quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tolstoi e a história de Khadji-Murat


Para Harold Bloom (numa citação que preenche a parte superior da capa da edição de «Khadji-Murat» da Cavalo de Ferro), esta é "a melhor história do mundo, ou pelo menos a melhor que eu li até hoje". Opiniões à parte, há coisas para serem elogiadas nesta narrativa minuciosa que, com tanta minúcia, perde-se no essencial e nos valores das situações descritas para dar mais importância aos pormenores. Lev Tolstoi conta, neste pequeno livro, as peripécias do guerreiro chécheno homónimo, uma figura com um grande poder de liderança. Amado pelo seu povo, que nele confia cegamente, Khadji-Murat aventura-se entre inimigos e possíveis aliados enquanto a guerra perdura, um conflito que foi causado pelo desejo de mais poder e pelos excessos de controlo e de domínio dos mais fortes nos mais fracos. Último romance de Tolstoi, «Khadji-Murat» não será, no entanto, um dos títulos mais notáveis da sua bibliografia. Mas é uma delícia ler a inteligência do autor e o cuidado que mostra em contar ao leitor todos os esquemas militares e políticos que foram postos em prática no combate, e nas amizades e traições que descobrimos e que desvendam as maiores fragilidades da espécie humana. Contudo, acima disto, está a história de um povo e da sua sobrevivência, representado pelo seu líder, que apenas pretende salvar a sua pequena comunidade da destruição perpetuada pelas maiores forças que a ela se opõem.

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