Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas (A Million Ways to Die in the West) [2014]


Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas: quando Family Guy encontra o velho Oeste e o confronta num duelo pacífico, onde a provocação da maior gargalhada é o prémio que está em jogo. Talvez seja a forma mais sucinta, e contudo, mais apropriada, para se resumir o espírito da nova comédia de Seth MacFarlane, que sucede o grande êxito de bilheteira Ted (cuja sequela está já em preparação). O filme parodia os westerns e a mitologia desta lendária época da História dos Estados Unidos da América, pegando em elementos que tentam satirizar aquilo que o lado heróico dos títulos do género tenta “esconder”: as condições de vida degradantes e deprimentes daquele tempo e o atraso que marca todo o sistema de “Lei do Mais Forte”, que caracteriza tão bem esta etapa evolutiva do país. 

É uma homenagem ingénua e despretensiosa ao western. Não é este o objetivo da história de Seth MacFarlane, mas é inevitável que nele encontremos algumas referências carinhosas aos grandes filmes do género que povoam o imaginário da Hollywood clássica… e que marcaram o Cinema. Muitos críticos tentarão criticar a obra pela falta de “rigor” dessa homenagem e pelas supostas obrigações que deveria cumprir (se desempenhasse esse papel de tributo), mas temos de colocar os pontos nos is: o comediante só quer parodiar, de forma pura e dura, os pequenos detalhes que apenas ele e a sua equipa conseguem descobrir e apurar com tanta criatividade e humor. E conseguem fazê-lo de forma hilariante. Pode não ser tão consistente como Balbúrdia no Oeste, o spoof de Mel Brooks aos filmes de “coboiada”. Mas tem os seus méritos próprios e proporciona grandes doses de divertimento – especialmente para todos aqueles que apreciarem o humor menos abrangente e “desagradável” de MacFarlane

Mas apesar também da grande convencionalidade da história, o filme vale mesmo pelas suas fabulosas personagens (e todos os símbolos que representam), pela versatilidade dos seus bons gags e pelas magníficas interpretações do elenco, onde encontramos vastíssimos e surpreendentes cameos de diversas personalidades, que ajudam a dar a volta a uma comédia que podia ser tão óbvia, seca e desinteressante como tantas outras. Noves fora, as coisas más ficam de lado com a quantidade de gargalhadas que proporcionam as boas.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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