sábado, 14 de dezembro de 2013

O Grande Mestre (Yidai Zongshi) [2013]


São logo duas as componentes de O Grande Mestre que fascinam o espectador nos primeiros minutos do filme: a sua música envolvente e inspiradora (que vai buscar algumas composições bem conhecidas do meio cinéfilo – como a espetacular partitura de Ennio Morricone, composta originalmente para a obra prima Era Uma Vez na América, e que aqui se ouve  quase no final da trama), e a impressionante cinematografia que é um banquete para o olhar, e que tem aquela qualidade inigualável que já nos habituámos a ver em obras anteriores de Wong Kar Wai. E é mais estilo e beleza visual que encontramos nesta fita, do que tudo o resto. As sequências de luta começam por ser apelativas e estimulantes, com o seu toque muito estilizado que vai beber influências de Matrix, mas a pouco e pouco, começam a tornar-se repetitivas.

Protagonizado por Tony Leung (um ator recorrente nos filmes de Kar Wai – veja-se ou reveja-se o seu magnífico desempenho em Disponível para Amar), O Grande Mestre consegue evoluir e ultrapassar alguns dos seus defeitos ao captar o espectador com o seu lado mais lírico, filmado em contraste com as cenas de ação, e por ter um retrato histórico fiel da China dos trintas, quarentas e cinquentas, focando de forma exemplar os anos da Guerra (e as suas consequências para o povo) e o declínio momentâneo de Yip Man, ao estar no meio de uma rede de conflitos da qual não consegue escapar.

Ainda bem que Wong Kar Wai não se perdeu totalmente com esta novidade trazida pelo seu Cinema: O Grande Mestre não se resume às lutas, e é acompanhada pelo lindíssimo visual, pela impressionante estética e pelo espírito do cineasta que está tão presente em cada fotograma. Este filme acaba também por entranhar o espectador naquele mundo secreto e obscuro graças aos momentos mais altos da narrativa e de Arte cinematográfica melhor dirigida (e que não se fique só pelo regalo da vista), acabando por dar um interesse curioso ao percurso de uma arte milenar que caracteriza o seu país.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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