sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Fim da Aventura - Amor, conflito e religião


«O Fim da Aventura» é um clássico da literatura e uma das obras mais surpreendentes e maravilhosas de Graham Greene. Numa história de paixões, crenças e tensões, o autor explora hábil e genialmente a força do espírito humano, dissecando razões, pensamentos e justificações para a turbulência das personagens e o vaivém em que se encontram as suas vidas. E é fascinante a forma como o autor, sendo católico, consegue criar todo um rol de personagens sem ligações à religião (ou aparentes ligações) e fazer uma história tão credível e filosoficamente profunda.

Greene começou por ser comunista, mas com o passar dos anos (e também auxiliado pela influência da sua mulher), deixou a política e converteu-se ao catolicismo. Uma forte componente religiosa é notória em «O Fim da Aventura» e é isso que torna este um livro tão especial. Não há reflexões tendenciosas nem preconceituosas, mas Greene analisa a maneira como a fé, ou a falta dela, moldam as pessoas a serem quem são, boas ou más, tanto de um lado de crenças como do outro sem esse tipo de crenças.

«O Fim da Aventura» é um excelente e belíssimo romance, que vai até ao lado mais negro e profundo das relações humanas e do amor entre homens e mulheres. Sem picuinhices, sem ideias feitas, apenas repleto de humanidade e de humildade, com personagens identificáveis com o leitor e que são o exemplo do fascínio dos homens pelo que lhes é desconhecido e que os faz viver de formas tão complexas e reveladoras. É um grande livro, que agarra o leitor e que faz rir, chorar e pensar. E a escrita de Greene, carregada de ironia e sarcasmo, é verdadeiramente genial. 

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