sexta-feira, 19 de julho de 2013

Laços de Ternura (Terms of Endearment) [1983]


«Laços de Ternura» é um filme sobre os trinta anos de uma relação entre uma Mãe (Shirley MacLaine) e a sua filha (Debra Winger). Variando entre a comédia e o melodrama, o filme conta todas as atribulações que as duas viveram e como as suas vidas mudaram ao longo dessas décadas, passadas em "revista", por vezes, com uma demasiada correria em contar coisas que, muitas vezes, o espectador não precisava de saber, tornando a fita demasiado longa para aquilo que oferece. O que o filme nos mostra é que, apesar dos tempos mudarem, as sucessivas gerações acabam sempre por cometer os mesmos erros, mesmo que os seus antepassados alertem para as consequências das coisas que fazem «Laços de Ternura» é um filme, aparentemente, sobre as desilusões criadas pelas ilusões que a vida fornece a cada um de nós, e a forma como lidamos com a nossa própria existência. Pena é que o excessivo e inconsequente melodrama tenha tido mais espaço do que estas temáticas mais interessantes...


Apesar de ter sido um grande sucesso do público e da crítica quando estreou, «Laços de Ternura» é o exemplo do filme que não resistiu ao tempo - ou que as massas gostaram na época e que eu continuaria a opor-me, se estivesse em 1983. É um filme que vai buscar muitos dos tradicionais formalismos com que se fazem, ainda hoje, as telenovelas: uma história demasiado direta, sem objetivos cinematográficos, música irritantemente repetitiva, como se servisse de indicador ao espectador para dizer "é para chorar aqui"... Vale pelos grandes diálogos das personagens, alguns muito bem escritos, pela realização delicada de James L. Brooks (que gosta muito de lidar com as relações humanas - algo que sai bem neste filme, e noutro seu que eu gosto mais: «Melhor é Impossível», também com Nicholson) e pelas soberbas interpretações de Shirley MacLaine e Jack Nicholson (vencedores de Oscar com este filme, e que fazem uma química excelente). O resto é totalmente esquecível, nesta fita em completo "80's style". Uma fita a dar ares de "perfeitinha", made in Hollywood de uma ponta à outra, e que para mim, foi uma das muitas decisões duvidosas da Academia. 

* * * 1/2

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