quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Os 10 Melhores Filmes de 2014


4. - Grand Budapest Hotel
5. - O Acto de Matar
8. - Belém
9. - Mr. Turner
10. - Cavalo Dinheiro

Sem ter tempo para ver tudo o que queria (um dos filmes que me faltou foi «A Imagem Que Falta» - irei tentar resolver a falha no ano que está quase a chegar), ´foram estes os dez filmes que seleccionei para o top anual do Espalha-Factos. E fiquei triste de não poder incluir realmente aquele que seria o verdadeiro n.º 1 desta lista: «The Wind Rises», a obra prima de despedida (será mesmo?) de Hayao Miyazaki. Não chegou a estrear em sala, como estava inicialmente previsto, em 2014, e agora anunciou-se que uma nova distribuidora, a Outsider Filmes, vai mesmo lançar o filme em 2015...a ver vamos. 

Foi um ano marcado por grandes surpresas, e algumas delas tive de deixar de fora deste top, como «Snowpiercer - Expresso do Amanhã», «Capital Humano», «12 Anos Escravo», «Frank», «Her», «O Congresso», «20.000 Dias na Terra»... Mas as listas de nada valem, e sim os filmes. Vejam estes todos. Valem a pena!

Um outro top especial está a ser preparado, em que digo quais os "outros" melhores filmes (que, de qualquer maneira, serão sempre superiores a todo e qualquer filme presente nesta e noutras listas do género, que têm saído em massa nos últimos dias) que vi este ano. O que será? Mais não digo, fica para daqui a alguns dias a postagem. Por agora, apenas desejo, para todos vós...

BOAS ENTRADAS!!!


... e que vejam (SEMPRE) bons filmes!


“Hollywood, tens cá disto?”: O Sangue (1989)


No mês em que (finalmente) se estreou em Portugal o último filme de Pedro Costa, o enigmático Cavalo Dinheiro (que foi antes aclamado em vários festivais internacionais), vale a pena recordar a primeira das suas obras, que é a mais conhecida entre todas as que compõem a sua filmografia. Além de ter lançado rapidamente o cineasta para o pódio dos grandes nomes do cinema contemporâneo, O Sangue é um filme que sobreviveu à passagem do tempo, e que hoje, está melhor do que nunca. 

É mais uma edição da rubrica "Hollywood, tens cá disto?", que pode ser lida no Espalha-Factos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Recordar: Peter O'Toole


Na última edição do ano da rubrica "A Recordar", recordamos o ator Peter O’ Toole, que nos deixou há cerca de um ano, e alguns dos seus melhores papéis, incluindo (obviamente) o protagonismo que obteve em «Lawrence da Arábia». Uma carreira em revista no Espalha-Factos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Mamã (Mommy) [2014]


Xavier Dolan regressa, pela segunda vez em 2014, às salas nacionais. E, desta vez, é com Mamã, um filme muito peculiar sobre a relação não menos invulgar entre uma mãe e o seu filho problemático. Este é um dos acontecimentos mais marcantes da reta final deste ano cinematográfico. 

Uma mãe viúva, desenrascada e sem papas na língua, e o seu filho de 15 anos, imparável, carismático e violento, num Canadá com o seu quê de distópico (Dolan insere, numa narrativa realista, uma dimensão social fictícia, que acabará por criar uma outra perspetiva em certas situações da história), protagonizam uma história de sobrevivência na vida mundana, dominada por números, rótulos e burocracias, e que cada vez menos pode ser associada com a palavra “Humanidade”. No caminho ainda conhecem uma vizinha caricata e vivem uma série de questões que os tentarão ajudar a enfrentar o caos… ou talvez não. 

Diz-se que só se consegue escrever um bom livro depois dos 40, mas agora não sabemos se isso poderá mesmo ser verdade na questão do cinema, ou pelo menos, com este caso em particular. Porque apesar de algumas jovialidades notórias, em termos visuais e psicológicos, Mamã sobrevive no nosso imaginário como uma história perfeitamente adulta, em que os artifícios estéticos mais não são que um acompanhamento para uma narrativa que tem os pés bem assentes na terra. 

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

Mr.Turner [2014]


Timothy Spall protagoniza este biopic pouco convencional, num desempenho que lhe valeu o prémio de Melhor Ator na ultima edição do Festival de Cannes. Mr. Turner é o relato preciso dos últimos 25 anos de vida do pintor Joseph M. W. Turner, que testemunhou grandes mudanças na sociedade britânica do seu tempo, que acabaram por influenciar o seu trabalho, e o rumo cada vez mais atribulado da sua vida. É uma das estreias da semana, e um dos melhores filmes do ano. 

Um artista irreverente, que acabou por ser vítima das mesmas circunstâncias que o tornaram célebre no meio cultural britânico: presenciando uma época marcada por várias transições sociais (e mesmo tecnológicas), acompanhamos as deambulações de Joseph Turner entre críticos e admiradores da sua arte, a conviver com o seu amado pai (o maior de todos os fãs) e com a governanta (com a qual mantém uma obscura relação). Paralelamente, vemos a vida de Turner fora de circuitos tão íntimos, e passamos para a sua importância na vida social da época. Mas o que sobrevive mais na nossa cabeça: a psicologia complexa desta personagem, ou as suas jogadas estratégicas para conseguir sempre vencer, e dar nas vistas entre os seus pares? 

Turner movimenta-se entre todas as classes da hierarquia para se “formar” como personalidade de elevada importância, obtendo um grande sucesso entre as elites cultas. Mas a fama não irá impedir que ele seja alvo de algumas maledicências injustificadas e de um certo desprezo, numa sociedade pontuada pela importância do status e das modas, e que tenta impedir a inevitável decadência da sua estrutura. E aí, e tal como acontece com todos os seres humanos, torna-se um indivíduo pequeno, frágil, que não consegue escapar às partidas da existência… mas ao contrário de tantos outros, Turner deixou um incrível legado histórico – legado esse que levou o realizador a querer fazer este filme. 

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Festas Felizes!


Enquanto este blog parece estar a caminhar mais e mais para um estado de coma profundo (porque agora, apesar de ter tempo livre, em muito dele estou a trabalhar numa livraria, e do pouco dele que resta, só uma minúscula porção serve para me dedicar à escrita, e tem de ser para coisas do EF que tenho de entregar, e filmes de 2014 que me faltam ainda ver - mas em janeiro haverá novidades... serão muitas, quentes e boas!), desejo a todos os leitores deste espaço (que já devem ter fugido, tal a irregularidade de publicações que aqui partilho - e a maior parte delas têm sido apenas republicações de textos escritos ou de coisas feitas para outros lados), votos de boas festas!

Este ano que agora finda foi riquíssimo para a minha pessoa: em conhecimentos, em novas experiências, em descobertas... e claro, em filmes. Talvez tenha sido o ano mais complexo desta minha curta existência - e vamos a ver o que nos espera neste próximo, em que assinalo duas dezenas de anos de presença no universo e arredores.

Beijinhos e abraços a todos. Tenho muita pena de não ter conseguido manter a Companhia como quereria, mas nunca me esqueço, apesar da aparente frieza da palavra escrita, do apoio que vós todos me têm dado nesta e noutras paragens.Obrigado! Vemo-nos por aí - e até lá, vejam bons filmes, aproveitem o quentinho da lareira, e tenham um santíssimo e felicíssimo natal, e uma óptima passagem para 2015!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Carvão Negro, Gelo Fino (Bai ri yan huo) [2014]


Um filme de crime e mistério, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e do Urso de Prata para Melhor Ator. Carvão Negro, Gelo Fino é uma história mais ou menos convencional, contada com o auxílio de técnicas menos usuais nos filmes do género, que passou cá primeiro pelo Lisbon & Estoril Film Festival, e que agora chega ao circuito das salas, num lançamento da Alambique.

Carvão Negro, Gelo Fino começa em circunstâncias insólitas. Vemos a despedida, muito pouco formal, entre Zhang e a sua mulher, numa cena que marca o desespero do protagonista, num acontecimento que justificará o aspeto deprimente e desequilibrado do seu espírito, daí para a frente, na narrativa. Foi um divórcio, logo percebemos, e é isto que marca o início de um percurso atribulado, que quer demonstrar algo que vai mais além do que os crimes que têm de ser resolvidos no filme – porque evidencia, também, uma interessantíssima desconstrução psicológica das personagens.

E é aí que assenta a originalidade de Carvão Negro, Gelo Fino: na forma como as figuras da história se movem, sem dizerem ou fazerem aquilo que estamos à espera de ver, ou que pelo menos, encontramos regularmente em muitas “detective stories” cinematográficas (que hoje são predominantemente televisivas) do género. E para isso contribui, também, o tipo de realização que Diao Yinan impôs no filme, e que nos surpreende ao mostrar elementos fundamentais destas histórias de crime com uma outra roupagem (a cena em que vemos o desfecho da primeira investigação, que envolve algumas tragédias, está filmada num impressionante plano fixo em sequência, por exemplo).

Leiam a crítica integral no Espalha-Factos.

Um Lance no Escuro despede-se de 2014 com Mário de Carvalho


Na última emissão de 2014, Um Lance no Escuro recebeu o escritor Mário De Carvalho, numa mui interessante conversa. E quem disser o contrário é porque, neste caso, não tem razão nenhuma! Para ouvir, como sempre, na Rádio Autónoma.


UM LANCE NO ESCURO 19

Mais uma vez no EF Rádio

... mas nesta quinta edição, participei via telefone, porque não pude estar em estúdio. Nos minutos iniciais falo de Cinema, com o ciclo da Gulbenkian, o filme «Carvão Negro, Gelo Fino» e ainda as reposições de Chaplin. E há muito mais para descobrir: podem ouvir aqui em baixo a emissão!


EF Rádio #5 by Espalhafactos on Mixcloud

O Principezinho salta do livro para o cinema de animação


O Principezinho, um dos livros mais populares de todos os tempos, vai regressar ao grande ecrã, numa produção americana de grande escala que chegará aos cinemas de todo o planeta no final do próximo ano. Mais informações sobre este filme, e o primeiro trailer do mesmo, podem ser vistos no 

O génio de Chaplin regressa ao grande ecrã


Uma gloriosa iniciativa para terminar em grande este ano cinematográfico: duas obras primas de Charles Chaplin, com o seu mítico vagabundo Charlot, estão de volta à sala escura. A exibição é exclusiva do Cinema Ideal, em Lisboa, e inclui O Garoto de Charlot e A Quimera do Ouro em cópias digitais restauradas. Para o início de 2015 está prometida mais uma dupla de reposições de Chaplin, e os filmes serão Tempos Modernos e O Grande Ditador

No Espalha-Factos, escrevi duas pequenas críticas que celebram a excelência dessa primeira dupla de filmes. A minha opinião pode ser lida aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Um Lance no Escuro... e Jorge-Reis Sá!

Mais um podcast de Um Lance no Escuro já está disponível. Nesta 18.ª emissão na Rádio Autónoma, tivemos um óptimo momento de cavaqueira com Jorge Reis-Sá, escritor e editor, numa troca de bitaites que acabou num debate aceso sobre a prestação de Sofia Coppola em «O Padrinho - Parte III». Para os que ainda não viram a trilogia, avisam-se que nos últimos minutos podem levar com uns valentes spoilers!


UM LANCE NO ESCURO 18

A terceira vez no EF Rádio

Mais uma participação no EF Rádio, a co-apresentar com o Tiago Varzim. No início do programa falo sobre Natalie Wood, «Sem Sombra de Pecado», o lado duvidoso dos Prémios Áquila, e ainda, uma menção para o fantástico ciclo de Cinema no Grande Auditório da Gulbenkian.

EF Rádio #4 by Espalhafactos on Mixcloud

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Filmes em 60 segundos: Riot in Cell Block 11 [1954]


Intenso e realista drama prisional (os minutos iniciais assemelham-se totalmente a um documentário), «Riot in Cell Block 11» é uma pequena curiosidade cinematográfica realizada por Don Siegel (que voltaria a falar da vida atrás das grades no clássico muito mais famoso, «Os Fugitivos de Alcatraz»), sobre os meandros e negociatas do sistema judicial, a partir da história de um motim gerado por um grupo de condenados, que apenas pretendem ver as suas exigências concretizadas, além de quererem chamar a atenção dos meios de comunicação social. Bem filmado e dirigido, com uma precisão minuciosa na construção da tensão, o filme consegue ser um retrato intimista de uma realidade questionável, sobressaindo essas intenções, apesar de algumas cenas serem mais frágeis do que outras. Não marcou a sua época e hoje é um título praticamente desconhecido, mas consegue ser desconcertante na forma como capta a vida de uma prisão sem pozinhos de perlimpimpim.

★ ★ ★

domingo, 30 de novembro de 2014

A Recordar: Natalie Wood


Com 5 anos apareceu pela primeira vez no grande ecrã. E apesar de serem participações sem o maior relevo, Natalie Wood começou a dar nas vistas logo nos primeiros anos de carreira. Aliás, Wood destacou-se por ter recebido 3 nomeações aos Oscars antes de ter 25 anos. Uma atriz que acompanhou a evolução da era clássica de Hollywood (mais as revoluções que sofreu o establishment), e que nela brilhou, até à década de 60, como poucas outras artistas da sua geração. Colaborando com grandes realizadores e fazendo par com algumas das maiores estrelas da época, Wood sobreviveu ao tempo graças ao imaginário cinematográfico que cresceu do seu trabalho. Hoje recordamo-la como uma atriz que entrou em alguns dos mais célebres e imitados filmes americanos. 

É a obra desta artista que está hoje em destaque em mais uma edição da rubrica quinzenal "A Recordar", que escrevi para o Espalha-Factos, e que podem ler AQUI!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mais uma emissão do EF Rádio...


... em que participei como co-apresentador (e no início, falo sobre Mike Nichols). Um programa com várias novidades do Espalha-Factos, gravado nos estúdios da Rádio Zero, no Instituto Superior Técnico. Podem ouvir o podcast aqui em baixo!


EF Rádio #3 by Espalhafactos on Mixcloud

Um Lance no Escuro... e o Samuel Andrade

Na emissão desta semana de Um Lance no Escuro, estivemos à conversa com o Samuel Andrade, blogger de Cinema, colaborador do site FilmSPOT e autor do blog The Short Guide To Movies, nomeado para os TCN Blog Awards. Para ouvir, como sempre, na Rádio Autónoma, clicando aqui.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

“Hollywood, tens cá disto?”: Sem Sombra de Pecado (1983)


Já aqui falámos sobre Balada da Praia dos Cães, um dos filmes mais célebres de José Fonseca e Costa. E nesta edição vamos descobrir um outro filme do realizador, que se revelou também um considerável êxito no ano em que estreou no nosso país. Sem Sombra de Pecado baseia-se no conto E aos Costumes Disse Nada, integrado no livro Gaivotas em Terra, de David Mourão-Ferreira, e recebeu vários prémios em festivais nacionais e internacionais, tendo sido, também, selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes.

Mais um dos grandes sucessos de bilheteira do realizador, em análise numa nova edição da rubrica mensal "Hollywood, tens cá disto?", do Espalha-Factos!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mike Nichols: 5 filmes essenciais


Recordamos vários trabalhos emblemáticos de Mike Nichols, numa seleção de cinco títulos do realizador galardoado com um Oscar, que influenciou o novo cinema de Hollywood e que elaborou alguns dos filmes mais famosos da modernidade. Um artigo para ler no sítio do costume, ou seja, o Espalha Factos.

sábado, 22 de novembro de 2014

20.000 Dias na Terra (20,000 Days on Earth) [2014]


Uma espécie de documentário, com muita ficção à mistura, sobre um dos músicos mais carismáticos da atualidade, na perspetiva e na voz do próprio. É uma das obras mais inventivas que vimos em muito tempo – e das poucas que consegue realmente ressuscitar e dar uma nova vida ao conceito deste género cinematográfico. 

Acompanhamos um dia normal na vida de Nick Cave. Aliás, não se trata de um dia normal como todos os outros dias normais, porque o que vemos no filme é o percurso quotidiano que o músico australiano e vocalista dos Nick Cave and the Bad Seeds fez, naquele que é o seu 20.000.º dia de vida no planeta. E por isso, apesar de querer parecer vulgar e banal, nunca deixa de ser especial para todos os espectadores – porque, obviamente, se esta não é uma personalidade como as outras (e lá está, se não é um indivíduo “normal” – algo que revela muito do espírito do documentário, já que este desconstrói os pormenores mais corriqueiros do dia a dia através de uma forma diferente, por causa deste formidável artista), o seu quotidiano também não se assemelhará, em grande parte, ao de qualquer um de nós. E mesmo nas coisas que coincidem com tudo aquilo que cumprimos diariamente… nunca as poderemos fazer da mesma maneira que Nick Cave – porque esta é uma figura que, mesmo que seja “apanhado” em situações mais estereotipadas da vida mundana, não se torna, por isso, num estereótipo andante.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Viagem a Itália (The Trip to Italy) [2014]


Depois do sucesso da primeira viagem, filmada em 2010 para a televisão e para o cinema, Rob Brydon e Steve Coogan decidiram repetir a fórmula. E o resultado volta a ser incrível, neste grandioso passeio por Itália, onde apreciam a sua gastronomia e a vivência das suas gentes… e desenvolvem, também, mais uma série de conversas hilariantes, sobre tudo e mais alguma coisa. 

Numa era em que a televisão parece querer ocupar à força o lugar do cinema, – porque o cinema não tem, ou não quer ter, forças suficientes para se distanciar dos modelos televisivos, aproximando-se inevitavelmente, e cada vez mais, desse outro ecrã, torna-se interessante analisar um caso de sucesso como este. Elaborado para ambos os formatos (os dois filmes são compactos de duas minisséries que passaram originalmente na BBC), A Viagem a Itália é o resultado de uma seleção criteriosa dos momentos mais memoráveis deste reencontro entre Rob Brydon e Steve Coogan, num périplo gastronómico que vive dos engraçadíssimos momentos de conversa entre os dois artistas. 

Este é um caso curioso porque se trata de uma ideia que funciona perfeitamente nos dois ecrãs. E mesmo que a realização de Michael Winterbottom sirva, apenas, para mostrar a história e acompanhá-la delicadamente com os ambientes que a envolvem, esta faz com que não nos deixemos, por isso, de distrair do essencial – que é essa tal química entre os dois protagonistas, que origina diálogos inesquecíveis, numa sucessão de risos e gargalhadas como raramente conseguiria ser possível obter através de uma obra com estas características. E, por isso tudo, o resto consegue funcionar muito bem no filme, e faz com que este mereça ser visto numa sala de maiores dimensões do que aquela que temos em nossa casa. Até porque será muito pouco provável que a série original (possui mais uma hora) chegue algum dia a Portugal.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

Um Lance no Escuro, os Maias e Pedro Inês!


Nesta nova emissão do Lance, falámos com o actor Pedro Inês, o João da Ega da versão cinematográfica de «Os Maias - Cenas da Vida Romântica». Uma conversa acutilante sobre Cinema, a vida artística... e muito mais! Para ouvir é preciso ir aqui.

O programa de rádio do Espalha Factos


Além da habitual fornada de «Um Lance no Escuro», ontem foi emitida, mas na Rádio Zero, a segunda emissão do programa de rádio do Espalha-Factos, que apresentei, ao lado do Tiago Varzim e da Francisca Dias. Falo no princípio de algumas estreias de Cinema desta semana e da passada, e acontecem outras coisas giras pelo meio. Para ouvir, basta ir aqui.

domingo, 16 de novembro de 2014

Nightcrawler - Repórter na Noite [2014]


É uma reflexão cínica e sarcástica sobre a eterna relação entre a comunicação social e o sensacionalismo, onde encontramos Jake Gyllenhaal num dos papéis mais surpreendentes da sua carreira. Nightcrawler é uma das estreias da semana e, também, um dos filmes mais interessantes e intrigantes destes meses finais de 2014.

Nightcrawler – Repórter na Noite é a história de um zé-ninguém que se move por um desejo de ascensão, feita por qualquer meio, via, ou intenção profissional. Devido a uma pequena coincidência do quotidiano, Lou Bloom (Gyllenhaal) encontra a solução para o desespero que povoa a sua vida miserável, ao descobrir o estranho, obscuro e competitivo mundo do jornalismo freelancer noturno, em que indivíduos andam à caça de acidentes de viação, assassínios ou desastres de qualquer outra índole, para que possam ser filmados com o objetivo de, pouco tempo depois, serem vendidos à estação televisiva que fizer a melhor oferta. Mas o que começou por ser uma pequena brincadeira torna-se num monstro de enormes proporções, tal como Bloom se vai transformando num ambicioso manipulador, sedento de poder e mediatismo nos bastidores do pequeno ecrã, utilizando o sensacionalismo das histórias que vende para subir no topo da “hierarquia”.

O filme desenrola-se num périplo em busca das imagens mais sensacionais, num retrato irónico (e até sádico, em certos momentos mais decisivos da narrativa) do lado irracional e incontrolável dos meios de comunicação social, dominados por uma cultura de violência, em que estes jornalistas em particular têm, como principal papel, o de transmitir novas doses que permitam saciar o público dessa fome diária de choque, provocada pelo drama, o horror e a tragédia mundanas. E em parte, Nightcrawler faz-nos lembrar Sidney Lumet e o seu Network – Escândalo na TV e o sarcasmo inesquecível que polvilhava a sua história e a crítica maliciosa feita ao lado comercial da transmissão de notícias. 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

John Wick [2014]


Quantos são, quantos são? Venham eles, que Keanu Reeves não tem medo de ninguém – porque todos os outros é que têm de tremer quando ele chega, com a sua sede implacável de vingança. John Wick é uma agradável surpresa dentro dos filmes de ação que têm chegado aos cinemas, porque deve ser um dos raríssimos exemplos do género que consegue ter algum interesse para o espectador, não se resumindo aos efeitos especiais e à banalidade mais corriqueira deste tipo de histórias. 

É um filme de ação? Sim, mas de uma ação cheia de adrenalina e com alguma minúcia na sua preparação, algo que não conseguimos encontrar regularmente nesta nossa modernidade, dominada por efeitos especiais utilizados para tudo e para nada. E ao contrário da maioria dos seus congéneres, John Wick cumpre as premissas que qualquer filme de ação deveria ter como palavra de ordem: entretenimento exequível e agradável, bem ritmado e executado, onde os clichés misturam-se, e bem, com o estilo da personagem (e sim, Keanu Reeves ainda consegue ser o patrão!). O resultado? Uma história que passa depressa, que não nos faz levar as mãos à cabeça, e que nos entretém, à séria, durante pouco mais de 100 minutos. 

Que se digam todas as barbaridades e que se atirem todos os preconceitos (injustos, na maioria) contra os filmes de ação, mas queremos acreditar que há uma linha que separa as andanças de filmes-chiclete como Os Mercenários, e as características de um filme como este – que, não sendo alguma coisa de outro mundo, que irá alterar a Humanidade ou a perceção que temos do cinema, não nos faz, também, pelo contrário, suplicar por misericórdia, contrariamente às experiências levadas a cabo pela trupe de veteranos dos filmes “machos” dos anos oitenta liderada por Stallone. John Wick não prima pela originalidade, mas pela eficácia atribuída ao seu conceito ultra-conhecido – e aí está o seu ponto mais forte, tal como a maneira utilizada para conduzir a história, fora de mecanismos mais risíveis a que estamos habituados a encontrar em histórias deste calibre.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

sábado, 15 de novembro de 2014

Um Lance no Escuro... e palhaçadas


Uma edição improvável de «Um Lance no Escuro»? É a melhor maneira de definir esta divertida conversa com o palhaço mais mediático da palhaçável sociedade portuguesa, emitida na passada quarta-feira. Cerca de 26 minutos de parlapiê com o Batatinha, a recordar belas memórias da infância de muitos de nós, como também a falar de novos projectos... e de Cinema, claro. E para ouvir, basta dirigirem-se, como sempre, ao esplendoroso site de arquivo de podcasts da Rádio Autónoma.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um Lance no Escuro... e Eduardo Rêgo!


Eis o podcast da emissão desta semana de Um Lance no Escuro. Uma grande conversa com o Enorme Eduardo Rêgo, a voz da BBC Vida Selvagem e de diversos outros programas, que pode ser ouvida no site da Rádio Autónoma.

sábado, 1 de novembro de 2014

Nomeações TCN 2014 - votações até dia 25 de Dezembro!


E pronto, parece que é isto: este ano atribuíram à minha pessoa 5 nomeações nos TCN Blog Awards 2014, cuja cerimónia será feita em Janeiro de 2015. Foi algo inesperado receber estas boas notícias, sobre o trabalho que tenho feito no Espalha-Factos (que está também nomeado na categoria de Blogue Colectivo, podendo ser votado AQUI), principalmente por constar nas listas onde se inclui tanta boa gente que admiro. Deixo aqui a lista das minhas nomeações, com os blogs indicados (este ano o sistema está mais disperso) para se votar nas mesmas (isto é, se acharem que este bicho merece o vosso clique). As polls encontram-se na barra lateral de cada um dos estaminés:




Rui Alves de Sousa

Obrigado a todos pelo vosso apoio e por terem a paciência de ler estas e outras linhas da minha autoria! Votando ou não nas minhas nomeações (até porque há muito boa gente a competir, e que faz com que eu me sinta como um amendoim no meio de uma família de courgetes), a forma como este blog, e as coisas que escrevo no EF, têm sido apadrinhadas por vós, tem-me deixado sempre muito sensibilizado e grato! Obrigado, obrigado, e obrigado!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O podcast do regresso do Lance


O podcast do regresso de Um Lance no Escuro, uma homenagem às geniais bandas sonoras de Maestro Ennio Morricone, já pode ser ouvido e descarregado no site da Rádio Autónoma. Até à próxima quarta feira... e vejam sempre bons filmes. Ouçam tudo AQUI!

domingo, 26 de outubro de 2014

O Grande Carnaval (Ace in the Hole) [1951]


I can handle big news and little news. And if there's no news, I'll go out and bite a dog.

Talvez o lado mais fascinante dos filmes de Billy Wilder (ou pelo menos, dos seus grandes filmes) seja a ambiguidade moral que confunde a psicologia dos seus protagonistas (e as reacções que o espectador retira dos seus actos e convicções). Essa ambiguidade é, por vezes, acompanhada por uma busca pela redenção - que em alguns casos mais específicos (e mais dramáticos), surge no último momento, não conseguindo, por isso, evitar a ocorrência do destino arrasador e fatalista que está planeado para essas figuras ficcionais (que tanto nos dizem muito mais sobre a vida que a realidade). O desejo de salvação pessoal, tal como o "pôr os pés na terra" e a desilusão do fim dos sonhos e da percepção que as personagens têm daquilo que fizeram (e que provocou - e provocará - uma série de consequências que se desencadeiam ao ritmo de uma bola de neve a descer aceleradamente a montanha, à medida que aumenta mais e mais as suas proporções) chegam tarde demais para Joe Gillis em «Sunset Boulevard», ou para o criminoso apaixonado Walter Neff de «Double Indemnity». E em «Ace in the Hole» voltamos a encontrar estas ideias cruzadas, mas de uma forma mais intensa - e aliás, mais perturbadora - que nessas outras duas obras primas. E esses temas são utilizados para contar uma história aparentemente inocente (sim, porque em Billy Wilder, tudo não passa de aparências, no início) sobre jornalismo e, acima de tudo, sobre os bons e maus valores da profissão (suportada por um código deontológico que dificilmente é posto verdadeiramente em prática), numa dissecação fria e agressiva da criação (ou procura) de notícia à la "american way". Charles Tatum, a personagem de Kirk Douglas, apresenta-se, nos primeiros minutos do filme, como o jornalista ambicioso, o "big shot" originário da Nova Iorque apressada e industrial, que se aproveita de um pequeno jornal de Albuquerque para voltar a lançar a sua reputação - que entretanto perdera devido a "maus comportamentos" na outra cidade.


Entretanto, uma história aparece, que gera lucros, fama e novos inimigos para Chuck, enquanto o grande circo mediático (e o "grande carnaval" - título que a Paramount substituiu pelo original para tentar recuperar os prejuízos de bilheteira do filme - e que acabou por ser utilizado na versão portuguesa) é montado. De uma pequena situação delicada, que pode colocar em risco um homem inocente, se constrói uma gigantesca e mediática atracção de feira, que transforma um local abandonado num ponto de turismo e num grotesco centro comercial. O estratagema envolve, assim, uma exposição, com fins puramente lucrativos e condicionados, das operações de salvamento da vítima, manipuladas pelos interesses de Tatum e companhia e prolongadas o mais tempo possível para maior proveito do êxito nacional que a história e seus desenvolvimentos estão a obter junto da opinião pública, dos outros meios de comunicação social, e dos simples indivíduos que gostam de passar a vida a bisbilhotar o que não lhes compete. Mesmo que isso ponha em causa o próprio protagonista destes planos atribulados, que sofre cada vez mais dentro da mina em que está soterrado, enquanto várias pessoas se aproveitam dele para atingirem os seus próprios objectivos, egoístas e completamente desumanos. E Billy Wilder desenvolve todas estas ideias com o seu génio inqualificável, evidenciando a ascensão pessoal e queda psicológica do anti-herói do filme, magnificamente interpretado por Kirk Douglas - naquele que é, sem sombra de dúvida, um dos seus melhores desempenhos no Cinema.


«Ace in the Hole» é uma dissecação agridoce dos males da espécie humana, da maneira que só Billy Wilder soube fazer - e que mantém, na sua essência, o poder emocional e subliminar que o autor lhe incutiu originalmente. Perfeito da disposição dos planos, na planificação do argumento e no timing dos diálogos (dos quais saíram vários dos chavões habituais que associamos ao jornalismo, como "Bad news sells best. Cause good news is no news"), é um dos grandes filmes do cineasta e que ultrapassou a sua própria época. E ainda bem, porque apesar de ter sido um fracasso nos anos 50, as constantes reavaliações de que tem sido sujeito ao longo das décadas conseguiram dar a este filme a atenção que merece: pela sua crítica, pela sua ironia, pela fantástica fotografia e pela roda viva das relações humanas que Wilder desconstrói habilmente, como sempre). As personagens revelam-se em várias máscaras, em vários interesses, e em vários momentos de ambição, como também, de desespero, à medida que a "aberração" carnavalesca começa a ser incontrolável e a ter consequências que fogem da consciência de Chuck e do seu ego desmedido. O "grande carnaval" do acontecimento é ainda, para Wilder, o "grande carnaval" das convulsões sociais, da importância das aparências e, mais ainda, daquilo que vemos, mas que não é mostrado por nada nem por ninguém. Um grande filme, e um dos maiores exemplos da criatividade e genialidade de um realizador.

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sábado, 25 de outubro de 2014

A minha participação no 5x5 do My Two Thousand Movies

A famosa rubrica do blog do Francisco Rocha regressou, e eu fiz parte da primeira dupla de concorrentes. O objectivo foi fazer uma lista com 5 filmes, e escolhi 5 propostas que, não sendo os meus filmes preferidos, são, na minha humilde opinião, fitas que merecem ser vistas.

Eis a lista completa: 

O Clã dos Sicilianos
Inherit the Wind
Hana-bi: Fogo de Artifício
A Oitava Mulher do Barba Azul
Bom Dia

Os textos do Francisco e os links para os filmes podem ser encontrados aqui.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sobre o regresso de Um Lance no Escuro


Para poder, ao menos por alguns momentos, retirar este blog da condição de "coma" forçado que lhe remeti, escrevo aqui em primeira mão algumas das coisas que vão andar à volta da terceira temporada de «Um Lance no Escuro» (cuja data de estreia já está marcada - como podem ver na imagem). Vamos continuar na grande casa da Universidade Autónoma de Lisboa, e para esta nova fornada de emissões com entrevistas e com bandas sonoras de quando em vez (voltaremos à música para Cinema logo na primeira emissão, com uma homenagem muito especial), e estou a preparar algumas coisas, digamos... interessantes. Ou pelo menos, desconcertantes.

Sim, porque é isso que eu agora pretendo mais com esta nova série do «Lance»: mais do que o Cinema (que começa a ser mais secundário nos momentos de cavaqueira radiofónica), vamos tentar surpreender a cada semana os ouvintes que seguem atentamente este programa. Com convidados imprevisíveis e situações imprevisíveis, onde a Sétima Arte não se tornará um mero acessório, mas que vai deixar espaço para as conversas serem mais sobre tudo o que o convidado deseje falar - para assim se poder alargar também a linha de entrevistados que possa ter (desde cineastas a actores, a radialistas e escritores, a bloggers e... palhaços?). Mas esperam-se algumas surpresas da parte dos mesmos (quem diria que António Sala gostava de realizar documentários?). Contudo, mais do que Cinema, é a conversa que aqui verdadeiramente interessa, e tem sido sempre um enorme prazer conseguir falar, durante mais ou menos meia hora, com tantas e variadíssimas personalidades.

Escrevo estas (parcas) linhas no dia em que me irei dirigir, daqui a algumas horas, para gravar a emissão inaugural desta terceira época do «Lance». E começaremos da melhor maneira, com um tributo a Ennio Morricone e a algumas das suas melhores bandas sonoras. Obrigado por todo o vosso apoio, e conto com a vossa presença... auditiva, nesta nova fornada de emissões do projecto que mais gozo me dá a fazer. Porque para além do Cinema, a Rádio é uma das minhas outras paixões. Até à próxima quarta-feira, pelas 22 horas!

sábado, 18 de outubro de 2014

Filmes em 60 segundos: A Noite Americana (La Nuit Américaine) [1973]


Um falso documentário sobre as rodagens de um filme: é o que François Truffaut constrói (e interpreta) em «A Noite Americana», interessante mosaico de personagens que interagem umas com as outras, numa série de vinhetas desconcertantes que nos mostram a multiplicidade de problemas, afectos e confusões que rodeiam os bastidores de uma produção de estúdio, “artificial” e ridiculamente dispendiosa e luxuosa, que contraria totalmente as intenções da Nova Vaga da qual o cineasta foi um dos protagonistas. Narrativa com diversas preocupações, tanto estéticas quanto filosóficas, é também uma crítica satírica ao lado industrial do Cinema, que se eleva graças a uma série de magníficos desempenhos e a um sentido cinéfilo apurado e pelas variadas experimentações técnicas que são feitas (algumas mais bem sucedidas do que outras). É talvez o único filme que consegue captar realmente o espírito e o stress de um ambiente típico (e atribulado) deste tipo de filmagens.

★ ★ ★

Frank [2014]


E sem que nada o fizesse prever, no meio de tanta vulgaridade, chega esta semana às salas mais um dos grandes filmes do ano: Frank não é uma história normal sobre o percurso de uma banda moderna, mas sim um olhar singular, atento, distante do “mundo real” e colado ao poder dos media e das redes sociais que condicionam as relações humanas. 

Frank é um filme que possui uma construção narrativa que se pode designar de normal (mas não de “vulgar”, ou “banal”): começa com a acidental descoberta da banda pelo jovem protagonista do filme, e a (aparente) ascensão a que este sujeita o seu vocalista e os seus colegas. Talvez Jon seja mais movido pelas suas ambições pessoais do que pelo interesse pelo bem comum, em ajudar a banda a sair da discrição em que está submetida. De facto, é isso que faz com que a sua personagem seja tão inocente e, ao mesmo tempo, tão humana – no pior sentido de humanidade possível, como também no melhor, em certas ocasiões 

Mas não há dúvida que a sua visão do mundo artístico irá mudar completamente – e talvez aos espectadores se suceda o mesmo (esperemos!) – quando começar a lidar mais de perto com estes artistas peculiares, fechados numa redoma que exclui toda a sociedade “formatada” e “comercial” que os pretende “abater”, e por isso, são detratores dos media digitais que o aprendiz tanto utiliza para, sorrateiramente, dar a conhecer ao mundo aquela estranha banda (e mais ainda, para se dar a conhecer a si próprio, um zé-ninguém maior do que todos os outros zés-ninguém do filme). 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

O Senhor Babadook (The Babadook) [2014]


Passou pelo MotelX e agora chega ao circuito das salas, numa distribuição da Alambique: O Senhor Babadook é uma interessante investida australiana no cinema de terror mas que, apesar de ter algumas ideias engenhosas, acaba por sair vencida pela força das convenções que rodeiam a sua história. 

A sinopse é simples, e soa a muitas outras que já vimos antes: mãe e filho vivem sozinhos numa casa, e o pai morreu há sete anos e isso continua a causar traumas no presente. A mãe lê ao filho um conto infantil todas as noites, e de repente surge um livro misterioso (que nunca ninguém viu antes, e que só aparece neste momento porque dá jeito) chamado “O Senhor Babadook“, que o pequeno pede à progenitora que leia. Mas é um livro amaldiçoado, que ameaça criar graves problemas a esta pequena família, e que não os parará de perseguir até ao último momento. 

Para uma história que se assume como um autêntico reciclar de estereótipos dos filmes de terror (há aqui tanto de O Exorcista como de The Shining), a premissa de O Senhor Babadook nem está construída de forma repetitiva e insuportável – e por isso é que o filme consegue ser verdadeiramente interessante em quase todo o seu conjunto. Há que apreciar, também, um vigoroso trabalho de câmara e o bom trabalho dos atores.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Arraial do Técnico 2014: a noite, a música e a boémia universitária


Quem disse que este moço só escreve sobre Cinema? Hoje foi dia de estreias... e por isso, para variar um bocadinho, aqui fica o relato (ou algo parecido) das minhas peripécias no Arraial do Técnico. Uma viagem pelas festividades académicas para descobrir no Espalha Factos.

sábado, 11 de outubro de 2014

O Caminho Entre o Bem e o Mal (A Walk Among the Tombstones) [2014]


O mais recente filme de ação de Liam Neeson consegue ser mais interessante do que todos os outros que o ator fez até à data, mas não consegue suplantar a mediania da história que carrega. Ainda assim, vale por ter alguns bons momentos de entretenimento, e por ser mais suportável do que se pode esperar.

Baseado no livro de Lawrence Block, O Caminho Entre o Bem e o Mal é mais um filme de ação protagonizado por Liam Neeson. Diga-se “mais um”, porque parece que tem sido este o género em que o ator tem apostado mais nos últimos anos, com propostas que, na sua totalidade, e até a este filme, se tinham revelado sempre como infelizes, execráveis e desprezíveis (com alguns casos mais degradantes que outros – alguém viu esse festival insípido e cansativo de clichés que deu pelo nome de Sem Identidade?). 

Por isso, este novo filme de Neeson, realizado por Scott Frank (argumentista de Relatório Minoritário e Romance Perigoso, pelo qual foi nomeado para o Oscar na dita categoria), não foge, em parte, às regras impostas pelas suas anteriores incursões nas fitas de ação, que tornaram este novo interesse do ator numa vaga a que os espectadores já se habituaram, e que podem reencontrar de tempos a tempos: a sua personagem é um anti-herói duro (que está pronto a partir para a pancadaria), uma história linear que se perde em lugares comuns, e outros ingredientes. Não nos esqueçamos das cenas de luta, de “grandes plot twists” que, na realidade, não o são, e claro, da constante intenção de Neeson em tornar-se no novo ícone de ação, para a pequenada do século XXI. 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Amar, Beber e Cantar (Aimer, Boire et Chanter) [2014]


O último filme do realizador de Hiroshima, Meu Amor e O Último Ano em Marienbad chega finalmente a Portugal. Amar, Beber e Cantar é uma interessante e revigorante comédia dramática, sobre seis personagens à procura de si mesmas e de uma razão para todos os problemas e enganos de que serão vítimas nesta história. 

Seis atores interpretam os membros de três casais, que se veem condicionadas por um sétimo, amigo de todos eles, que os espectadores nunca irão conhecer fisicamente (apenas poderemos saber de quem se trata graças a tudo aquilo que as personagens contam sobre a sua vida, os seus segredos e os seus dilemas no presente). É assim que se desenrolam todas as peripécias de Amar, Beber e Cantar, onde vemos as alegrias e mágoas das personagens, os momentos de rutura de cada um dos casais e os recorrentes ensaios para uma peça, numa narrativa cheia de risos, lágrimas e algum whisky

Se Alain Resnais é um cineasta das relações humanas (filmadas, claro, sempre de uma maneira muito peculiar), este seu derradeiro trabalho demonstra isso mesmo, através de uma perspetiva não muito recorrente (pelo menos, no cinema contemporâneo): se a narrativa já é por si só baseada numa peça de teatro, e se nessa narrativa está incluída uma sub-plot sobre a preparação de uma outra peça de teatro (uma peça dentro da peça), o filme acrescenta uma outra fórmula para aumentar e fortalecer ainda mais o seu lado dramatúrgico: a construção aparentemente cinematográfica dos elementos figurativos e cénicos (como os cenários) é, no seu todo, uma recuperação dos valores do teatro filmado, e de certas formas de se usar a câmara que imperavam nos tempos do mudo (os planos gerais em sequência, muitos deles fixos).

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Criado (The Servant) [1963]


Se na peça «The Homecoming» (exibida há pouco tempo por cá com o título «Regresso a Casa», numa encenação de Jorge Silva Melo), o autor Harold Pinter tinha explorado, com mestria, as relações de poder e de subserviência dentro de um agregado familiar, no ano anterior, ao escrever o argumento de «The Servant», realizado por Joseph Losey (com quem colaboraria por diversas ocasiões ao longo da década de 60), já estabelecia as bases para a abordagem dessas temáticas. E aliás, o que encontramos no filme (que também poderia transformar-se numa exemplar obra dramatúrgica) acaba por ser ainda mais feroz, vil e diabólico do que aquilo que vemos na peça de 1964. Aqui é a relação entre um criado e o seu amo que está em causa, num jogo psicológico de contradições, desistências e armadilhas traiçoeiras que põe as duas personagens numa roda viva maior e mais acidentada do que aquilo que podemos esperar num qualquer thriller ou filme de acção desenfreada. É uma luta de classes que está em causa, e a honra e ambição de cada uma delas, entre as paredes de uma casa que se torna o palco de mil e uma situações, que desenrolam conflitos que, por sua vez, trocam constantemente o papel do criado e do seu senhor entre a dupla de actores (Dirk Bogarde e James Fox), e que irão afectar todos aqueles que os rodeiam.


«The Servant» vive, por isso, de um misto de sadismo e de imprevisíveis subserviências entre as duas personagens, numa relação de (duvidosa) proximidade e, por vezes, familiaridade, que faz com que, ao contrário do que possa parecer, a fatalidade se torne ainda mais densa, mais fria e mais inevitável. A ela não conseguirão escapar nenhum dos intervenientes desta troca diabólica de insultos, que em nada conseguem travar as consequências que advirão das situações provocadas pelo criado, que tenta a todo o custo, e por todas as vias possíveis e imaginárias - algumas bastante perversas e dúbias em relação aos seus objectivos - desafiar o seu amo, a fragilidade da sua personalidade, e a falta de capacidade que este tem em exercer verdadeiro poder e respeito na casa em que habita. Assim, e mais do que um filme de crítica social, ou de difamações no seio de um círculo mais fechado e íntimo, esta é uma reflexão sufocante sobre o lado grotesco da destruição e ressurreição (desajeitada) das relações humanas. E mesmo que se trate da adaptação de um livro (escrito por Robin Maugham), é em Pinter que pensamos quando estas componentes se desenrolam no ecrã, porque o poder não se faz, ao que parece com o estatuto, ou mesmo por uma relação hierárquica em que o próprio poder se constrói e se impõe. É um labirinto de emoções e de  pequenos egocentrismos, o que encontramos em «The Servant», um grande filme que brinca com o sentido ético do espectador, com os padrões e convenções sociais, e ainda, com a forma que a força das aparências tem para aumentar a densidade e discrição dos mais perigosos segredos e obscuridades individuais.


Mas o que é ainda mais genial, no meio disto tudo (e não referindo sequer outras coisas que tantos críticos e especialistas na matéria têm aproveitado para dissecar sobre esta obra, em milhentas teses e análises à mesma - e que acabaram por criar uma "imagem" mediática falsificada do que isto realmente se trata), é que Losey filma esta história com métodos simples, utilizados para este tipo de narrativas que estão quase sempre centradas num único espaço cénico (recordem-se os planos fixos e a câmara meticulosa de Sidney Lumet em «12 Homens em Fúria», ou as peripécias de Stanley Kramer para captar, com o mínimo número de planos e montagem possível, a intensidade do choque do julgamento e do confronto entre Spencer Tracy e Fredric March em «Inherit the Wond»), e ao mesmo tempo, não deixa nunca de ir para além desse puro teatro filmado: «The Servant» é também uma lição de Cinema na medida em que nos ajuda a compreender como, afinal, para captar um espírito teatral, poder-se-á, com engenho e perspicácia, utilizar outras maneiras que não as já habituais, atribuindo à técnica um papel que se torna decisivo para aquilo que apreendemos no filme, graças a planos extraordinários e a uma impecável mise-en-scène. Contudo, o centro do filme está nos atores, e no constante caminhar para o declínio de uma, e para a ascensão da outra. Só por isso, e pelos maravilhosos diálogos entre Bogarde e Fox, já existem bons motivos para tornar «The Servant» numa obra prima imortal.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

António-Pedro Vasconcelos: “Estamos a transformar a sociedade num somatório de indivíduos”


Entretanto o blog chegou aos 1900 posts e continua num estado pseudo-vegetativo. Mas aqui ainda vou colocando as novidades que faço para o Espalha Factos. A mais recente é esta, finalmente disponível: a longa e interessante entrevista ao realizador António-Pedro Vasconcelos, sobre os filmes e outras coisas mais. Tem fotografias da Ana Catarina Araújo, e pode ser lida aqui!

domingo, 5 de outubro de 2014

Livros VS Filmes #5 – O PADRINHO


O LIVRO 
Foi um autêntico best-seller na época em que foi lançado, e tornou famosa uma das histórias mais conhecidas da cultura norte-americana contemporânea: «O Padrinho» é a saga da família Corleone, contando uma série de situações que envolvem os negócios da máfia, os segredos das personagens e o passado de Vito, o Padrinho a quem todos obedecem – mesmo os que o querem atraiçoar a qualquer momento. O romance explora uma ou outra figura que os filmes deixaram de lado (como a ascensão de Johnny Fontaine, baseada nas peripécias de Frank Sinatra em Hollywood), e desenvolve-se de uma maneira deliciosa e envolvente. 

O FILME 
É mais conhecida que o livro, mas a versão de Coppola vai mais longe do que a imaginação de Mario Puzo, recriando elementos do romance com uma poesia cinematográfica que Hoje é indissociável do universo dos Corleone. Desenvolvendo-se ao longo de uma trilogia, este «Padrinho» adapta o livro no primeiro filme e em parte do segundo, ao contar a história das origens de Vito Corleone. Um clássico absoluto do Cinema, que deu a certas passagens da história um tom muito mais interessante e inesquecível (como a cena do cavalo, que foi feita daquela forma porque o realizador leu mal as palavras de Puzo). 

O VEREDICTO 
A influência do filme é inegável, e de facto, este acaba por funcionar mais hoje do que o livro. Contudo, sem o primeiro, e sem a colaboração de Puzo na escrita dos argumentos da trilogia, nunca Coppola poderia ter criado um monumento cinematográfico como este. Vale a pena ler o livro principalmente depois de vistos os 3 filmes, porque complementa melhor assim tudo aquilo que nos contam as personagens e tudo o que as rodeia.

Quinta edição da rubrica «Livros VS Filmes», publicada à sexta feira (desta vez, e excepcionalmente, ao sábado), de quinze em quinze dias, na página do facebook Culturart.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os Gatos Não Têm Vertigens: Entrevista a Ricardo Carriço e João Jesus


A propósito da estreia do filme «Os Gatos Não Têm Vertigens», tive a oportunidade de fazer duas entrevistas rápidas a Ricardo Carriço e João Jesus no Hotel Altis, antes de uma conversa mais extensa com o realizador (a publicar em breve), que podem agora ser lidas no Espalha Factos. As fotografias são da Ana Catarina Araújo, e o artigo está aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

“Hollywood, tens cá disto?”: Oxalá (1981)


No mês em que estreou Os Gatos Não Têm Vertigens, recordamos um dos primeiros filmes de António-Pedro Vasconcelos, e que foi também um dos seus primeiros êxitos de bilheteira (juntamente com O Lugar do Morto, também da década de 80), conseguindo quase 90 mil espectadores. Produzido por Paulo Branco, foi apresentado pela primeira vez ao público na Seleção Oficial do Festival de Veneza em 1981, e apesar do sucesso inicial, ao ter estreado no Nimas a 8 de maio de 1981, o filme começou a ficar despercebido, em parte por não ser exibido na televisão regularmente, e também porque não existe qualquer edição no mercado home video disponível entre nós.

Nesta nova edição da rubrica mensal do Espalha Factos recordamos este filme que, digo eu, é um dos melhores do realizador. Para lerem o artigo, sigam este link.

domingo, 28 de setembro de 2014

Gata em Telhado de Zinco Quente: uma sociedade falsificada em rota de colisão


Depois de ter noticiado, há mais de um mês, que este clássico de Tennessee Williams iria chegar em setembro ao CCB, tive a oportunidade de ir ver o espectáculo na passada sexta feira. Uma encenação sublime de Jorge Silva Melo, que está em cena até dia 30 em Lisboa, e que depois partirá para outras zonas do país, numa digressão que se prolongará até ao próximo ano: «Gata em Telhado de Zinco Quente» é uma belíssima revisitação de um clássico do século XX, que continua a fazer sentido nos nossos dias – e talvez esteja hoje mais atual do que nunca. Uma produção da Artistas Unidos, sobre a qual escrevi uma análise no Espalha Factos, que pode ser lida aqui.

sábado, 27 de setembro de 2014

(Re)descobrir o cinema de Satyajit Ray no Nimas


É mais uma das grandes iniciativas deste ano cinematográfico: a partir de hoje, todos os dias até 5 de novembro, o Espaço Nimas irá exibir seis filmes do realizador Satyajit Ray. Apostando maioritariamente em filmes menos conhecidos (pelo menos em Portugal) do cineasta indiano, esta é uma oportunidade única para deslumbrar algumas das maiores pérolas de um génio do cinema, em cópias (realmente) digitais e (realmente) restauradas.

Elaborar (mais) uma História do cinema e ignorar Satyajit Ray é algo equivalente a desprezar Tolstoi ou Steinbeck numa hipotética História da literatura. Quer se goste ou não, é inegável o contributo do realizador para a evolução e renovação do cinema, e os seus filmes, que parecem ser retratos de uma sociedade restrita (a bengali), acabam por ser mais universais do que aparentam – e intemporais também. Dos quatro filmes que pudemos ver, encontrámos as provas de um cineasta sempre em constante reinvenção criativa, através de diferentes histórias e modos de filmar que espelham as suas preocupações sociais, e a maneira muito peculiar como olhava o mundo e todas as suas “personagens”.

A minha opinião sobre quatro filmes desta iniciativa («A Grande Cidade», «Charulata», «O Santo» e «O Cobarde») pode ser lida no Espalha Factos.

Os Gatos Não Têm Vertigens [2014]


Quatro anos depois de A Bela e o Paparazzo, o realizador António-Pedro Vasconcelos regressa com uma comédia dramática protagonizada por uma dupla (aparentemente) improvável. Um filme simples, sobre problemas contemporâneos, que não se perde em excessivos simplismos. Uma proposta interessante que pode ser vista, a partir desta semana, nas salas portuguesas. 

Quem diria que ia ser amor à primeira vista?” é parte do slogan promocional desta nova comédia dramática (ou será mais um drama com alguns tons de graça?) que nos chega hoje às salas, numa história de António-Pedro Vasconcelos e Tiago R. Santos. Mas tal como o filme nos mostra, e as variadíssimas entrevistas que o realizador tem feito nas últimas semanas, a história que rodeia os dois protagonistas consegue ser um pouco mais do que uma recriação fácil de um cliché cinematográfico que todos nós já vimos antes (não ambicionando, por isso, centrar-se nessa ideia que tanto está a ser publicitada). O trailer fala por si, e os diálogos que nele ouvimos também: esta é uma trama de emoções narrativas, mas acima de tudo um relato humano que tenta captar algum do espírito deste Portugal desesperado. 

E é por isso que Os Gatos Não Têm Vertigens consegue ir mais além do que aquilo que parece prometer. As más línguas podem apontar o que quiserem na feitura do filme, na construção da história ou na sua mise-en-scène, mas não há dúvida que, para além de ser um interessante filme “comercial” (conceito do demo que provoca arrepios precipitados em muito boa gente), este é também um exemplo de storytelling com toques mainstream e convencionais – mas um convencionalismo com alguma originalidade e que, sejamos sinceros, consegue ser agradável.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

sábado, 20 de setembro de 2014

Livros VS Filmes #4 – TO KILL A MOCKINGBIRD



O LIVRO 
Há várias edições e títulos nacionais atribuídos ao romance de Harper Lee. Mas «Por Favor, Não Matem a Cotovia» continua a ser uma delícia de livro independentemente da tradução. Clássico da literatura norte-americana do século XX, centra-se na vida de uma pequena comunidade sulista e na coragem de um advogado, Atticus Finch, que defende um negro acusado de um crime que não cometeu, (sendo facilmente julgado e odiado devido aos preconceitos que continuam presentes). Mas há também um retrato apurado de costumes e das contradições de uma sociedade sempre em crescimento, com as mentalidades a alterarem-se de geração em geração. 

O FILME 
Tal como a obra que adapta, «Na Sombra e no Silêncio» adquiriu também um estatuto de culto – mas por diferentes razões: quer seja pela incrível interpretação de Gregory Peck como Finch, quer pela abordagem cinematográfica aos temas sociais da história. O filme de Robert Mulligan dá uma especial atenção ao caso judicial que é o mote para a maior parte da história, e consegue funcionar muito bem “cortando” algumas das melhores partes do texto de Lee. Mas seria interessante ver algumas das cenas mais divertidas do livro transpostas para o grande ecrã (a sessão do culto religioso é uma delas). 

O VEREDICTO 
Este é mais um caso em que livro e filme se complementam, já que ambos merecem ser igualmente descobertos (o primeiro, pela sua reflexão mais aprofundada, o segundo pela recriação incrível que faz de uma história brilhante). São ambos incontornáveis para a cultura popular americana, e essenciais para uma melhor compreensão de certos valores humanos que se adequam a qualquer país.

Esta foi a quarta edição da rubrica da rubrica «Livros Vs Filmes», publicada ontem, e que sai quinzenalmente, às sextas feiras, na página do facebook CulturArt

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Jersey Boys [2014]


É a celebração cinematográfica, assinada pelo veterano Clint Eastwood, de uma das bandas americanas mais famosas de sempre. Baseado no musical homónimo de grande sucesso da Broadway que passou por vários outros palcos do mundo, Jersey Boys é uma delícia visual que tem causado opiniões várias e extremas, mas não há dúvida que o filme merece ser descoberto. Estreia esta semana. 

O regresso de Clint Eastwood à realização faz-se com um filme que, tal como alguns dos anteriores, foi recebido pelo público e pela crítica sem conseguir gerar nenhum consenso. Esta é uma situação que se tem vindo a tornar constante, e alguns dos casos em questão tornam essa tão grande variedade de opiniões num fenómeno interessante (o que se sucedeu com Hereafter – Outra Vida e J. Edgar é disso exemplo). Contudo, talvez Jersey Boys, mesmo que se enquadre numa linha de estilo semelhante a todos os filmes que se sucederam ao magnífico Gran Torino, possa ser visto como um objeto de estudo à parte, diferente dos seus pares. 

Isto porque esta adaptação do musical da Broadway é dificilmente associável a outras obras de Eastwood, já que este parece não ser um filme assinado pelo lendário cineasta americano, responsável pelo arrasador western Indomável e pelo conto de crime e relações/perturbações humanas de Mystic River. Apesar de manter alguns elementos fundamentais do aspeto visual e narrativo do seu cinema, como a fotografia de Tom Stern (que colabora com o realizador há mais de dez anos, mais precisamente desde Bloodwork – Dívida de Sangue), os planos, a grandiosa reconstituição de uma época perdida nas memórias de quem a viveu, o relato de uma história tipicamente americana (de sucesso, decadência e crescimento), como outros pequenos mas essenciais detalhes da fita, e que tornaram Eastwood inconfundível no cinema do nosso tempo, Jersey Boys aposta na diferença – e isso pode causar agrado a uns e descontentamento a outros. 

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.