quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Estação (The Station Agent) [2003]


«A Estação», pequeno filme independente escrito e realizado por Thomas McCarthy, a sua primeira obra (e que antecederia «O Visitante» e «Todos Ganhamos»), é uma proposta interessante mas pouco relevante, em termos cinematográficos, cinéfilos e sociais (apesar da fita parecer querer ter um fôlego maior graças ao aspeto social que transporta, mas que retrata tão estereotipadamente - não por causa da situação em si, mas por tudo o que a rodeia - e por a incluir numa história tão insípida). Mais conhecido pela sua carreira de ator do que nos trabalhos que faz por trás das câmaras (integrou o elenco da série «The Wire - A Escuta» e alguns filmes dispensáveis, mas rentáveis, como «2012» e a saga dos Fockers - «Um Sogro do Pior», etc), McCarthy teve um bom elenco à sua disposição (encabeçado pelo notável Peter Dinklage, que agora renovou a sua fama graças à sua participação recorrente na série «Guerra dos Tronos») e os meios necessários para poder filmar o seu simples e desinspirado argumento, que teria tanto para dar se tivesse sido retocado, tal como a montagem do filme. Ainda assim, «A Estação» conquistou meio mundo de festivais de Cinema independente (onde, pelo que tenho visto, é muito pouco frequente serem atribuídos prémios a fitas que mereçam mesmo um prémio, pela sua elevada qualidade - porque essas obras, com excelência ou brilhantismo, não abundam muito hoje em dia...) e comoveu audiências pela sua história de solidão e preconceito social, sendo que tudo se passa numa estação de comboios, herdada por Finbar McBride, um apaixonado pelo mundo dos comboios, e para onde este vai viver uma temporada, acompanhado por si próprio e pouco desejoso de conhecer pessoas e/ou experiências novas. Mas, e tal como nos diz a sinopse da edição nacional em DVD do filme (por apenas um euro - mas mesmo assim, pensem duas vezes se quiserem investir duzentos escudos nisto), "mesmo a solidão é melhor partilhada", e depois Fin conhecerá duas pessoas, igualmente solitárias, mas distintas entre si, que acabarão por fazer parte de si próprio.


O melhor de «A Estação» é o elenco (com Dinklage em grande destaque - consegue dar um espírito maior à sua personagem e passar, ao menos, uma mensagem que o argumento, por si só, não consegue) e a banda sonora, tão simples e solitária como o protagonista do filme (mesmo quando ganha dois novos amigos e tem uns namoricos lá pelo meio - coisas que servem apenas para encher). Mas se esta é uma fita que já tem uma duração bastante curta (85 minutos), a mesma é longa demais. Talvez com menos meia hora «A Estação» funcionasse melhor, mais uns arranjinhos necessários ao argumento (tão repetitivo, e onde nem as falas se escapam - além de o humor ser por vezes demasiado seco, e das personagens dizerem sempre "sh*t" a torto e a direito, sem qualquer tipo de nexo e numa repetição constante que cansa e tira o sentido à palavra, os diálogos são fraquinhos e, nos momentos em que se tornam bons, ou são cortados para outras cenas, ou são colocados em pontos da ação que os tornam desinteressantes ou descabidos, ou são simplesmente postos de parte para dar mais ênfase a ideias menos bem conseguidas), à produção e à realização. Mas como primeira obra, tem os seus méritos. É um filme algo divertido, com muitos clichés narrativos e "independentes" (ou seja, daquele género de filmes independentes que se assumem como tal, mas que depois vão copiar as formatações do cinema americano mais comercial - e, pior do que copiarem, é que copiam mal), mas que - e em tempo de férias, isto é o mais importante - é uma obra que se vê bem, com uma bonita fotografia que dá uma certa frescura à história e aos seus personagens (algumas das paisagens que os rodeiam são belíssimas - e McCarthy acentua isso muito bem), e uma interessante investida no mundo de um indivíduo que, por ser de baixa estatura, não deixa de ser humano e com tantas preocupações e hábitos como qualquer um de nós.

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