quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Malavita [2013]


«Malavita» (denominado «The Family» nos states talvez para melhores resultados comerciais - tal como aconteceu, por exemplo, com a adaptação do título de «Harry Potter e a Pedra Filosofal» para o mercado americano na sua estreia original) é o regresso ao mundo da máfia do lendário Robert de Niro. Muitos anos depois de ter feito clássicos incontornáveis como «O Padrinho - Parte II» e «Tudo Bons Rapazes» (referenciado de uma forma curiosa nesta fita), de Niro parece estar de volta a uma série de papéis mais relevantes, após uma época mais morta da sua carreira cinematográfica. Depois de uma considerável surpresa com «Last Vegas», «Malavita» é mais uma prova do triunfal regresso do excelente ator. O filme de Luc Besson, realizador conhecido pela ação cinematográfica fulgurante e, muitas vezes, excessiva que rodeia as suas obras (veja-se «Nikita - Dura de Matar», ou um exemplo com muito mais qualidade, «Léon, o Profissional»), assina em «Malavita» um filme de gangsters muito decente, com bons e maus momentos técnicos onde, basicamente, se tenta desconstruir esse género de filmes contando uma história com o seu quê de desinspiração e banalidade. Com produção executiva de Martin Scorsese (daí a referência a «Goodfellas»?) e uma intrigante banda sonora, «Malavita» flutua entre a comédia (onde triunfa muito mais) e a ação a alta velocidade, no retrato de uma família disfuncional que tem de fugir da vingança de um grupo mafioso cujo líder foi denunciado pelo Pai (Robert de Niro). E mesmo que não seja mais do que um objeto de mero interesse do "culto" dos filmes da máfia, é agradável voltar a vê-la a ser retratada no Cinema de uma forma algo relevante e perspicaz. 


Com algumas boas invenções de montagem e umas boas porções de diálogos engraçados e interessantes (incluídos em situações vulgares, mas que ganham "sumo" pelo determinado contexto que nos é apresentado), «Malavita» é uma obra que mostra uma violência exacerbada que tanto nos faz rir como, em certos momentos, nos causa um tédio descomunal (e principalmente no final, que parece ter sido construído usando todas as razões menos convincentes possíveis que pudessem ser inventadas, os pretextos para justificar o rumo que decidiram dar à história). Os artifícios visuais de Besson enchem a medida do ecrã, mas não as exigências do espectador que, apesar de gostar de ver a grandiosidade do Cinema, sabe que o mesmo não se faz de cenas aleatórias e incongruentes de grandeza. A justa homenagem aos gangsters do Cinema que é tentada levar a cabo com «Malavita» perde pela inconsistência da estrutura do filme, que só ganham mais "pinta" quando o argumento caricatura alguns elementos que começámos a associar à máfia do grande ecrã: os métodos radicais, as subtilezas das suas vinganças, os excessos da organização e dos seus membros... além de que de Niro brinca também um pouco com a "persona" que criou nesse tipo de fitas, o que é curioso de se contemplar. Cómico, despretensioso, rebuscado às toneladas e repleto de um falso estilo que até dá gosto de ser visto, «Malavita» poderia ter brilhantismo se o seu todo não deixasse um vazio após o visionamento. Falta muita coisa ao filme: uma história mais bem estruturada, que poderia ser tão bem explorada pela "essência" que Besson quis dar a esta trama (e que tem mesmo algo de Scorsese). Mas vê-se com prazer, e até passa muito depressa. E o melhor mesmo é ver que de Niro ainda quer mostrar aos seus milhões de fãs que continua a ser um ator cinematograficamente credível, entrando agora em projetos mais interessantes do que os elaborados anteriormente. Mas agora isto tem de prosseguir numa escalada evolutiva: esperamos obras melhores em tudo o resto, e que não se assentem só no poder do ator...

* * * 1/2

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