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A mostrar mensagens de Agosto, 2013

A comédia (bélica) e a vida

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DR STRANGELOVE, de Stanley Kubrick - um filme que está cada vez mais actual. E apesar de ser uma louca sátira, o seu lado alarmante, originalmente crítico para a Guerra Fria, continua assustador hoje. Não consigo deixar de pensar neste filme, e nas cenas que se passam na "ONU" do mesmo, onde se debate o risco de cair uma bomba que destruirá toda a Humanidade, ao ler, ver e ouvir todas estas trágicas notícias sobre a Síria. Esperemos que a realidade não acabe da mesma maneira que a ficção...

Realizadores autodidactas

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Quando recebeu o Prémio Carreira há uns dias no Festival de Veneza, o realizador William Friedkin (The French Connection, O Exorcista, Sorcerer - lá exibido em cópia restaurada - e Killer Joe) avisou os jovens realizadores, ou aspirantes a tal, para sairem das escolas de Cinema. "Do it for YOURSELF!", disse de seguida. E concordo absolutamente: uma arte como esta não se aprende graças a cursos ou teorias, mas simplesmente com o puro visionamento de fitas. O canudo pode ficar bem no curriculo, mas em todas as artes só se aprende mesmo com a experiência, e neste caso, graças ao talento e à audácia dos artistas que querem arriscar para darem o seu Cinema ao Mundo. É óptimo saber todas as teorias, mas o verdadeiro realizador é o que compreende a câmara em todo o seu esplendor. E não há nenhuma aula que possa proporcionar essa experiência...

F1 no Cinema, por Ron Howard.

Mais um projeto cinematográfico que me captou a atenção: RUSH, realizado por Ron Howard, é uma recriação do mítico mundo da Fórmula 1 e, mais propriamente, a história da lendária rivalidade entre Nikki Lauda e James Hunt. Promete... pelo menos, é o que eu espero.

Adeus, Rapazes (Au Revoir Les Enfants) [1987]

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Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1987, «Adeus Rapazes» é um filme belíssimo, uma obra prima do Cinema mundial realizada por Louis Malle (e que fala, nesta película, de uma experiência que tem muito de autobiografia e de realidade) e que nos fala da amizade entre dois rapazes durante a II Guerra Mundial. Por alguns visto como uma espécie de sequência de «Os Quatrocentos Golpes» pela maneira como filma o ambiente escolar em que giram todas as personagens. «Adeus, Rapazes» não é uma história de um rapaz que, tal como Antoine Doinel, se quer ver livre de tudo e de todos, escapando à escola, aos Pais e à autoridade. Esta é a história de Julien Quentin (Gaspard Manesse), um garoto que vai passar mais um ano de aulas num colégio católico interno francês (instalado - dado curioso - dentro de um antigo Convento), em pleno conflito e com o país já ocupado pelas forças nazis, comandadas pelo implacável Adolf Hitler. Aí conhecerá Jean Bonnet (Raphael Fejtö), um rapaz com orige…

O Grande Gatsby [1974]

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São poucos os filmes que conseguem obter uma reação tão mista do público e da crítica como a versão de 1974 da magnífica obra literária «O Grande Gatsby», de F. Scott Fitzgerald, realizada por Jack Clayton e com um argumento do inigualável Francis Ford Coppola. Por alguns muito estimado, por outros completamente desprezado, e para outros ainda tornou-se um filme esquecido, aborrecido, vítima do remake de 2013 de Baz Luhrmann, cheia de efeitos 3D e modernices para o século XXI, que apagou da memória dos espectadores a versão dos anos setenta. Contudo, e apesar da insistência de muitos para a não-visualização deste «O Grande Gatsby», acompanhada por uma pontuação muito fraca no Internet Movie Database (um daqueles sítios da web onde podemos ver coisas tão subjetivas, mas também tão forjadas e ridículas, como «Os Condenados de Shawshank» estar à frente de «O Padrinho», em termos de qualidade), parece que há ainda uma grande resistência para que este filme não seja visto. Mas eu fiz este…

Eu nos CBA

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Como na edição anterior, vou ser um dos inúmeros jurados dos Cinema Bloggers Awards, uma cerimónia em que são atribuídos prémios aos melhores do Cinema, segundo a opinião dos internautas que têm o estranho hábito de escreverem posts cinéfilos. Infelizmente não pude estar presente na gala da primeira edição, mas participei na nomeação dos candidatos e, felizmente, vi alguns dos "meus" favoritos saírem vencedores. Vamos a ver o que nos espera esta segunda edição, que trará ainda mais feedback e público! E para irem ficando a par das novidades do certame, basta consultarem a página oficial dos CBA (que, lá está, é também um blog).

Os Fugitivos de Alcatraz (Escape from Alcatraz) [1979]

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Alcatraz was built to keep all the rotten eggs in one basket, and I was specially chosen to make sure that the stink from the basket does not escape. Since I've been warden, a few people have tried to escape. Most of them have been recaptured; those that haven't have been killed or drowned in the bay. No one has ever escaped from Alcatraz. And no one ever will! 
A quinta colaboração entre o ator (e realizador noutras circunstâncias) Clint Eastwood e o cineasta Don Siegel resultou em «Os Fugitivos de Alcatraz», um filme surpreendentemente eficaz para a atualidade, repleto de grandes e sonantes diálogos e de fortes e fascinantes interpretações, não pegando demasiado na previsibilidade de algumas situações para sustentar o seu "todo" cinematográfico. Não é um filme de ação (e de "fuga-da-prisão") qualquer, mas sim uma obra inteligente, que não se esquece que é entretenimento, mas consegue levar o género ao mais alto nível.  E talvez por isso conseguiu tão bem …

Capote [2005]

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On the night of November 14th, two men broke into a quiet farmhouse in Kansas and murdered an entire family. Why did they do that? Two worlds exist in this country: the quiet conservative life, and and the life of those two men - the underbelly, the criminally violent. Those two worlds converged that bloody night. 
Truman Capote é, inquestionavelmente, uma das figuras mais marcantes e controversas do século XX na Literatura e na sociedade americanas. A personalidade extravagante e desequilibrada do autor de «Breakfast at Tiffany's», repleta de manias e características pouco comuns no ser humano, foi muito bem transposta para o ecrã nesta fita biográfica de Bennett Miller (que realizou em 2011 «Moneyball - Jogada de Risco», um filme recomendável), e protagonizada por Philip Seymour Hoffman (num papel irreconhecível que lhe valeu o Oscar, bem merecido, nesse ano) que se centra nas peripécias vividas pelo escritor, e testemunhadas em grande parte pela sua grande amiga Harper Lee (que…

Um filme que é pouco provável que chegue a Portugal...

«In a World...» - um dos filmes que mais gostava de ver este ano e que, provavelmente, e a par de «The World's End», não vai estrear em Portugal. Uma premissa curiosa num filme realizado, escrito e interpretado pela comediante Lake Bell, que tem dado que falar, mas noutras bandas. É pena.

A Estação (The Station Agent) [2003]

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«A Estação», pequeno filme independente escrito e realizado por Thomas McCarthy, a sua primeira obra (e que antecederia «O Visitante» e «Todos Ganhamos»), é uma proposta interessante mas pouco relevante, em termos cinematográficos, cinéfilos e sociais (apesar da fita parecer querer ter um fôlego maior graças ao aspeto social que transporta, mas que retrata tão estereotipadamente - não por causa da situação em si, mas por tudo o que a rodeia - e por a incluir numa história tão insípida). Mais conhecido pela sua carreira de ator do que nos trabalhos que faz por trás das câmaras (integrou o elenco da série «The Wire - A Escuta» e alguns filmes dispensáveis, mas rentáveis, como «2012» e a saga dos Fockers - «Um Sogro do Pior», etc), McCarthy teve um bom elenco à sua disposição (encabeçado pelo notável Peter Dinklage, que agora renovou a sua fama graças à sua participação recorrente na série «Guerra dos Tronos») e os meios necessários para poder filmar o seu simples e desinspirado argumen…

A Cinemateca

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Há uma tendência cada vez maior no governo português e nas suas entidades para incentivarem os consumidores a sacarem cultura da net. É assim mesmo, encerram-se os espaços culturais para deixar a malta enfiada em casa a clicar. A Cinemateca Portuguesa, agora em risco de fechar, onde são exibidos muitos filmes raros e pouco ou nada vistos na televisão e no home video, é um caso disso. Mas de facto, se assim preferem, quem fica a perder é o país... Se assim preferem, perde-se mais uma fonte de investimento (sim, porque a Cinemateca não é um museu-fantasma, tinha muitos utilizadores e sócios) e perde-se mais um valor incalculável da cultura nacional. João Bénard da Costa está a dar muitas voltas na tumba neste momento...

Uma nota para as 60 mil

Já tenho este blog há quatro anos e alguns meses. Os meus objetivos e as minhas ideias para este estaminé mudaram muito durante este percurso de existência, mas nunca tive a intenção de fazer coisas populares (porque aliás, na maior parte das vezes, não é essa palavra que pode caracterizar os temas que abordo nos posts), e sim, apenas algo que me desse espaço para fazer tudo aquilo que eu quisesse escrever. Apenas divulgo, e se as pessoas quiserem, carregam no link e acedem ao conteúdo que escrevi em determinado momento. 
Mas não posso deixar de ficar contente por saber que a Companhia das Amêndoas já soma mais de 60 000 visitas desde 2010. Para alguns pode ser um número pequeno, comparando com as enormidades que alguns outros bloggers ou facebookianos conseguem por meio dos seus posts e/ou da aceitação de que usufruem junto dos outros. Mas eu estou muito orgulhoso da minha pequenez, e de como ela conseguiu ganhar uma dimensão de que eu nunca poderia esperar. Mais do que feedbacks ou…

O Espantalho (Scarecrow) [1973]

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Dois anos depois de ter apostado no ator Al Pacino como protagonista do seu anterior filme, «Pânico em Needle Park», uma história obscura e ainda muito atual sobre o mundo e o uso da droga (a obra que revelou verdadeiramente o intérprete e que levou Francis Ford Coppola a querer contratá-lo para «O Padrinho»), o realizador Jerry Schatzberg volta a ter Pacino num projeto seu, desta vez, uma trama cómica, com algo de drama, a ser co-protagonizada também por Gene Hackman. Ambos os atores já se tinham tornado conhecidos do grande público pelos seus papéis em fitas de grande êxito nas bilheteiras e igualmente vencedoras de Oscares (Hackman, em 1971, em «Os Incorruptíveis Contra a Droga» e o seu galardoado "Poppeye" Doyle, e Pacino no trabalho de Coppola, ao qual ofereceu uma poderosa performance como Michael Corleone no primeiro capítulo da saga da família italo-americana - facto curioso: no ano seguinte ambos os atores trabalhariam para Coppola, em dois projetos distintos estre…

4 ideias para novos filmes da PIXAR envolvendo meios de transporte

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«Carros» funcionou bem nas bilheteiras, e fizeram o dois, que foi também bastante rentável para as carteiras dos seus criadores. E agora, vem... «Aviões». E para ajudar esta saga de meios transporte criada pela PIXAR, eu dou aqui quatro ideias para novos filmes, para poderem explorar à brava este maravilhoso filão. E a pequenada, com certeza, vai adorar! E cada uma das ideias tem uma sinopse da história e tudo, hein? Não é preciso agradecer PIXAR! Os nomes das personagens é que estão aportuguesados. Mas olha, queriam a papinha toda feita não?!
1. - Motas A história de Toni, uma jovem e fulminante mota que concorre a todas as corridas da especialidade no mundo (mundo esse que é só habitado por motas, obviamente!), e que leva isso mais a sério do que a ele próprio. No final Toni descobre o que é importante na vida e, imagine-se, consegue ressuscitar uma velha cidade perdida no meio do nada! (AVISO: qualquer semelhança desta sinopse com a do filme «Carros» é propositada. Mas os putos que…

Anatomia de um Crime [1959]

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«Anatomia de um Crime», uma obra realizada por Otto Preminger e protagonizada pelo inigualável e inesquecível James Stewart, é um clássico dos filmes de tribunais (ou "courtroom dramas") e uma boa amostra dos bastidores da advocacia, bem manuseados na arte cinematográfica, tal como as "mexidelas" que se podem fazer na Lei, em benefício de uma ou outra pessoa. Com créditos iniciais de Saul Bass (que deu o seu toque a tantos filmes de Alfred Hitchcock - entre os quais as obras primas «Vertigo» e «Psycho») e com a música de Duke Ellington (um dos maiores nomes do jazz, e que faz também uma pequena aparição no filme, onde as suas sonoridades ficam indissociáveis da trama e do ambiente, com um uso de sombras e de luz muito especial, criado por Preminger), «Anatomia de um Crime» é a história de Paul Biegler, um ex-promotor público que está meio "decadente" por se ter reduzido a casos insignificantes e que não dão muito trabalho a serem resolvidos. Mas ao aceit…

O logo

Para as pessoas que diziam que o logo do blog parecia ter sido feito por uma criança de 3 anos, dou a boa nova: alterei o logo!
Quer dizer, não muda muito, como podem aliás ver. O desenho é diferente, mas o estilo infantil e patético é o mesmo de sempre.
Mas é a vida. Acho que está até mais infantil e mal feito do que o outro. E está giro assim. E eu sei que tenho uns gostos de decoração um pouco esquisitos.

A Leste do Paraíso (East of Eden) [1955]

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«A Leste do Paraíso» foi a estreia do mítico James Dean como protagonista cinematográfico (numa carreira que só iria durar apenas para mais dois filmes, devido ao fatal acidente que vitimou o ator). E basta apenas isto para incluir este fabuloso filme realizado por Elia Kazan na História do Cinema Americano. Mas há mais: «A Leste do Paraíso» é a queda do sonho americano e de uma família conservadora assente em ideais estritamente bíblicos e rigorosos (sendo que todo o filme - incluindo o título - parte de citações ou passagens da Bíblia, e o nome dos dois irmãos faz referência à história de Caim e Abel), onde dois irmãos (um bem comportado, outro outsider e sempre rebelde e que parece estar constantemente fora do baralho do pequeno agregado familiar aparentemente feliz, para o qual a Mãe, desaparecida, é um tema tabu) se opõem com o objetivo de agradarem ao seu Pai, em Monterey, no ano de 1917. Na época em que Hollywood engrandecia o Cinema com mais e melhores inovações técnicas (nes…

A surrealidade dos Contos do Gin Tonic

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«Contos do Gin Tonic» é um livro onde o humor e a surrealidade se encontram, através das pequenas histórias criadas por Mário-Henrique Leiria. Com tanto de Monty Python como de Vasco Santana e António Silva, estes contos malucos e irreverentes influenciaram uma geração de comediantes portugueses (Nuno Markl e Nilton incluídos) e continuam a ser engraçados, mais uns do que outros, hoje. É difícil escrever mais do que isto sobre um livro que tem um conteúdo tão vasto e impossível de ser analisado de uma forma concisa e objetiva. Apenas posso adicionar estas informações: é um livro divertido, que se lê muito rapidamente, cheio de histórias que podem agradar a todos os gostos e feitios humorísticos e que não deixa ninguém indiferente. Mário-Henrique Leiria foi um grande tradutor (são de sua autoria as primeiras edições nacionais de «Fahrenheit 451» de Ray Bradbury e «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley), mas aqui atestamos a sua imaginação narrativa, conhecendo as suas mirabolantes pe…

Nascido Para Matar (Full Metal Jacket) [1987]

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Quando Stanley Kubrick pegou na Guerra do Vietname e fez um filme sobre ela, o mesmo só poderia ser assim, inigualável. «Nascido Para Matar» (o significado do título é intraduzível para português - pelo menos, em três palavras apenas) é mais uma prova de que os filmes de Kubrick têm uma intensidade especial, única e inimitável, tal como afirmou Martin Scorsese sobre este realizador ("ver um filme de Kubrick é ver dez dos outros realizadores). O filme é um retrato, realista ou nem tanto, sobre a transformação que o treino dos soldados e a participação no conflito propriamente dito tem nas suas vidas e nas suas mentalidades. «Nascido Para Matar» é o retrato dos efeitos do Vietname nas pessoas que nele colaboraram, pelos olhos de um dos seus participantes, "Joker" Davis (Matthew Modine), um indivíduo que deve a sua alcunha pelo seu humor e boa disposição (além de gostar de imitar John Wayne), em duas partes distintas: nos treinos para o combate, onde os recrutados são sub…

Cultura em produtos domésticos

Se repararem, as caixas de lenços de papel vendidas pelo Pingo Doce têm, nas suas capas, versos de Fernando Pessoa em modo Ricardo Reis.  Agora o que poesia tem a ver com assoar o nariz, isso já não sei.

The Mist - Nevoeiro Misterioso [2007]

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Se «The Mist» não tivesse sido realizado por Frank Darabont, o homem que trouxe pérolas do Cinema Americano dos finais do milénio passado como «Os Condenados de Shawshank» e «The Green Mile - À Espera de Um Milagre» (e convém também não esquecer o subvalorizado «The Majestic» com Jim Carrey, numa das poucas ocasiões em que o ator agarrou um papel verdadeiramente dramático), eu não teria visto este filme, uma história de terror e ficção científica baseada, mais uma vez, numa criação de Stephen King (cujas adaptações cinematográficas da sua obra são incontáveis, pelos mais diversos cineastas - mas Darabont é o que mais se destaca). Porque «The Mist» tem muita coisa dentro de si que faz o que eu não gosto que seja posto em prática no Cinema. Mas não me deveria ter surpreendido, pois o cartaz e a sinopse da fita já dão uma ideia disso. Fui apenas atrás do nome de Darabont, e assim, tive uma das grandes desilusões cinematográficas dos últimos tempos. É um filme repleto de coisas óbvias e …

O Homem das Duas Faces (The Man in the Glass Booth) [1975]

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«O Homem das Duas Faces», um filme realizado por Arthur Hiller (talvez um dos títulos mais prestigiantes da sua não-tão bem recheada filmografia) a partir da peça homónima de Robert Shaw (mais conhecido como ator - foi Henrique VIII em «Um Homem para a Eternidade» e teve outros papéis memoráveis em filmes como «A Golpada» e «Tubarão»), esteve incluído na segunda série de fitas das produções do American Film Theatre, um serviço de Cinema por subscrição que durou duas temporadas e que teve um objetivo corajoso, popular na época e inovador, e que nunca mais se voltou a repetir: filmar o Teatro, sem perder o espírito das peças adaptadas, através do auxílio de grandes realizadores e atores a participarem nos mesmos. Hoje em dia, os filmes do AFT têm o estatuto de lenda, e por muitos anos foram difíceis de encontrar e de visionar pois estiveram muito bem escondidos do público. Contudo, recentemente a coleção de catorze títulos deste projeto dirigido por Evy Landau foram lançados no mercado…

Aguenta-te Canalha! (Giù La Testa) [1971]

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«Aguenta-te Canalha!», que nas Américas do Norte tanto é conhecido como «Duck, You Sucker!» (o seu título original, que referencia uma catch-phrase de um dos protagonistas do filme), como por «A Fistfull Of Dynamite» (um título engendrado para fins de marketing - talvez a semelhança de título com o primeiro tomo da Trilogia dos Dólares, que foi tão lucrativa, pudesse dar um impulso importante às receitas de bilheteira desta fita), como ainda por «Once Upon A Time... The Revolution» (este título publicitário até faz mais sentido, visto que, antes de «Aguenta-te Canalha!», o seu realizador tinha feito, alguns anos antes, essa obra prima que dá pelo nome de «Once Upon a Time In the West»), é o filme intermédio da segunda trilogia elaborada por Sergio Leone, o senhor dos westerns spaghetti e possuidor de uma visão cinematográfica épica, poderosa e completamente genial. Após o enorme sucesso das aventuras de Clint Eastwood pelas mãos do cineasta italiano, Leone decidiu, nas suas próprias …

O "meu" filme

Sempre que me perguntaram até hoje qual "o" filme da minha vida, eu tinha sempre dificuldade em limitar a minha resposta a um título. Mas andei enganado por muito tempo, porque eu tenho um filme que é mesmo "aquele", para mim. Uma obra extraordinária que, logo no primeiro visionamento, me causou um impacto que nunca tinha sentido antes nem nunca voltei a sentir até hoje.
Sim, eu vejo muitos filmes excelentes, inovadores, poéticos e inacreditáveis. Mas o "Era Uma Vez na América" continua a ser "aquele" filme. E logo atrás dele tenho uma dezena de outros filmes que fazem parte de mim de uma maneira mais importante, mas este é o número 1. Tenho a certeza.

Lenny [1974]

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«Lenny», o filme biográfico sobre a vida e a carreira de Lenny Bruce, um dos comediantes mais irreverentes e provocadores da escola americana da arte de fazer rir, é o retrato de uma geração. É a ascensão, a queda e o reconhecimento de um comediante que ousou ser ousado - e que, por isso, sofreu muitas graves consequências dos seus atos (e dos seus ditos) provocatórios e, em muitos casos, constrangedores e polémicos. Filmado a preto e branco, o que realça muito a história dramática e muito urbana que foi a vida de Lenny Bruce e dos seus espetáculos noturnos e corrosivos, tem Dustin Hoffman numa das suas melhores e mais surpreendentes interpretações, contando algumas partes significativas da vida do stand up comedian inimigo público n.º 1 da moral e dos bons costumes, a partir de uma peça que mistura o real e o ficcional na personalidade de Lenny, não deixando por isso o realizador Bob Fosse (o homem do espetáculo na Sétima Arte, que dois anos antes fez o filme «Cabaret: Adeus Berlim»…

O Grande Salto (The Hudsucker Proxy) [1994]

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«O Grande Salto» é uma pérola mais ou menos bem escondida na filmografia dos irmãos Coen. É um filme divertido, simples e com algumas cenas repletas de imaginação e de magia cinematográfica, como a dupla de realizadores/argumentistas nunca tinham feito antes, misturando uma( música grandiosa (e que me fez recordar os clássicos natalícios - ou pelo menos, a banda sonora de muitos deles - pelo seu tom quase "doce" e mágico) com uma história que envolve o passado e o futuro... ou talvez não. Pelo menos é a ideia que o monólogo inicial, proferido em voz-off por uma das personagens secundárias do filme (que acabará por ser, de uma maneira interessante, um dos pontos-chave da trama), nos pretende transmitir, tal como o slogan da Hundsucker Industries (a empresa onde se desenrola o filme), "O Futuro é Agora". Mas depois percebemos a pouco e pouco como «O Grande Salto» é um filme parvo. Um filme parvo que, em dadas alturas, atinge o nível do ridiculamente parvo. Mas que n…

Coisas giras envolvendo informações para candidaturas

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Sabem aquela sensação de acharmos uma coisa muito tempo, confirmarmos essa coisa com muitas pessoas e, passadas umas semanas, descobrirmos que essa coisa não é verdadeira?  Acabou de me acontecer, ao ir pedir a ficha ENES para a candidatura para a primeira fase. Quando fiz os exames várias pessoas, incluindo professores e funcionários de escolas, responderam-me a uma dúvida "estúpida" (isto foi o que um dos indivíduos respondeu na altura) e que foi: posso usar a nota de Português da segunda fase para a média de candidatura da primeira? Fiz esta pergunta e a cada um dos mais de quinze inquiridos refiz várias vezes a mesma, para ver se eles percebiam o que eu queria dizer. Todos me responderam que "sim, sem dúvida alguma". Nenhum disse que não era possível.  Well, turn's out that is bulls*t porque hoje refiz, novamente, a pergunta na secretaria do Rainha (ai que desconfiadinho que eu sou - e com razão!) e mostraram-me até como vai ser a minha ficha ENES, que mos…