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A mostrar mensagens de Julho, 2013

A Laranja Mecânica – a criação literária de Anthony Burgess

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Foi escrita há cinquenta e um anos e continua fresquinha como sempre foi, esta fantasia distópica criada por Anthony Burgess e que tão espetacularmente foi adaptada por Stanley Kubrick ao Cinema. A Alfaguara, editora pertencente à Objectiva, editou recentemente uma edição comemorativa da obra, recheada de “extras” literários (como ensaios do próprio autor sobre o seu livro e o filme de Kubrick, um prólogo escrito por Burgess para uma peça de adaptação e um epílogo, em jeito de entrevista a Alex, o protagonista, para a imprensa, e um prefácio escrito por um estudioso de Burgess – que desvaloriza e despreza, de uma forma inacreditável, o poder do filme, fazendo daquelas comparações tão injustas e desiguais entre Literatura e Cinema) e que contem o último capítulo da obra que foi publicado apenas em Inglaterra e rejeitado na América (e também pelo próprio Kubrick, que o considerou inconsistente em relação ao resto da narrativa, terminando a sua fita com aquele desfecho memorável). E ess…

10 filmes para uma bonita tarde de Verão... com (ou sem) chuva

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Pois é, parece que o aquecimento global anda a fazer efeito nas temperaturas e o calor dos próximos dias  vai ser um bocado incerto. E assim, para aproveitarem os dias em que chova durante a tarde e que, por isso, tornem as idas à praia impossíveis de serem concretizadas (a não ser que se queiram constipar), deixo aqui dez bons filmes para aproveitarem os tempos mortos causados pela temperatura instável. Contudo, estas fitas são boas para ver em qualquer altura, e esta lista poderia ter, assim, outro título qualquer. Mas este é giro e sugestões são sempre sugestões. Em cada título que escolhi, está o link para a crítica detalhada do filme, feita pela minha pessoa, para este estaminé. Os nove últimos estão ordenados por nome e o primeiro está nesse lugar porque foi o primeiro filme que me veio à cabeça. Aqui ficam:
1. - Network - Escândalo na TV
"I'm mad as hell and I'm not gonna take this anymore!". Este é o grito de irritação lançado por Howard Beale, a personagem c…

Django Libertado [2012]

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Qualquer novo projeto em que Quentin Tarantino se envolva, direta ou indiretamente, acaba por se tornar num acontecimento mediático global. Não é por menos: ele é um dos cineastas da sua geração mais adorados pelo público e um dos poucos que ainda quer mudar Hollywood, não deixando de executar entretenimento ao mais alto nível. A cada novo filme Tarantino renova a sua imagem e versatiliza-se cada vez mais, por se envolver em projetos completamente distintos uns dos outros (não deixando estes, contudo, de ter as suas marcas específicas e muito tarantinianas). E mais importante do que isso, é relevante assinalar o significado que Tarantino dá à forma como as suas referências o influenciam nos filmes que faz. Muitas delas são desconhecidas do grande público ou estão, simplesmente, a fugir dos novos espectadores de Cinema, mas Tarantino tenta-lhes dar uma nova frescura para os seus fãs poderem perceber como os Grandes Mestres da Sétima Arte são tão importantes para este ídolo da cinefili…

O Sentido do Fim – as várias faces da Memória

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Parece-me que pode ser esta uma das diferenças entre a juventude e a idade: quando somos jovens, inventamos futuros diferentes para nós; quando somos velhos, inventamos passados diferentes para os outros.
Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contámos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas – principalmente – a nós próprios.

Este é um dos livros mais bonitos e sinceros que já me vieram parar às mãos. Uma escrita brilhante e sublime, a de Julian Barnes, o autor de «O Sentido do Fim», vencedor do Man Booker Prize no ano de 2011 com esta obra. Parece-me que este é um daqueles livros tão curtinhos e que se lêem tão depressa, mas que possuem uma profundidade que muito calhamaço com várias centenas de páginas não consegue captar na sua essência. «O Sent…

Os Cavalos Também se Abatem – a dança na Grande Depressão

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A ação da narrativa de «Os Cavalos Também se Abatem», um pequeno mas fulminante romance de Horace McCoy, situa-se durante os tempos da Grande Depressão. E aí conhecemos uma interessante moda da época, as maratonas de dança, e dois dos seus protagonistas, sendo que um deles é quem nos conta a história do que vivenciou em flashback. É singular a forma como McCoy decidiu contar a sua história, misturando as memórias do protagonista com os seus pensamentos na “atualidade” da narrativa, num ritmo tão frenético e dramático que é impossível não se ver todo o “filme” a desenrolar-se na nossa cabeça, à medida que prosseguimos a leitura. «Os Cavalos Também se Abatem» é um livro sobre a busca dos sonhos e as maneiras perigosas que se arranjam para os alcançar, como se trata também de uma mensagem sobre a juventude e a mudança das mentalidades do ser humano em determinadas situações mais delicadas. A co-protagonista, par do personagem central na maratona de dança em que participam, deve ser uma …

O regresso de Luther

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It seems to me your conscience has killed more people than I have. 
Durante este mês de julho regressou uma das séries policiais mais brilhantes, mais negras e mais originais que a televisão britânica (com uma qualidade tão distinta dos formatos quase “standard” em massa dos americanos) proporcionou nos últimos anos, juntamente com o magnífico «Sherlock». Falo de «Luther», cuja terceira temporada, com apenas quatro episódios (mas que foram tão bons) terminou no passado dia 23, terça-feira. «Luther» não é um policial qualquer, onde os casos se resolvem num episódio como se fizessem parte de uma rotina algo entediante do seu protagonista: é um valente e profundo character study a John Luther, um invulgar polícia. E esta nova fornada de episódios, tão ansiada pelos milhares de fãs que este conteúdo da BBC conseguiu atrair desde a sua estreia, voltou a provar a originalidade e a criatividade desta narrativa, onde o enigma que rodeia a personagem de Luther se torna cada vez maior (graças à…

O Adeus às Armas – Ernest Hemingway e a I Guerra Mundial

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A guerra parecia tão longe como os desafios de futebol de um colégio que não fosse o nosso. Mas eu sabia pelos jornais que se continuava a combater nas montanhas, porque a neve nunca mais vinha. 
«O Adeus às Armas» é uma interessante ficcionalização do que o seu autor, rnest Hemingway, viveu e experimentou na I Guerra Mundial, em que participou. Não sendo um livro muito original e, por vezes, demasiado repetitivo e cansativo nas suas descrições pouco construtivas do conflito em questão (e, aleluia, sinto-me feliz por não ser o único que se sinta assim com a escrita do autor – já ler «O Velho e o Mar», no ano passado, tornou-se um martírio tal que nem me lembro se acabei a leitura), acaba por ser uma narrativa relevante por viver da experiência pessoal do escritor, que sentiu na pelea tragédia que abalou o Mundo nos anos 10 do século passado. «O Adeus às Armas» é, também, uma história de amor, trágica e bonita, entre Frederic Henry e Catherine Barkley, durante os anos da Guerra. Mas ap…

Gastronomia

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Uma das poucas qualidades que tenho é a de ser um bom garfo. Tenho uma certa curiosidade pela gastronomia e um gosto em experimentar alimentos que estejam ligados a alguma cidade ou região em específico. 
Ontem, experimentei amêijoas, uma das iguarias algarvias que nunca tinha provado. Apesar de alguma indecisão inicial, dez minutos depois, com o fim das doses, o estado do meu prato era este. E a amêijoa que está em cima era uma que tinha um tamanho maior do que o normal (a fotografia não mostra isso muito bem), e foi a última que ingeri. Fiquei satisfeitíssimo.

Politiquices

Os partidos políticos são como os canais de televisão por cabo: há tanta escolha mas, no fundo, nenhum acaba por interessar verdadeiramente. E enquanto não se descobre a "luz" no meio da "escuridão", nós continuamos no teimoso zapping.

Eu no Público

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Faço uma pequena pausa das minhas mini férias da internet para publicitar esta reportagem, da autoria da Catarina Durão Machado, onde tive o privilégio de participar e de, lá está, ser fotografado. Ficou um texto muito interessante sobre a passagem do secundário para o ensino superior. E saiu no Público de ontem e diz-se que este estaminé foi lá mencionado!
O artigo online pode ser lido carregando neste link.
E agora retomo o período de descanso da net. Ah, e aproveito para, entre mergulhos de piscina e praia (tem sido ótimo) e entre leituras, sacar os novos episódios de «Luther». Porque já estou com saudades.

Adeus até ao meu regresso

Sim, as férias são para descansar. E nos próximos dias vou para o Sul do país e não vou estar a atualizar a Companhia das Amêndoas. Volto a 27 de Julho, sem falta, com coisas novas. Mas vou aproveitar para descansar, mais uma vez, a cabecinha (ela nunca funcionou muito bem, é a vida!). Obrigado por lerem este estaminé e umas boas férias, se for o caso!

Laços de Ternura (Terms of Endearment) [1983]

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«Laços de Ternura» é um filme sobre os trinta anos de uma relação entre uma Mãe (Shirley MacLaine) e a sua filha (Debra Winger). Variando entre a comédia e o melodrama, o filme conta todas as atribulações que as duas viveram e como as suas vidas mudaram ao longo dessas décadas, passadas em "revista", por vezes, com uma demasiada correria em contar coisas que, muitas vezes, o espectador não precisava de saber, tornando a fita demasiado longa para aquilo que oferece. O que o filme nos mostra é que, apesar dos tempos mudarem, as sucessivas gerações acabam sempre por cometer os mesmos erros, mesmo que os seus antepassados alertem para as consequências das coisas que fazem «Laços de Ternura» é um filme, aparentemente, sobre as desilusões criadas pelas ilusões que a vida fornece a cada um de nós, e a forma como lidamos com a nossa própria existência. Pena é que o excessivo e inconsequente melodrama tenha tido mais espaço do que estas temáticas mais interessantes...

Apesar de ter …

8 1/2 [1963]

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Uma crise de inspiração? E se não fosse passageira? Se fosse o desmoronamento final de um mentiroso sem sorte nem talento?

Depois de «La Dolce Vita», do seu sucesso internacional e da influência que teve para outros filmes e cineastas da época, Federico Fellini volta a chamar o grandioso Marcello Mastroianni para brilhar como protagonista noutra fita, completamente diferente dessa tão famosa obra cinematográfica com a icónica cena passada na Fonte de Trevi, entre Mastroianni e Anita Ekberg. Após uma colaboração em «Bocaccio 70'», Fellini decide apostar num filme completamente diferente de «La Dolce Vita», onde o sonho e a realidade se confundem constantemente, e acrescentado uma dose autobiográfica muito intensa à narrativa, protagonizada por Guido, um cineasta com um sério bloqueio criativo (ele vai fazer um novo filme... só não sabe é sobre o quê!). A estranheza começa logo pelos três algarismos do título: o que quererá simbolizar «8 1/2»? Segundo a História do Cinema, é porque …

Breve Encontro [1945]

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No último ano da Segunda Guerra Mundial estreava «Breve Encontro», um drama romântico intimista britânico, simples e encantador, realizado pelo Mestre David Lean, muito tempo antes deste cineasta criar esses épicos esmagadores que caracterizariam o seu Cinema a partir da década de 50, como «A Ponte do Rio Kwai», «Lawrence da Arábia» e «Dr. Jivago». Neste pequeno filme encontramos uma realização muito distinta da grandiosidade dessas fitas com que Lean se celebrizaria em todo o Mundo: é um romance simplista e quase banal, que deve muito do seu espírito e do seu encanto à dinâmica entre os dois atores principais e à misteriosa e bonita banda sonora, minimalista, muito assente no segundo concerto para piano composto por Sergei Rachmaninoff. «Breve Encontro» é uma história de amor à inglesa, onde no meio do retrato das duas personagens e dos encontros furtivos e escondidos que têm uma com a outra às quintas-feiras e que alimentam o amor que os une, se faz uma crónica dos costumes britâni…

Close-Up [1990]

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Quais seriam as verdadeiras intenções que o realizador Abbas Kiarostami tinha com este seu filme, «Close-Up», criado a partir de um acontecimento real que fez com que o cineasta quisesse filmá-lo, em substituição ao projeto que estava previsto executar naquele ano de 1990? Alguns veem, neste documentário ficcional, uma tentativa oportunista e pretensiosa por parte de Kiarostami para se aproveitar do drama de Hossain Sabzian para criar uma espécie de estudo sobre o poder do real e do irreal no Cinema. Outros analisam «Close-Up» como uma obra-prima cinematográfica (está incluída até na mais recente versão da lista dos Melhores Filmes de Todos os Tempos do British Film Institute) que mudou a Sétima Arte e que ajudou a que o Cinema não voltasse a ser feito e visto da mesma forma como era antes. Bom, opiniões e extremismos à parte, é impossível ficar-se indiferente a esta interessante investida de Kiarostami, um constante cruzamento entre a realidade e a ficção, onde a atualidade é muito …

Outra vez a sobrecarga de informação

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Hoje estive, mais uma vez, a pensar na forma como a minha geração tem acesso a demasiada informação. Temos tanta coisa ao nosso dispor e estamos envolvidos em tantos formatos digitais que nos esquecemos de tentar organizar a cabeça! É impossível viver assim, pelo menos para mim: não estar concentrado a ver um filme porque tenho o telemóvel ligado, não conseguir ler um livro pelo barulho e pelas preocupações que estão a bombardear a minha cabeça... Bolas! Eu quero parar com isto! Quero ir para uma ilha afastada do Mundo, sem internet, sem informação a mais, onde me possa concentrar nas coisas que quero mesmo fazer!   E enquanto tento magicar uma ideia para acabar com esta sobrecarga de informação que tanto me atormenta, vou só por uns likes no facebook, responder a uma SMS, rever um texto para o blog, ver os sites de jornais portugueses, responder a fóruns, ler umas coisas e... ups. Mais vale estar calado.

A Vida é um Jogo (The Hustler) [1961]

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I'm gonna beat him, mister. I beat him all night and I'll beat him all day. I'm the best you've ever seen, Fats. Even if you beat me I'm still the best.
«A Vida é um Jogo» apresenta uma das personagens mais memoráveis da carreira do lendário ator Paul Newman, "Fast Eddie" Nelson, cuja história de vida continuaria, vinte e cinco anos depois, numa sequela não tão aclamada como o filme original, realizada por Martin Scorsese e com o nome «A Cor do Dinheiro». Mas centremo-nos em «A Vida é um Jogo»: é um filme que criou um dos mais memoráveis personagens do Cinema Americano e que, apesar de todo o seu ar de anti-herói, é uma das figuras mais acarinhadas pelo imaginário das fitas dos States. E apesar de ser um filme que tem o bilhar (e o fascínio de Eddie pelo desporto) como ponto central, é mais uma obra que lida com um grande "character study" das várias personagens que a protagonizam (Eddie, a sua namorada Sarah, o mestre do bilhar Minnesota Fats e…

Saiu o trailer de Saving Mr Banks

Do realizador de “The Blind Side”, John Lee Hancock, o filme acompanha a luta de Walt Disney para obter direitos de PL Travers (Emma Thompson) para o livro de Mary Poppins, o que eventualmente levou à criação do clássico filme familiar. O elenco também inclui BJ Novak, Colin Farrell, Bradley Whitford, Jason Schwartzman, Paul Giamatti e Ruth Wilson. Um filme a olhar com atenção para a próxima Award Season e que acaba de ganhar o primeiro trailer: In Magazine HD
Hum... filme produzido pela Walt Disney sobre o próprio Walt Disney... é capaz de ser uma grande ficção. A Disney ainda não conseguiu recuperar do trauma da verdadeira personalidade do seu criador (anti-semita, psicótico, etc), e não acho que seja desta que isso vá acontecer... Nice try, however. Talvez Hanks até consiga voltar a surpreender, mas tenho quase a certeza que não será um Walt Disney aproximado da realidade que vai ser retratado.

John Oliver no Daily Show

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John Oliver foi uma escolha acertada para substituir Jon Stewart na apresentação do genial Daily Show (em Portugal é transmitido nas SIC's Notícias e Radical). A equipa de argumentistas do programa é fabulosa e eu gosto muito de cada um dos elementos da mesma, mas Oliver tem feito um excelente trabalho que nenhum dos outros conseguiria executar. Ele não apaga Stewart (o que é bom, mantém viva a "chama" do seu patrão), mas tem mostrado, de uma forma mais visível que só as pequenas aparições que fazia antes não permitiam, o talento de um grande comunicador. Oliver está há um mês no "posto" e espero que, nos dois meses que faltam para acabar este trabalho temporário, ele continue a dar o seu melhor e a proporcionar grandes momentos de humor televisivo. Porque é o que precisamos neste momento.

Sobre a inscrição para a segunda fase...

Burocracia, Burocracia, Burocracia... Vi hoje tanta papelada a circular na escola, quando fui candidatar-me à segunda fase dos exames, que começo a não entender porque é que se diz que o papel vai deixar de existir... Os impressos criam um ritual anual único e inesquecível! E ver toda aquela malta reunida, à espera da sua senha ser chamada... Que calor humano! Ah, e é algo que não se encontra em festivais de Verão, na naaa. Esta experiência foi mesmo qualquer coisa de especial...

O Caimão [2006]

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«O Caimão» é uma história de família e de política, feita de todos os condicionalismos que cercam os seus autores (um deles o realizador Nanni Moretti, que há bem pouco tempo voltou a dar que falar com «Habemus Papam - Temos Papa»), que levaram à criação deste filme. Let's face the facts: «O Caimão» não existiria sem Silvio Berlusconi, visto que é ele o alvo do novo filme que Bruno Bonomo (o formidável Silvio Orlando, um ator veterano dos anteriores filmes de Moretti), um neurótico produtor de filmes de qualidade duvidosa, vai dar ao mundo, após dez anos de ausência da atividade cinematográfica ("despedida" forçada que se deveu ao seu último filme, «Cataratas», cujos "fabulosos" minutos finais são-nos mostrados no início de «O Caimão», ter sido um grande fracasso precisamente uma década antes, o que levou o produtor à ruína financeira e profissional - na narrativa da fita, o filme está a ser projetado numa espécie de cineclube que "aclama" o "br…

Jackie Brown [1997]

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O genérico, com uma música muito "cool" (interpretada por Bobby Wormack, e cujo nome é «Across the 110th Street»), que abre «Jackie Brown», o terceiro filme realizado por Quentin Tarantino (e um dos menos aplaudidos pela crítica) e que, de alguma maneira, parece ser uma espécie de homenagem à famosa sequência inicial com Dustin Hoffman em «The Graduate», acaba por dar uma certa ideia de algumas das coisas que podemos esperar nesta fita, tão Tarantiniana mas que, ao mesmo tempo, rompe com alguns estilos e formas que o cineasta utilizou nos seus dois anteriores filmes e que não estão tão presentes neste. Mas lá está, Tarantino sem marcas de Tarantino não seria a mesma coisa, e algumas das suas características mantêm-se, como o extenso palavreado "hardcore", os acutilantes diálogos intermináveis e que não se enquadram muito no que poderíamos estar à espera de ouvir, e as situações vividas pelas personagens, sempre com o seu "quê" de surpreendente. «Jackie B…

O Ódio (La Haine) [1995]

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C'est l'histoire d'une société qui tombe et qui au fur et à mesure de sa chute se répète sans cesse pour se rassurer : "Jusqu'ici tout va bien, jusqu'ici tout va bien, jusqu'ici tout va bien..." L'important c'est pas la chute, c'est l'atterrissage.
Esta é a frase que ouvimos ser pronunciada no início de «O Ódio». É uma metáfora que percorre todo o filme e as situações em que as três personagens principais (Vinz, Said e Hubert, todos de culturas diferentes e que em nada se associam à francesa - um judeu, um árabe e um negro -, o que é uma pequena mostra da grande multiculturalidade do país, que tem vindo a crescer nestas duas últimas décadas de uma forma gigantesca) se envolvem, e que pode ter vários significados. Só chegamos mesmo a entender qual é o motivo desta pequena "piada" ser contada com todos os acontecimentos que culminam num final que traduz a preocupação de toda uma geração, e que acaba por coincidir com a minha ge…

Sherlock Holmes - O Vale do Terror

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«O Vale do Terror» foi a quarta e última aventura longa de Sherlock Holmes (o detetive era protagonista, sobretudo, de short stories), criada pelo seu "Pai", Arthur Conan Doyle. Como fã de (bons) policiais que sou, não pude deixar escapar esta deliciosa edição nacional de bolso (da já conceituada coleção "11/17" - as dimensões de cada livro da mesma -, onde os livros são muito simpáticos, práticos e acessíveis para quem não gosta de andar com calhamaços atrás. Os preços é que talvez não sejam os mais justos, dado o facto dos livros serem de bolso, mas vale a pena espreitar a lista de títulos da coleção - daqui também li «O Grande Gatsby»). Não sendo uma das histórias mais atrativas, originais, interessantes ou apelativas do longo historial das aventuras do detetive mais famoso do Mundo, não deixa de ser uma leitura extremamente agradável, com a escrita de Doyle que dá muita atenção aos pormenores do espaço que rodeia as personagens, bem como todas as particularida…