segunda-feira, 21 de abril de 2014

8 1/2 - O Último Imperador [1987] / O Capital Humano [2013]


É um dos títulos mais conhecidos do realizador de O Conformista e O Último Tango em Paris, mas infelizmente, não se trata de um dos mais celebrados da sua filmografia. Apesar disso, esta obra-prima sobre a vida de Pu Yi (John Lone), o último imperador da China, foi alvo de uma reconversão a três dimensões, exibida pela primeira vez no Festival de Cannes do ano passado (na secção Cannes Classics). E no último dia da Festa do Cinema Italiano chegou à Sala Manoel de Oliveira, numa sessão que demonstrou, mais uma vez, a enorme beleza das imagens deste filme, tão bem compostas por Vittorio Storaro (que antes da projeção iniciar, explicou pormenorizadamente o simbolismo de cada uma das cores utilizadas para O Último Imperador, representativas das várias fases da vida social e psicológica da personalidade e da época conturbada em que viveu), e magistralmente dirigidas por Bertolucci.


O Capital Humano é uma história contada em várias perspetivas, sendo que cada uma nos dá mais pormenores sobre o drama central que se desenrola. No que parece ser apenas uma narrativa simples e objetiva, o filme de Paolo Virzì evolui à medida que descobrimos novos pontos de interesse nas personagens e nas suas pequenas histórias pessoais. Além de mostrar como tudo pode ser relativo (e como todas as pessoas têm algo a esconder, por trás da hipocrisia com que se mascaram no quotidiano), a obra filma a decadência do modo de vida italiano e do eterno confronto entre classes, onde alguns tentam ascender a lugares impossíveis, e outros tentam manter o seu status elevado no meio de uma concorrência económica e familiar feroz.

A última crónica dos meus diários da Festa do Cinema Italiano pode ser lida no Espalha Factos. A terminar a jornada, irei publicar a pequena entrevista que fiz a Vittorio Storaro, após a exibição de O Último Imperador.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).