A Laranja Mecânica – a criação literária de Anthony Burgess


Foi escrita há cinquenta e um anos e continua fresquinha como sempre foi, esta fantasia distópica criada por Anthony Burgess e que tão espetacularmente foi adaptada por Stanley Kubrick ao Cinema. A Alfaguara, editora pertencente à Objectiva, editou recentemente uma edição comemorativa da obra, recheada de “extras” literários (como ensaios do próprio autor sobre o seu livro e o filme de Kubrick, um prólogo escrito por Burgess para uma peça de adaptação e um epílogo, em jeito de entrevista a Alex, o protagonista, para a imprensa, e um prefácio escrito por um estudioso de Burgess – que desvaloriza e despreza, de uma forma inacreditável, o poder do filme, fazendo daquelas comparações tão injustas e desiguais entre Literatura e Cinema) e que contem o último capítulo da obra que foi publicado apenas em Inglaterra e rejeitado na América (e também pelo próprio Kubrick, que o considerou inconsistente em relação ao resto da narrativa, terminando a sua fita com aquele desfecho memorável). E esse capítulo, “ó irmãos”, dá um final mais feliz a «A Laranja Mecânica» e ao destino do seu protagonista, reforçando a moral da história de Burgess: a importância do livre-arbítrio no Homem que, se o perde (como se sucede a Alex depois deste ter sido submetido ao Método Ludovico), deixa de ser Homem. 

Anthony Burgess, o extraordinário criador desse drugo não menos extraordinário de nome Alex.
Mas não só há toda a história de interesses que rondam a “cura” dada a Alex, e que o fazem ser a cobaia de todo um estratagema político e social que utiliza este “drugo” violento, sarcástico e apreciador de música erudita, e a própria moral do poder da escolha dada ao ser humano, como também há o retrato “ultraviolento” da juventude, que fala a sua própria língua, o nadsate (com uma série de vocábulos criados por Burgess, devidamente incluídos no glossário desta edição – e que, depois de algumas dificuldades iniciais, são fáceis de acompanhar, porque o discurso do próprio Alex é, por vezes, tão corriqueiro que é difícil não ser compreendido sem se necessitar de ir consultar as páginas da “tradução” de palavras como “cheloveco”, “tolchocar”, “petiça” e “iarblas”) e que tem os seus estranhos e criminosos hábitos que destroem o ambiente da cidade onde vivem. Tal como em 1952, «A Laranja Mecânica» é agora um aviso à juventude e um alerta à irracionalidade e irresponsabilidade dos seres humanos. Porque é claro que temos de ter capacidade de escolha, mas nunca nos podemos esquecer que as nossas decisões influenciam muita coisa que está à nossa volta e que, muitas vezes, nem nos damos conta. «A Laranja Mecânica» é uma obra prima da literatura contemporânea e que é obrigatória para todos os jovens deste mundo. Tal como o filme!

Comentários

  1. Tal como o filme Rui, de acordo. Acompanho a ideia de que a história que conta Laranja Mecânica continua fresca e actual o que faz sem dúvida este livro um dos livros mais brilhantes do século passado. Compreendo também que o filme de Kubrick tenha contribuido para a visibilidade da obra, mas é um facto que com o filme esta obra de Burgess só ficou a ganhar porque o filme valorizou-o e nao o desvirtuou. Comprei há um tempo essa nova edição mas ainda não tive a oportunidade de a ler nesses extras que foram acrescentados à primeira edição. abr,

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado Carlos. São duas obras fundamentais do seu tempo e vale a pena explorá-las com toda a atenção! :)

      Um Abraço,

      Rui

      Eliminar
  2. Boa notícia. Ainda há poucos dias falei do filme no meu blog, e vou tentar ler o livro. Abraço.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).