sexta-feira, 26 de julho de 2013

O regresso de Luther


It seems to me your conscience has killed more people than I have. 

Durante este mês de julho regressou uma das séries policiais mais brilhantes, mais negras e mais originais que a televisão britânica (com uma qualidade tão distinta dos formatos quase “standard” em massa dos americanos) proporcionou nos últimos anos, juntamente com o magnífico «Sherlock». Falo de «Luther», cuja terceira temporada, com apenas quatro episódios (mas que foram tão bons) terminou no passado dia 23, terça-feira. «Luther» não é um policial qualquer, onde os casos se resolvem num episódio como se fizessem parte de uma rotina algo entediante do seu protagonista: é um valente e profundo character study a John Luther, um invulgar polícia. E esta nova fornada de episódios, tão ansiada pelos milhares de fãs que este conteúdo da BBC conseguiu atrair desde a sua estreia, voltou a provar a originalidade e a criatividade desta narrativa, onde o enigma que rodeia a personagem de Luther se torna cada vez maior (graças às sucessivas investigações de dois agentes da autoridade que querem deitá-lo abaixo) e tudo melhora de episódio para episódio. É interessante também ver como cada temporada de «Luther» é tão diferente da anterior conseguindo contudo, conjugar tão bem a vertente policial da trama (que, nesta temporada, lida com um caso que levanta uma questão tão polémica para a Humanidade: a injustiça da Justiça e a vingança individual) como também o lado humano das personagens, não tentando torná-las em seres mecânicos e com “catch phrases” prontas a proferir. John Luther volta a sentir os seus demónios a caminharem no seu encalço nesta nova temporada, onde várias coisas inesperadas se sucedem a um ritmo alucinante, e cada vez mais percebemos como este não é um polícia qualquer. 

Em «Luther» faz-se a melhor conjugação entre as mais profundas histórias de crime e os “film-noir”. Diria mesmo que, nesta série, mostra o resultado de um encontro, nos tempos modernos, entre Alfred Hitchcock e Michael Mann, com algum contributozinho psicológico de Christopher Nolan e Jean-Pierre Melville. «Luther» conjuga o melhor destes mundos cinematográficos com a qualidade e a energia que a televisão pode proporcionar aos espectadores da atualidade, sempre sedentos de novas ideias e de novos conceitos num Mundo que, muitas vezes, se quer parecer muito desinspirado. 

É pouco provável que o criador e autor de «Luther» pense continuar a série (falou-se em acabar a história da personagem protagonizada por Idris Elba com um filme de Cinema, ou até mesmo a criação de um spin-off dedicado a uma das personagens secundárias mais adoradas da série, a psicopata Alice Morgan – e que nesta terceira temporada regressa de uma forma triunfante), mas pelo que vi, estes quatro episódios voltaram-me a surpreender de novo e acabam por fazer uma conclusão perfeita para a série. Porque depois do que o último capítulo nos mostra, o que haverá mais de interessante para explorar, de uma forma inovadora, em «Luther»? Talvez, e pela quantidade de coisas geniais que a série já nos apresentou, o criador encontre novas formas de continuar a série de uma forma sustentada e viciante, como sempre foi nestes catorze episódios. Mas se quiserem ficar por aqui, acho que ninguém se possa queixar. Porque «Luther» acabou, nesta terceira temporada, da melhor maneira: não a mais correta para a sociedade (porque se há algo que abunda neste programa são ilegalidades e muito pouca ortodoxia), mas a mais reveladora das personagens da trama. Só os “bifes” para me conseguirem cativar assim…

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