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A mostrar mensagens de Setembro, 2013

Nota de agradecimento à melhor série de sempre

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Depois de, há momentos, ter visto o extraordinário último episódio de Breaking Bad, A MELHOR SÉRIE DE SEMPRE!, escrevi um comentário de agradecimento à série na página criada com esse propósito pela AMC. Deixo aqui o texto, em inglês, tal como o publiquei (cheio de erros, está claro). 
I've never been so addicted by a TV american drama series like Breaking Bad. This was an all new experience that I started the past year and finished some minutes ago. This was something that many of my friends had experienced with some shows that fascinated their minds, but were always not so interesting for me. I am more a guy of movies, but Breaking Bad caught me by surprise, and changed my entire life. I never saw anything like this and, I presume, I will not see, from now on, anything that could be so good as Breaking Bad. I'm so grateful to the genious Vince Gilligan, who created a story and characters that are so human (and that is what people most like to see on TV, that's for sure) …

Às Portas do Inferno (Rashômon) [1950]

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Akira Kurosawa teve em «Rashômon» (título com uma tradução portuguesa aparentemente improvável, porque o epíteto original referencia o local onde a história é contada - mas não será que a adaptação tuga tem segundas intenções, pelo menos, filosóficas? Talvez depois de se ver o filme se possa pensar melhor nesse assunto) o seu primeiro êxito internacional. Foi nomeado para um Oscar pela direção artística, tão bem executada, e recebeu ainda o primeiro prémio de Melhor Filme Estrangeiro da História da Academia de Artes e Ciências dos filmes (quando ainda não existia categoria para tal honra - daí que «Rashômon» tenha sido galardoado com um "honorary award" - a distinção só seria criada na edição do ano de 1957), além de que foi o vencedor do prestígio maior do Festival de Veneza, o Leão de Ouro. «Rashômon» é uma história que toma vários rumos e que pode abranger várias conclusões completamente distintas. Uma história bizarra e complexa vivenciada por duas personagens, que mal …

O Círculo Vermelho (Le Cercle Rouge) [1970]

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Çakyamuni, o Solitário, aliás Siddhartha Gautama, o Sábio, aliás, o Buda, pegou num pedaço de giz vermelho, desenhou um círculo e disse: “Quando os homens, mesmo sem querer, acabam por se encontrar um dia, tudo pode acontecer a cada um deles e podem seguir caminhos diferentes, mas chegará inevitavelmente o dia em que se encontrarão no Círculo Vermelho.”

«O Círculo Vermelho», o penúltimo filme do realizador francês mais "noir" de sempre, Jean-Pierre Melville (que encerrou a sua obra com o não tão aclamado «Cai a Noite Sobre a Cidade»), é mais um ponto-chave da sua filmografia e uma das suas obras mais influentes e reconhecíveis, não só pelo grande elenco que possui (desde logo pela presença do "repetente" Alain Delon, aqui tão cool e brilhante como em «O Ofício de Matar», até às algo improváveis aparições de Gian Maria Volonté - que foi o vilão enfrentado por Clint Eastwood nos dois primeiros tomos da "Trilogia dos Dólares", de Sergio Leone -, Yves Montand…

Bananas [1971]

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«Bananas» é uma comédia anárquica de Woody Allen e um dos seus filmes mais apreciados pela classe humorística portuguesa e americana, ou pelo menos, pelas pessoas aspirantes a tal carreira profissional. Depois de «Take the Money and Run», um falso documentário sobre um assaltante que falha constantemente a cada novo plano que executa, Allen volta à realização ao enveredar por uma sátira total que, para muitos, tem algo de política, mas para o próprio autor, é apenas uma simples comédia. Há quem diga que seja uma homenagem a «Duck Soup», dos irmãos Marx, pelo completo disparate absoluto que reina na história de Allen e de Mickey Rose. Mas aqui vemos também os inícios do neurotismo e da persona cinematográfica que caracterizou o cineasta nos anos seguintes, em projetos marcantes como «Annie Hall», «Manhattan» ou «Hannah e as suas Irmãs» e que, para muita gente, é o homem que, na atualidade, refaz o mesmo gilme todos os anos (nas suas opiniões, Allen limita-se a mudar os atores e o títu…

Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution) [1957]

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«Testemunha de Acusação» é mais uma peça fundamental da filmografia do realizador Billy Wilder, que aqui, decidiu pegar numa história da Dama do Crime Agatha Christie (que passou para teatro), a criadora da Miss Marple e do detetive belga "cabeça d'ovo" Hercules Poirot, para voltar à mesma (mas nunca repetitiva) fórmula de sucesso que traduz a fama e a excelência dos seus grandes filmes: uma realização ímpar, um argumento excecional e um elenco de luxo. Não vamos estar com mais rodeios, pois são estas as três peças-chave da grandeza do génio de Billy Wilder. Esta é uma fita que não versa sobre as relações humanas, pelo menos de forma amarga, sarcástica (sarcasmo podemos só encontrar no humor inglês muito presente nos diálogos das personagens e nas ideias de Christie) e irónica, como os clássicos «Quanto Mais Quente Melhor», «O Inferno na Terra» ou «O Apartamento», e aproxima-se mais do clima negro de «Double Indemnity», mas sem ser propriamente um film-noir. É uma espéc…

O Buraco (Le Trou) [1960]

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«Le Trou» é um inigualável filme que mostra como se faz uma grande evasão da cadeia. Sendo uma obra muito conceituada entre as maiores do Cinema francês e europeu e inovador em muitos campos (inovações essas que, felizmente, parecem continuar a ser surpreendentes e cativantes para o nosso olhar), e tendo sido realizado pelo inventivo cineasta Jacques Becker (que, graças a um “meeting” com King Vidor – autor de «Morte ao Sol» e «Vontade Indómita» - ganhou um interesse maior e mais criativo pelas artes das Imagens em Movimento), «Le Trou» tem toda a sua ação localizada no interior da prisão de “La Santé” (salvo raros momentos exteriores da fita), onde convivemos com todo o dia a dia da cadeia e onde presenciamos diversas situações que lá se sucedem com alguns dos presos, que tanto nos parecem ser culpados como inocentes dos crimes pelos quais foram acusados – talvez não temos dados suficientes para avaliar a situação dos poucos secundários que preenchem, em certas cenas, algumas partes…

Politiquices

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Já estamos mesmo muito perto das autárquicas, e isso lembra-me uma certa teoria que eu cá tenho: se os boletins de voto como este tivessem escrito, para além dos partidos candidatos, as pessoas que os representam, talvez algumas coisas mudariam nos resultados das eleições em Portugal, e provavelmente, atenuava-se um certo clubismo partidário que, com uma dimensão muito ferrenha (como se o caso fosse o do futebol), inunda muitas zonas do país, de esquerda ou de direita. Parece que o que mais importa é a marca e não quem a representa. Não seria mais importante votar no que pessoa x ou y quer fazer se for eleita, do que no partido em que sempre pusemos uma cruz só porque sim?

Mas isto sou só eu a falar...

Kill Bill - A Vingança (Volume 1) [2003]

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AVISO: Esta crítica terá ainda menos qualidade do que é habitual (sim, isso é possível! Eis a prova!). Mas é que o filme em causa não me permite escrevinhar algo melhor do que estas linhas vos podem oferecer. Há milhões de análises na internet desta fita. Sigam essas, valem mais a pena.
O primeiro tomo de «Kill Bill», que narra as peripécias de "A Noiva", a personagem criada por Quentin Tarantino que reinou por dois filmes do realizador (e que ao que parece, será a protagonista de um futuro volume 3), num misto de homenagem e exagero de toda uma série de referências captadas por Tarantino nas suas aprendizagens cinéfilas, talvez seja provavelmente o seu filme mais popular, mais até do que «Pulp Fiction», a sua melhor obra: «Kill Bill» é aquele filme que toda a gente conhece e que toda a gente utiliza para se afirmar como "alguém" entre outros conhecedores de Cinema. E, como grande parte das fitas de referência para o mundo da cinefilia, «Kill Bill 1» agrada e desag…

Breaking Bad e Ennio Morricone

Quando uma das bandas sonoras mais épicas de todos os tempos se junta à série mais épica de todos os tempos: eis um remix com um fabuloso tema de «O Bom, o Mau e o Vilão», pelo genial Ennio Morricone, e muitos grandes momentos das primeiras quatro temporadas e meia de «Breaking Bad». É para ver, mesmo. E a versão completa, essa, só quando esta fabulosa série terminar... algo que está quase a acontecer, infelizmente...

Walter White é o "Máior". Ponto.

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Vá vá, depois de meio mundo acordar para a vida e PERCEBER, de uma vez por todas, que BREAKING BAD é a melhor série dramática de sempre, quem é que vai continuar a insistir no Game of Thrones? Tenho pena é que só muita gente tenha percebido a perfeição desta obra prima televisiva AGORA, que só faltam dois episódios para terminar. Há pessoas que são demasiado exigentes e têm os seus métodos para avaliar séries/outras formas de cultura, que põem em causa o facto de algo ser "perfeito" ou não. Mas BREAKING BAD, minhas amigas e meus amigos, quer queiram quer não, É "A" SÉRIE DE TELEVISÃO. Ponham-lhe os defeitos que quiserem, nada tira a sua grandiosidade.

Manhattan [1979]

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Woody Allen não ficou satisfeito com o resultado final deste seu filme, «Manhattan», e pediu até à sua distribuidora que o não lançasse. E nas suas próprias palavras, anos mais tarde, referiu-se a este filme dizendo: "eu só pensei: nesta altura da minha vida, se isto é o melhor que consigo fazer, eles não deviam dar-me dinheiro para fazer filmes". Contudo, o cineasta americano, que hoje já realizou mais de quarenta filmes, não poderia imaginar o quão popular e reconhecido seria esta sua obra, tida como uma das suas melhores. «Manhattan» é um daqueles casos felizes em que a opinião do público diverge com a opinião do artista do "produto" artístico em questão, e ainda bem. «Manhattan» constitui, além de uma belíssima ode à cidade que dá nome à fita, tão bem ambientada pelos sons da autoria de George Gershwin (regravados propositadamente para o filme, algo que não é muito comum na filmografia de Woody Allen - ele muitas vezes limita-se a ir rebuscar os clássicos sono…

O verdadeiro significado do final de The Graduate...

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Num dos seus mais recentes vídeos, o "Nostalgia Critic" explica o significado, muito simbólico e filosófico, dos momentos finais de «A Primeira Noite», o filme que revelou o ator Dustin Hoffman. Vale a pena ver, para quem gosta da fita. E para isso basta clicarem aqui. E acrescento que concordo totalmente com as palavras deste internauta cinéfilo, sempre divertido e esclarecedor.

Há Festa na Aldeia (Jour de Fête) [1949]

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Antes de «As Férias do Senhor Hulot», «O Meu Tio» e «Playtime - Vida Moderna» (considerado, por muitos, a obra prima do cineasta), Jacques Tati fez «Há Festa na Aldeia», um projeto ambicioso em termos cómicos, narrativos e cinematográficos, que permanece um brilhante e bonito filme, marcante na História da Sétima Arte em geral, e no cinema europeu em particular. Nomeado para o Leão de Ouro do Festival de Veneza com este seu trabalho, que saiu do certame com o prémio internacional para o Melhor Argumento, Tati já não estava longe de alcançar a fama e a reputação mundiais que se consolidaram, efetivamente, com «O Meu Tio» (e que se desvaneceram daí para a frente, principalmente com o desastre que lhe deu o fracasso de «Playtime»), que lhe valeu um Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, mas «Há Festa na Aldeia» permanece o seu filme mais esquecido, entre os "grandes", mas também como um dos mais apreciados e acarinhados (voltou há pouco tempo aos Cinemas franceses na versão a pr…

O jornalismo não é bem tratado por um canal de jornalismo

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A SIC Notícias está a passar, às duas da manhã, um dos maiores guias de estudo do jornalismo televisivo: as entrevistas lendárias de Frost a Richard Nixon. Não poderiam, por um dia, alterar o horário da «Quadratura do Círculo» ou do «Tempo Extra» para dar, a uma hora decente, este programa que, ao contrário dos dois mencionados, tem grande qualidade? É irónico que um canal de notícias trate as suas referências desta maneira. Talvez o director de programas da SIC Notícias ache o Rui Santos ou o Pacheco Pereira os gurus e criadores do jornalismo moderno...

A tragédia na comédia

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«Blackadder» termina a sua última temporada com um momento dramático, que nos faz perceber a dimensão das personagens e o brilhantismo de uma série que se torna mais refinada e inteligente em cada nova era onde encontramos a personagem de Rowan Atkinson. É invulgar uma sitcom terminar desta maneira... mas deixa um autêntico arrepio na espinha. Isto é de génio.

Blue Jasmine [2013]

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Woody Allen e toda a sua filmografia serão sempre dominados por um estigma que o público português (ou pelo menos, grande parte dos espectadores tugas) nunca se irá esquecer e nunca pararão de associar ao cineasta: é que ele foi (e ainda é) especialista em grandes comédias neuróticas, onde as pessoas gostam de se rir à gargalhada de coisas que, muitas delas, não entenderam patavina (é quase uma gargalhada de "status"). Daí que na sessão de antestreia de «Blue Jasmine», o novo filme de Allan Stewart Konigsberg, no Cinema do Campo Pequeno, onde estive presente, muita gente tenha pensado que o que estavam a ver era uma verdadeira comédia, e muitas gargalhadas despropositadas em muitas potentes cenas trágicas (se houve pessoas que se riram do final deste filme, devem talvez achar muita graça aos dramas de «A Lista de Schindler» ou de «O Padrinho» - porque é que é tão difícil perceber que nem tudo é para rir numa comédia? Para algumas pessoas o rótulo de "humor" dá-lhe…

Django [1966]

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Um homem segue o seu caminho, levando consigo um caixão, com um ar discreto e sem ter más intenções. É assim que começa «Django», com aquela música inicial que imortalizou este filme de Sergio Corbucci e que originou tantas sequelas não-oficiais, um segundo volume original, com o mesmo ator deste primeiro (Franco Nero) e, há pouco tempo, um "filme-homenagem" de Quentin Tarantino («Django Libertado»). Estaremos à espera de um filme épico, carregado de grandes momentos cinematográficos como, por exemplo, fizeram os famosos "western spaghetti", realizados por Sergio Leone, que tornavam cada movimento de câmara ou de qualquer um dos atores um pretexto para se criar autêntica poesia visual? Não tanto, mas temos em «Django» uma boa fita. É a única obra deste género cinematográfico que foi filmada em 4:3, ao contrário do que se poderia esperar em filmes que necessitam tanto apoio na qualidade da câmara e no que o olhar do espectador pode captar através do mesmo. Mas «Dja…

Johnny Guitar [1954]

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O filme de eleição do crítico de Cinema e histórico diretor da Cinemateca Portuguesa João Bénard da Costa (cinéfilo por excelência), «Johnny Guitar» é um western inegavelmente original, marcante e pioneiro, porque não cede ao cansativo, lucrativo e gasto padrão americano da época em que foi feito, em que este género cinematográfico dominava no país e as temáticas implicavam um conservadorismo maior e uma constante repetição de histórias e situações (índios contra a cavalaria, cavalaria contra os índios... obviamente que há muitas - e boas - exceções à regra: «Rio Bravo», «O Comboio Apitou Três Vezes», «O Homem que matou Liberty Valance», «My Darling Clementine», etc). E porquê a sua originalidade? Isso deriva, desde logo, pelo facto de quem protagonizar esta "coboiada" ser uma mulher, e logo uma Grande atriz (Joan Crawford) que enche o ecrã de uma forma arrebatadora. Depois, há Nicholas Ray, o célebre e criativo cineasta que, um ano depois, realizaria o filme que tornaria J…

O Homem da Maratona (Marathon Man) [1976]

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«O Homem da Maratona» é um dos mais conhecidos thrillers americanos dos anos 70, e um dos poucos que põe em confronto duas realidades, e um problema, fora do seu tempo de maior "popularidade": a realidade judaica e a opinião dos nazis, e a tragédia do Holocausto. OK, esta não é a temática central da fita de John Schlesinger (que, alguns anos antes, saiu triunfante dos Oscares com outro filme, «O Cowboy da Meia Noite», também com Dustin Hoffman, acompanhado por Jon Voight), que tem diamantes e tudo, que circundam a vida de um estudante que quer ser maratonista, mas o racismo está constantemente na fita, e não sendo uma peça-chave fundamental para toda a trama, causa alguns momentos de reflexão (a cena inicial, em que um nazi e um judeu se insultam mutuamente, por exemplo): tudo o que parece ter terminado há um longo tempo atrás deixará sempre as suas marcas no futuro, quer queiramos ou não que isso aconteça. E as consequências do Holocausto estão bem presentes nos heróis e n…

Contemporâneos de regresso... em reposição

Quando passaram originalmente na RTP1, os Contemporâneos foram um fenómeno, a esperança certa para o buraco deixado pelos Gato Fedorento (que nunca voltaram a ter a mesma qualidade). Agora é delicioso rever a série e sketches hilariantes como este nas noites da RTP2. Sabe bem voltar a lembrar que houve um tempo, não muito longínquo, em que a televisão pública apostava no mais inteligente humor português. E eu tenho sempre fé que os Contemporâneos se voltem a juntar. Quem sabe...

Cerromaior: Manuel da Fonseca e o Alentejo

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Do autor de «Seara de Vento» que é, provavelmente, a sua narrativa mais conhecida e estudada, «Cerromaior» é um romance rural de Manuel da Fonseca, onde várias temáticas são postas em confronto num Alentejo atrasado, conservador e onde estranhas pessoas, com vidas estranhas, deambulam pela aldeia que dá nome ao livro, e em outras que a rodeiam. Esta obra foi ainda alvo de uma adaptação cinematográfica, da autoria de Luís Filipe Rocha, estreada no ano de 1981, e que teve algum considerável sucesso. «Cerromaior» é a história de Adriano, um rapaz que vive na aldeia mas que ambiciona regressar a Lisboa para completar os seus estudos, coisa que os seus familiares e as suas obrigações patrimoniais o impedem de executar. E em Cerromaior conhecemos todo um rol de personagens que conhecem Adriano, ou trabalham para os seus primos, ou que simplesmente habitam o mesmo espaço que este moço, que deambula pelas ruas da aldeia desgostoso da sua vida. «Cerromaior» é também uma crítica política, tend…