Os Fugitivos de Alcatraz (Escape from Alcatraz) [1979]


Alcatraz was built to keep all the rotten eggs in one basket, and I was specially chosen to make sure that the stink from the basket does not escape. Since I've been warden, a few people have tried to escape. Most of them have been recaptured; those that haven't have been killed or drowned in the bay. No one has ever escaped from Alcatraz. And no one ever will! 

A quinta colaboração entre o ator (e realizador noutras circunstâncias) Clint Eastwood e o cineasta Don Siegel resultou em «Os Fugitivos de Alcatraz», um filme surpreendentemente eficaz para a atualidade, repleto de grandes e sonantes diálogos e de fortes e fascinantes interpretações, não pegando demasiado na previsibilidade de algumas situações para sustentar o seu "todo" cinematográfico. Não é um filme de ação (e de "fuga-da-prisão") qualquer, mas sim uma obra inteligente, que não se esquece que é entretenimento, mas consegue levar o género ao mais alto nível.  E talvez por isso conseguiu tão bem resistir ao tempo. Depois do sucesso estrondoso, anos antes, obtido pela dupla com o primeiro tomo da saga de Dirty Harry («A Fúria da Razão»), Eastwood e Siegel seguem um novo rumo: um filme de aventuras, baseado numa história verídica, onde se procede uma grande evasão (não ao jeito de Steve McQueen, mas à maneira que alguns indivíduos, liderados por Eastwood - que interpreta Frank Morris, um ladrão de bancos habituado às andanças que as fugas de prisões implicam -, magicaram para tentarem escapar da fortaleza prisional de Alcatraz, de onde nunca ninguém antes conseguiu fugir!). E, tal como todos os grandes filmes de ação, ou que envolvam a parelha polícia-criminosos, «Os Fugitivos de Alcatraz» dá as voltas à realidade: os bandidos são os bons (ou, por outras palavras, apenas aqueles a quem nos afeiçoamos - não os inimigos de Eastwood e companhia, porque no meio dos criminosos mais amistosos há sempre os que têm a navalha pronta para atacar, e mesmo os que nos são amigáveis podem ter um truque ou outro na manga, à espera de ser usado para qualquer patifaria) e a Lei é a grande vilã da narrativa (personificada no "Warden" de Alcatraz, a quem pertence a citação com que iniciei esta crítica), e chegamos até a ter pena dos protagonistas quando são confrontados com os métodos algo desumanos e injustos com que são tratados naquela prisão (o caso mais "comovente", digamos, é o de Doc, uma personagem a quem tinha sido concedido o privilégio de pintar - personagem esse que trará algum simbolismo ao filme e a um elemento-chave do mesmo). No fundo, bons e maus são todos "farinha do mesmo saco", mas é claro que ficamos do lado dos corajosos prisioneiros que tentam sonhar com a liberdade. Mas será que a fuga é mesmo impossível, como afirma o Warden orgulhosamente, ou sair daquela ilha/prisão de alta segurança, e daquele ambiente que tanto tem de perigoso, como de duvidoso, como até de divertido, é mais fácil do que parece? No final, nunca saberemos o que aconteceu aos evadidos, mas alguns não ficarão satisfeitos com o resultado das desventuras do grupo de Frank. Há quem diga que conseguiram escapar mesmo, mas ficou, pelo menos, uma história curiosa e invulgar que foi muito bem filmada por Don Siegel e protagonizada por Clint Eastwood.


Estamos em 1960, uma década ainda marcada pelo preconceito racial e social nos Estados Unidos da América, patente em algumas personagens e cenas de «Os Fugitivos de Alcatraz», mas não há só temas sérios e sim também algum bom e desconcertante humor que "tempera" o filme, marcado ainda pelo plano astuto e inteligente de Frank Morris em grande entretenimento cinematográfico extremamente bem elaborado, com muito suspense, mesmo que pensemos que já sabemos toda a história e o final da mesma. O filme tornou-se uma referência do cinema americano e é mesmo inimitável por qualquer outro país ou Cinema. E temos de agradecer aos Americanos por serem os únicos a saberem fazer filmes como este, há que perceber isso de uma vez! «Os Fugitivos de Alcatraz» é um arrasador clássico dos anos setenta, empolgante e, por vezes, impressionante, onde são os pormenores, o argumento (construído de uma forma exemplar, não esquecendo nada), o realizador e os atores que fazem toda a diferença. Para alguns é um filme sobrevalorizado, e para mim é um grande filme.

* * * * 1/2

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