sexta-feira, 14 de junho de 2013

Persépolis: a história de uma infância e a história de um regresso


Uma das últimas leituras que fiz (agora estou a ler dois outros livros, ao mesmo tempo) chama-se «Persépolis». É a célebre novela gráfica de Marjane Satrapi, uma autobiografia da artista sobre si própria, sobre o país onde nasceu e sobre o impacto que a fuga do mesmo para a Europa teve na sua vida, e que, há bem pouco tempo, gerou uma muito boa adaptação cinematográfica, que segue o mesmo tipo de desenho desta banda desenhada. «Persépolis» é dividido em dois livros, juntos num só nesta edição portuguesa excelente da editora Contraponto: A História de uma Infância, onde Marjane conta como vivia em Teerão e quais eram os pensamentos que tinha sobre o país, as ideologias fanáticas do mesmo (impostas após a queda do Xá da Pérsia, que, pelo que ela nos diz, também não tinha feito nada de bom para o Irão) e o que ela ambicionava para o seu próprio futuro, enquanto o passar dos anos a fez crescer, fisica e mentalmente; e A História de um Regresso, que mostra todas as atribulações que Marjane viveu quando emigrou para a Europa e como, com o regresso ao seu país de origem, conseguiu aperceber-se das grandes diferenças que, ainda hoje, persistem no Irão, ainda muito marcado pelo fanatismo e irracionalidade de alguns dos seus cidadãos. Mais do que um relato histórico, muito bem fundamentado e interessante, «Persépolis» é uma obra sobre a vida de uma rapariga que quis mostrar aos ocidentais as coisas boas e más do seu país, enquanto que a comunicação social insiste em, apenas, a passar as más (e a do Irão também, em relação ao "nefasto" Ocidente). Um ato de coragem, de inteligência e de alguma genialidade, é o que se pode encontrar em «Persépolis», uma das obras da nona arte que mais prestígio angariou na atualidade (e que, juntamente com «Maus», de Art Spiegelman, e «Adolf», de Osamu Tezuka, é uma das minhas "graphic novels" de eleição) e que mostra aos (ainda) céticos como a banda desenhada não é uma arte menor do que as outras. A arte dos quadradinhos têm mesmo muito que se lhe diga...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).