sábado, 19 de abril de 2014

Jovem e Bela (Jeune & Jolie) [2013]


Numa época em que são lançados “milhentos” trailers e spots publicitários que conseguem revelar mais coisas sobre um filme do que deveria ser legal e culturalmente aceite, é aconselhável não se ler muito, nem se ver nada, deste Jovem e Bela, antes de se proceder ao visionamento da fita. Há uma série de pormenores simples e bonitos que podem ser danificados graças a essas excessivas promoções que, lá está, destroem o produto que querem vender antes de ele poder ser devidamente apreciado. Se a história de Ozon pode ser vista como um elogio à banalidade sexual dos nossos dias, como aponta essa publicidade, nada poderia ser mais errado, porque o cineasta combate essa própria ideia, desmistificando-a com esta personagem invulgar e fascinante. 

Pode ser, em parte, um filme difícil de digerir e de compreender, já que as regras do jogo, e as pessoas que por elas se guiam, mudam mais depressa do que aquilo que podemos estar à espera (tal como são repentinas e inesperadas as mudanças do espírito sexual juvenil). Por isso mesmo, não será este um filme importante, por fala de vários tipos de decisões – e que não são apenas as puramente sexuais? Não será esta uma obra marcante do Cinema contemporâneo porque retrata o corriqueiro sem partir para estereótipos errados, que associam a juventude a temáticas gerais que pouco ou nada caracterizam cada indivíduo (porque essa idade não corresponde só ao sexo – apesar de fazer, obviamente, parte, e por isso, Ozon, não o pode deixar de fora)? 

Singular drama humano de costumes europeus e universais, marcado pela era digital e tecnológica que domina o nosso cérebro, domínio esse que não deixa, mesmo assim, de evitar com que o ser humano se confronte com os dilemas mais intemporais da espécie. E um deles é o amor, e a diferença entre estar-se apaixonado e o puro espetáculo teatral e hipócrita dos jogos da prostituição. Jovem e Bela é um filme sensivelmente comprometedor, e uma das peças mais interessantes da carreira de um dos realizadores mais conceituados do Cinema francês. François Ozon volta a arrasar-nos, sendo mais explícito ao falar de coisas que conhecemos bem, mas que preferíamos não saber que existem.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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