O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club) [2013]


Matthew McConaughey está a ressuscitar em boa hora em Hollywood, e Jared Leto atinge um novo patamar de talento com «O Clube de Dallas», um filme que nos deixa desconfortáveis e impressionados ao mesmo tempo. Um drama tragicamente cómico, com grandes diálogos que revelam os podres da sociedade e da sua reacção preconceituosa ao vírus HIV, nos primeiros anos da propagação da doença. «Dallas Buyers Club» é um conto sobre o desconhecimento e a discriminação da SIDA, pela história de um homem que entra numa batalha contra as burocracias da indústria farmacêutica norte-americana para poder ter os medicamentos que necessita, e que o país não considera legais. E ainda no século XXI, o problema mantém-se, e os preconceitos continuam, algo que é muito bem retratado pela força das performances e do argumento provocador, que é uma reflexão dos nossos tempos angustiantes e preocupantes, onde continuamos sem saber quem são os verdadeiros culpados desta luta de poder e interesses económicos que põe em risco muitas vidas.


Os dois atores não estão brilhantes em «Dallas Buyers Club» por aquele pormenor que muita gente meteu na cabeça e que está a condicionar várias opiniões: a perda de peso de McConaughey e a transfiguração de Leto. Ambos os artistas ocupam um dos lugares cimeiros na competição dos Oscares porque, apesar do trabalho de caracterização ser sensacional, é na força das suas expressões, das suas vozes e do drama que estão a interpretar que se encontra a grande genialidade das suas interpretações. E mais do que um forte melodrama (género que não deve ser tão menosprezado quanto parece aparentar – sim, faz bem sentir algumas emoções mais fortes em grandes fitas como é o caso desta), o filme de Jean-Marc Valée (realizador de «A Jovem Vitória») é uma reconstrução de um caso verídico que aborda problemas reais, que possuem um impacto que transcende qualquer floreado da ficção.

* * * * 1/2

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