Quando Tudo Está Perdido (All is Lost) [2013]


Quem espera de Quando Tudo Está Perdido um filme de ação Hollywoodesco, repleto de efeitos especiais e de excessivas sequências de suspense e histeria, irá ver que nada disso poderá encontrar neste projeto curioso realizado por J.C. Chandor. Aqui não há espaço para artifícios nem para grandes manipulações cinematográficas, porque vemos a solidão do protagonista em todo o seu esplendor, à medida que luta, com todos os meios de desenrrascanço, contra as águas selvagens e imparáveis que não estão dispostas a deixá-lo escapar.

Fascinante e reflexivo, Quando Tudo Está Perdido é um filme sobre a dureza de se estar só num ambiente de solidão e do qual não se consegue fugir. Os fiozinhos de esperança com que o homem se depara são a única coisa que lhe resta para conseguir suportar todo aquele sofrimento, que só ele sente, enquanto o mundo continua a girar, sem ter qualquer conhecimento desta e de outras tragédias marítimas, apesar de estarmos cada vez mais interligados digitalmente uns com os outros.

Uma tempestade que nunca deixa vir a bonança cria uma ode à resistência humana que J.C. Chandor dirige com grande sabedoria. Depois de em Margin Call ter filmado o caos criado por uma crise financeira, nesta segunda longa-metragem o realizador recria a desordem da naturalidade e a turbulência de um indivíduo que perde tudo no mar, sem ter culpa de nada. Robert Redford aguenta sozinho todo este filme, mas a sua prestação vale por um elenco inteiro – com muito pouco e quase nunca abrindo a boca, ele consegue dizer muito mais do que se possa pensar.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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