que têm mais para contar...). Farei de crítico sem qualquer tipo de pretensão para tal (como acontece nas pseudo-coisas sobre Cinema que vou escrevendo de quando em vez), dissecando as canções e procurando ir à raiz dos grandes temas da banda - e que não se encontram, necessariamente, entre os maiores hits que toda a gente já ouviu até à exaustão. Uma boa parte está lá... mas há muito mais para descobrir. E essa descoberta poderá proporcionar uma nova visão mais alargada do poder criativo dos quatro elementos deste conjunto. Eu espero que isso possa acontecer.Esta é mesmo uma daqueles bandas que vale a pena conhecer a fundo - e não pensem que, como fã incondicional, que admiro tudo na discografia dos quatro extravagantes. Vou avaliar cada álbum, com as estrelinhas também das críticas de Cinema, e assinalar aquilo que gosto mais e/ou desgosto mais em cada um dos dezasseis títulos. Mas isto não pretende ser uma análise formal aos discos: irei ser o mais subjectivo que puder. Ou pelo menos, o mais suportável possível.

Assim, nesta rubrica semanal, que terá início já no próximo sábado, dia 14 de junho, irei analisar, ao ritmo de um por semana, as músicas, as curiosidades e as raridades de todos os quinze álbuns de estúdio lançados pelos QUEEN, desde a estreia de 1973 até «Made in Heaven», álbum de 95 lançado sem Freddie Mercury. Obviamente, não se falará aqui da fase Paul Rodgers ou das novas andanças de May e Taylor com o vocalista Adam Lambert - não pretendo ferir os sentimentos dos fãs, nem os meus. Apesar de eu não acreditar muito que o tão aguardado álbum «Queen Forever» seja uma maravilha (que irá conter gravações nunca antes ouvidas dos QUEEN ainda com Mercury - ou seja, poderá ser uma espécie de «Made in Heaven» parte II), o mesmo poderá ser incluído nesta rubrica se, antes do encerramento da mesma, já tiver sido finalmente lançado. Não farei distinções ou elitismos: respeito todos os géneros musicais e, na minha sincera opinião, os QUEEN fizeram experiências fascinantes nos vários estilos que impuseram ao longo do seu currículo. 

Para já, fica a lista dos 15 discos dos QUEEN, sobre os quais poderão ficar a conhecer a opinião deste rapaz. E aproveitem para reencontrarem-se com estas obras. Porque em «The Works», por exemplo, há «Radio Ga Ga» e «I Want to Break Free», mas ainda aparecem «Keep Passing the Open Windows» e «Is This the World We Created...?». Espero que gostem desta viagem musical e cultural. Eu cá estarei todas as semanas para vos receber!

QUEEN [1973]
QUEEN II [1974]
SHEER HEART ATTACK [1974]
A NIGHT AT THE OPERA [1975]
A DAY AT THE RACES [1976]
NEWS OF THE WORLD [1977]
JAZZ [1978]
THE GAME [1980]
FLASH GORDON [1980]
HOT SPACE [1982]
THE WORKS [1984]
A KIND OF MAGIC [1986]
THE MIRACLE [1989]
INNUENDO [1991]
MADE IN HEAVEN [1995]

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