sexta-feira, 2 de agosto de 2013

UTOPIA e as teorias da Conspiração


Mais uma grande aposta britânica, desta vez vinda não da British Broadcasting Corporation, mas sim da sua concorrente Channel 4: «UTOPIA» é uma série cuja primeira temporada de seis (intenssísimos) episódios estreou nessa estação televisiva no princípio de 2013 e que, infelizmente, não está a ser planeada a sua estreia, de momento, no nosso país. Mas a internet auxilia a descobrir maravilhas como esta que não se encontram todos os dias: «UTOPIA» gira à volta de conspirações, governos, Poder e media, seguindo o melhor dos thrillers americanos na era dourada desse género cinematográfico (com realizadores de renome como Sidney Pollack e Alan J. Pakula) e sem recorrer a demasiados clichés criados pelo género nos últimos anos, tanto em televisão (com produtos massificados e demasiado compridos – as repetitivas fornadas de 22 capítulos cansam muito, principalmente pelo facto de a narrativa ter de ser esticada para cumprir a encomenda, não sendo utilizada da melhor e mais apropriada maneira) como no Cinema (assim de repente lembro-me de um thriller recente que vi em sala, que achei mesmo intragável e 100% previsível, de nome «Sem Identidade»). Um grupo de pessoas envolve-se para impedir que um grande estratagema seja posto em prática por uma grande empresa farmacêutica. Mas «UTOPIA» não é parcial: afinal, será que o projeto da Corvadt será mau ou bom para a Humanidade? E as próprias personagens duvidam disso constantemente! A série ensina-nos de que tudo o que nos contam dia a dia pode não ser verdade e não passar de manipulações do público pelos meios de comunicação social e pelo governo, apesar da agitação social constante dos tempos modernos querer dar uma aparência de que a Humanidade está cada vez mais perto de atingir a paz (mas muito pelo contrário, distancia-se mais e mais disso mesmo). 

Repleta de surpresas e “twists” narrativos, «UTOPIA» podia ter acabado nesta temporada, mas felizmente o seu autor criou uma forma narrativa de prosseguir esta história e (espero eu) continuá-la tão credível e marcante como foi nesta meia dúzia de capítulos. Está já prometida uma segunda época para o inicio do próximo ano e, penso, escuso estar com grandes explicações sobre o programa: há tanta coisa por abordar e ver que é o espectador que deve visionar por si próprio, sem recorrer a opiniões de terceiros. Mas posso acrescentar que «UTOPIA» consiste num daqueles raros produtos de ficção que pretende chocar com a realidade de uma forma assustadoramente real, deixando-nos perplexos, e algo assustados, sobre todas as coisas que estão à nossa volta, mas que nos escondem ou que pelas quais passamos ao lado. Foi uma das estreias televisivas mais badaladas deste ano de 2013, e de uma forma muito merecida, porque «UTOPIA» é mesmo para experimentar e deixar-se levar pela estranheza, a princípio, que o conceito suscita, mas que, a pouco e pouco, acaba por ser muito mais interessante e real que muito trabalho de jornalismo ou documentário sobre os segredos que os governos têm nos seus países. Com excelentes atores, uma espantosa fotografia e um argumento brilhantemente estruturado, «UTOPIA» é uma série que quer abalar o sistema, ou pelo menos, sensibilizar os seus espectadores. E por isso, devia ser transmitida em Portugal!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).