quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jogo Fatal (House of Games) [1987]


What I'm talking about comes down to a more basic philosophical principle: Don't trust nobody.

Da estreia na realização do genial dramaturgo David Mamet, saiu um filme invulgar que não parece ser muito falado: «House of Games» é esse jogo de fatalidades em que a protagonista participa, sem saber quais serão as consequências dos seus atos e da confiança que deposita em Mike (Joe Mantegna), um "crook" habilidoso e mentiroso que a leva  a ser culpada e simultaneamente vítima de uma espiral de acontecimentos perturbantes e misteriosos. Os enganos, as falsas aparências e os mal entendidos que se criam causam dúvidas em Margaret (Lindsay Crouse) mas também a nós, espectadores inocentes que conseguimos ser ainda mais ingénuos que ela, sem sequer darmos por isso. E tentem esquecer, ao longo do visionamento, que Crouse não parece muito apta para o papel que desempenha - há muito mais para ver, e entender. E no fundo, talvez aquele jeitinho meio desajeitado da atriz a interpretar a protagonista tenha os seus propósitos próprios...


«House of Games» tem as suas falhas? Sim. Mas não deixa por isso de ser um dos textos mais surpreendentes e fantásticos de Mamet. Tem uma intensidade impressionante, propícia a diversas reviravoltas problemáticas que só servem para nos confundir mais em relação à natureza da personagem de Mantegna, e para nos proporcionarem mais agradáveis momentos de frustração emocional. A complexidade é notável, porque se olharmos descuidadamente para esta fita, nela não encontramos nada que a possa tornar cerebralmente torturante (o visual não é extravagante nem difere de muitos outros tantos filmes dos anos 80, e os atores falam da maneira mais corriqueira possível), mas é na sua subtileza e engenho que se encontra esse ingrediente, que acaba por ser o mais fatal de todos, neste puzzle cheio de armadilhas e pequenos truques vigaristas. Uma estreia de génio para um genial contador de histórias, que com habilidade e pouca ligeireza, confronta o espectador com um mundo desprezível, sabendo construir este seu "jogo fatal" de mentiras e ilusões sem se esquecer de fazer com que o público acabe por cair sempre na incerteza do desconhecido.

* * * * 1/2

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