Uma nota sobre o caso do Meco

Meco: vítimas vistas a rastejar com pedras atadas aos pés

Antes de entrar para a faculdade, uma das coisas que mais me assustava era a ideia que eu tinha da praxe, tal qual as via em filmes como «A Rede Social» e em casos parecidos com este que está a ser investigado.
Nesse aspeto tive sorte. Na FCSH, a praxe não chega a exageros nem a humilhações nem a extremos como estes que são relatados na reportagem, e mais do que a lembrança das pequenas brincadeiras que retirei dessa semana memorável, ficaram laços de amizade feitos entre os caloiros e os veteranos que permanecem firmes.
Convém por isso não generalizar, mas infelizmente, há muita irresponsabilidade noutros lugares. A selvajaria abunda ainda nas mentalidades de muito jovem, que não olha a meios para atingir os seus fins - mesmo que os fins impliquem pôr vidas inocentes (e também algo ingénuas, porque não sabem o que as espera) em risco. A praxe não deveria ser um ritual de iniciação que, tal como se fez em CC, acolhe os novos alunos e os apresenta ao mundo em que acabaram de entrar? Não deveriam as praxes afastar-se da anarquia e da estupidez de casos como o deste grupo de jovens, em vez de se tornarem autênticos exemplos de atos animalescos?
Supostamente, num mundo civilizado, seria pelo melhor dos outros que rituais como este seriam elaborados. Mas a burrice, a intolerância e o desejo de humilhar os outros prossegue como um dos "greatest hits" da humanidade.
À juventude que está a pensar ir para faculdades em que se pratiquem estas autênticas atrocidades, digo-vos isto: tenham a coragem de dizer NÃO à idiotice alheia. É que a obediência cega a ordens impostas por por quem não sabe o que está a fazer, diz-nos a História, nunca dá bom resultado...

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