sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A nova vida de palco do Sermão aos Peixes


Esteve poucos dias em cena no Teatro Nacional D. Maria II, mas eu tive a oportunidade de assistir há cerca de uma semana a «Sermão aos Peixes», uma encenação do fabuloso texto do Padre António Vieira, levada aos dias de hoje e repleta de interatividade. Esta é apenas mais uma prova que as palavras do sacerdote, que se dirige aos peixes e utiliza-os para criar metáforas adequadíssimas aos seres humanas, continuam extremamente atuais e plenas de significado. Através de dois sem-abrigo que, através de diversos engenhos de palco e de uma grande energia de interpretações, dizem o texto de Vieira, a peça utiliza diversos recursos cénicos que dão uma nova vida a um sermão que, para muitos, não interessa grande coisa no nosso tempo.

«Sermão aos Peixes» é uma peça dinâmica, cómica e filosófica, que nos leva ao pensamento de Vieira de uma forma nunca antes vista. Ao contrário de «Comunidade», outra peça do D. Maria que vi recentemente, e que não soube pegar no grande texto que teve como base para fazer uma encenação decente, o «Sermão» usa e abusa das palavras de PAV, brinca com os conceitos e com os "peixes" elogiados ou acusados, e dá uma nova expressão aos ditos do autor. Talvez o final seja um pouco rebuscado para aquele contexto (depois de terminado o Sermão, é feito uma espécie de pequeno sketch original que encerra a peça), mas não estraga nada desta maravilhosa peça, com algo de mágico e de esclarecedor sobre a sociedade contemporânea. Aconselho a verem, se por acaso o «Sermão aos Peixes» voltar brevemente a estar em cena!

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