sexta-feira, 21 de março de 2014

O Sonho de Wadjda [2012]


O Sonho de Wadjda foi a primeira obra escrita e realizada por uma mulher saudita, e o primeiro título a ser rodado integralmente na Arábia Saudita. Por isso, Haifaa Al-Mansour não só assinou um feito notável em termos artísticos, como também a nível histórico e social. Não é todos os dias que algo do género chega a terras lusas: estamos perante o início de uma nova forma de se fazer Cinema, num país que, infelizmente, continua a defender rígidas e apertadíssimas leis fundamentalistas e discriminatórias.

O que faz a realizadora, com as circunstâncias e condicionamentos da Arábia Saudita e a história (simples, mas bonita) que tem em mãos, não poderia ser mais apropriado: com a coragem de ser a primeira mulher a realizar um filme naquele país, Haifaa Al-Mansour aproveita para dissecar todas as desigualdades entre sexos que se sentem diariamente naquela cultura, acompanhada por uma ligação demasiado dependente às ideias religiosas, presentes em todos os pormenores do quotidiano (sendo que a maioria deles podem causar choque a nós, espectadores de países ocidentais).

Ao explorar uma sociedade muito restrita e contraditória, O Sonho de Wadjda aproveita a coragem das suas intenções para nos trazer uma experiência precisa e direta sobre os valores árabes ancestrais na contemporaneidade. Tal como a protagonista, que não se preocupa em prever as “feridas” e ruturas que terá de provocar para conseguir a tão amada bicicleta, também Al-Mansour decide, corajosamente, não ceder às ordens do Cinema convencional do seu país, mostrando a realidade tal como ela é, sem ter a ausência de alguma coisa ou a presença exagerada de situações emocionais.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).