domingo, 16 de março de 2014

Fruitvale Station - A Última Paragem [2013]


Recorrendo a técnicas vulgares do Cinema do nosso tempo (como a câmara desorientada e obcecadamente documental), eis uma película que se propõe a quebrar outras vulgaridades, ao nível da elaboração da narrativa e da montagem: Fruitvale Station começa com uma gravação amadora e anda para trás e para a frente na linha temporal da história dramática e cativante de Oscar, sem cair em sentimentalismos fáceis (como outros filmes extraídos de “histórias verídicas”). 

Vemos um retrato indie do lado urbano e suburbano da América, que sendo de curta duração, acaba por pecar em, mesmo assim, parecer demasiado longa. Mas é impossível que o espectador não se deixe levar pelos pequenos dramas familiares que poderá ver, mesmo que alguns deles tenham um lado demasiado propositado e convencional. O que interessa aqui é a mudança da personagem principal, e todas as coisas que decide fazer para tornar essa mudança viável, quer seja pelas pequenas mentiras que Oscar conta às outras personagens para justificar os seus atos, quer pela importância que atribui a todos os que o rodeiam.

Ryan Coogler não cede à típica “poesia” emocional estupidificante, proporcionando um lado mais inteligente e subtil ao filme e abordando com inteligência e impacto uma série de temáticas que estão inerentes à sociedade norte-americana (sim, o racismo é uma delas). E Michael B. Jordan é o melhor de Fruitvale Station, num magnífico e impressionante leque de atores. Uma interpretação audaz, sem deixar de ser humana, sensível e credível, aproveitando as várias e contraditórias andanças do protagonista para criar uma composição notável, orientando-se muito bem entre a “realidade” e a ficção que paira na fita.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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