Até Amanhã, Camaradas [2005]


Para comemorar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, o realizador Joaquim Leitão pegou na sua minissérie de 2005 baseada num livro do líder do PCP, Até Amanhã, Camaradas e, das cinco horas de duração da mesma, fez uma reformulação com três para o Cinema. Os resultados não são os melhores, porque mesmo que o conteúdo televisivo tenha qualidade, não é isso que o torna adaptável para o grande ecrã.

Em filme de 180 minutos, sentimos uma narrativa apressada, onde acontecimentos e histórias de personagens são “comidos” sem dó nem piedade, triturados de forma acelerada e incongruente, e entregues ao espectador num prato confuso e cansativo, pela rapidez como trata cada uma das cenas. Ficamos sem perceber como é que algumas personagens surgiram ou onde foram parar, e algumas cenas verdadeiramente inúteis para o Cinema são melhor aproveitadas do que aquelas que teriam mais interesse na sala escura, que já fica afetada pela qualidade da película da série, filmada para TV, não encaixar normalmente aos ajustes das definições do ecrã cinematográfico.

Assim, ao contrário de um fenómeno como A Melhor Juventude, o épico de Marco Tullio Giordana, a produção portuguesa não funciona como produto televisivo e cinematográfico. Se a princípio o filme italiano foi uma aposta televisiva com quase 400 minutos, foi depois para as salas, com um corte reduzido (menos meia hora de série), e mesmo assim o filme funciona de forma maravilhosa. E talvez o problema maior da versão cinematográfica de Até Amanhã, Camaradas seja mesmo o de ter sido cortado demais, o que consequentemente, torna-o demasiado longo e curto ao mesmo tempo: longo por perder demasiados minutos com futilidades, e curto porque deixou muitas coisas relevantes por contar.

Leiam a crítica integral no Espalha Factos.

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