1984 - quando um grande livro ultrapassa os limites da realidade


Dizer que «1984», de George Orwell, é uma obra que possui uma fortíssima atualidade, já todos nós sabemos (e aliás, o aumento do número de vendas do livro nos EUA depois do escândalo da NSA ainda auxilia mais esse facto). Ao afirmar que a história distópica e (apenas figuradamente) futurista sobre Poder, Opressão e Manipulação é um alerta para o lado mau de qualquer ditadura, também não estou a acrescentar nenhuma novidade opinativa sobre esta obra prima literária. E ainda, ao manifestar a minha consideração de que o valor da história e das situações de «1984» torna-o uma peça de leitura obrigatória para qualquer ser humano, também não poderei acender novas luzes sobre esta narrativa. 

De tão bom que é «1984» e de tanto que já se disse e se escreveu e se debateu sobre o livro, parece impossível acrescentar-lhe alguma coisa de novo, no meio de um mar vasto e infindável de opiniões e interpretações que existem sobre a sua construção e as intenções de Orwell. E eu, um simples e ingénuo leitor/devorador de livros que me despertem a atenção como este me despertou, não poderei dizer mais nada de interessante ou relevante sobre «1984». Daí eu já ter lido a obra há uns meses e só agora é que consegui escrever alguma coisa sobre ela - mas infelizmente, não está a sair nada de jeito.

Talvez reste apenas a experiência do leitor. Sim, porque lemos as opiniões sobre um determinado objeto cultural especial e particular, mas quando o consumimos e quando o sentimos, entramos noutra dimensão interpretativa que nunca caberá em qualquer ensaio ou dissertação ou conversa que se possa ter sobre ele. «1984» é um desses livros que nos deixa perturbados e confusos, e que desperta em nós um certo desejo de querer mudar o mundo. É uma delícia ler cada página da ficção (tão verídica) inventada por Orwell, e tão bem traduzida para português pela Antígona, e percebermos que este é um dos poucos livros que nos despertam os sentidos como os "vulgares" não conseguem fazer (sensação parecida com a que nos oferecem os grandes filmes, os grandes álbuns, as grandes peças, etc).

Mas apesar de «1984» ser o livro mais famoso de Orwell, convém não esquecer que há outra obra prima, mais curta e mais incisiva, mas que é igualmente recomendável: «O Triunfo dos Porcos» («A Quinta dos Animais», numa tradução mais recente e que segue literalmente o título original). Ambos os livros lidam com a sociedade e os jogos de poder que se criam entre classes e "chico-espertezas" políticas e institucionais. Duas peças literárias que são um murro no estômago para o leitor, e que devem, ou melhor dizendo, têm de ser lidas. Depois de descobertas estas duas obras, talvez fiquemos a perceber um pouco melhor os grandes males que atravessarão para sempre este nosso mundo...

Comentários

  1. Por acaso, acho que hoje em dia, estamos numa altura em que surgiu a oportunidade de dizer coisas novas sobre este livro. O fenómeno das redes sociais levanta todo um novo debate mas ao contrário, diria eu. Ou seja, em vez de ser um poder central a instituir uma ditadura, que tal vermos como todas as pessoas entregam voluntariamente a sua privacidade (exemplo, facebook) e começam mesmo a ser intolerantes em relação às que não o fazem (exemplo, não ter facebook)? Isto dava pano para mangas, pois claro, mas fica só o apontamento

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    1. É uma ótima questão a que colocas Pedro!

      Obrigado pelo comentário e um Abraço,

      Rui

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